O Daniel desapareceu de casa e esteve ausente durante umas duas horas.
Tinha aparecido cá em casa um dos amigos dele da escola. Um tal de Anthony, pela primeira vez. Esperou uns minutos lá fora enquanto o Daniel terminava os deveres, e ,logo a seguir, deixei-os a brincar no jardim aqui à frente de casa, juntamente com o David e um outro amigo costumeiro. Quando mais tarde me dei conta de que o Daniel já não se encontrava com o irmão, e depois de ter questionado este se sabia para onde ele tinha ido, comecei a ficar preocupada. Achei estranho ele ter saído sem me ter dito onde ía - nunca o fez até agora.
Após esperar alguns minutos, decidi investir numa procura.
Reparei que ele levou a bicicleta para poder acompanhar o Anthony.
Só podia estar num dos parques que ficam ao redor. Assim fiz. Corri-os todos umas três vezes cada um. Nada do moço. Com a preocupação e a irritação a escalarem vertiginosamente, investi numa visita a casa do amigo. Às apalpadelas lá dei com a casa e com uma outra mãe completamente no escuro, mas esta sem muita ou nenhuma da preocupação que eu levava; o que me deixou ainda mais a ferver.
Com a noite a aproximar-se e a fumegar pelos olhos, num rompante desisti do carro, peguei na bicicleta e enveredei pelo caminho que costuma ser atracção fácil aos gaiatos. Nem a meio dele ía, quando me deparo com os dois "rufias" pela frente a pedalarem muito contentes de encontro a mim.
(Não sei ao certo se me apetecia esbofeteá-lo se abraçá-lo ao ver as suas faces rosadas...)
Enviei então o Anthony para casa e convidei-o a nunca mais me bater à porta, (... talvez... talvez tenha sido bastante dura com ele... talvez) e quanto ao Daniel, pedalava vigorosamente à minha frente, de sobrolho carregado sem perceber muito bem a razão da minha fúria.
Depois de acalmados os ânimos - meus e dele - conversamos sobre o sucedido.
E agora eu mastigo situações:
Durante duas horas há miúdos que vagueiam pelas ruas da cidade, sem a presença de algum adulto, e não há "lei" alguma que proíba os pais de os deixarem andar à solta. Com oito anos já podem ir para o autocarro, parque ou casa de amigos, sózinhos. No entanto, se os pais deixarem estes mesmos catraios de oito anos em casa sózinhos, pelo mesmo período de tempo, são passíveis de graves transtornos e repreensões por parte de organizações que se dizem pela segurança das crianças.
Ultrapassa-me. Tudo isto é-me perfeitamente descabido.
segunda-feira, novembro 12, 2007
segunda-feira, outubro 29, 2007
Shrew, disse-me o carteiro enquanto me estendia as cartas. Mas já segundos antes ouvi um tilintar no cérebro que me soou o nome Musaranho. O estranho caso de nomes dos quais desconhecemos a forma. A verdade é que nunca até ali tinha visto semelhante bichinho; não seria maior do que o meu dedo, o indicador.
Era uma manhã de Agosto, sol resplandecente, a cores quentes.

sexta-feira, setembro 21, 2007
Coisas da twilight zone.
Alguém me pergunta se conheço a tradução para a palavra twilight em português. Apanhou-me assim de repente, não me veio logo à tona, mas, olhando para o horizonte que reflectia precisamente a luz que se requer num twilight, soltou-se facilmente Crepúsculo!
Meia volta dada, e tenho outra voz que me indaga Que palavra foi essa que disseste?
Crepúsculo! Lá respondi eu em jeito de ritmo de dança, como se soubesse já o que me esperava ao finalizar o meu rodopio.
Ahh! Mas essa é uma palavra de dicionário!
Não tenho palavras para descrever o olhar com que fiquei...
quinta-feira, junho 21, 2007
Já quase tropeçamos no São João, e eu em dívida de há mais de uma semana para com este post. É o Verão o culpado, e a languidez com que me afaga todos os dias.
Dia 13, portanto, seria a data no cabeçalho.
Há certos acontecimentos que, por si sós, nada têm de peculiar, não fosse o contexto em que ocorreram, e este assim o tomei como tal.
Enquanto polia as facas antes de as pousar na mesa, simetricamente paralelas com os garfos no outro lado da mesa, uma para a salada, outra para o prato principal, comecei a dar-me conta do som que se fazia ouvir na sala através do sistema musical, fechado, com certeza, do hotel. E logo após esse dar-me conta, dou comigo a juntar letras à melodia que se ouvia no fundo, Dos populares pregões matinais que já não voltam mais!.
Pousei então o meu olhar na parede em frente e What are the odds...?! saiu-me da boca meio em pensamento, meio vocal, ao que todos queriam saber que odds eram esses. O certo é que, depois da explicação, já não tinha nenhum adepto dessa minha ode - nunca cheiraram um manjerico, por certo.
What are the odds, realmente. A mais de 5.000 quilómetros de distância, e precisamente no dia 13 de Junho: José Galhardo, Amadeu do Vale, Raul Portela, deliciaram-me os sentidos, e eu fui Amália.
quinta-feira, abril 05, 2007
Eu só queria trocar o cartucho de tinta #96 que tinha comprado ontem erradamente, pelo 97. Nada mais. Uma simples operação de troca e pagar os poucos dólares de diferença. Mas não; cheguei às 14:13 e saí às 14:41 completamente atravessada com a estupidez humana que atravessa certas cabeças.
Apresento o recibo para que faça a devida troca, mas pelos vistos, a menina ficou mais atenta ao nome do empregado que me atendeu no dia anterior do que propriamente ao artigo em questão, segundo mo disse I've never seen this name before! E com um giggle lá continuou a trepar nas teclas. Apresenta-me uma nova factura no valor de $26.22.
Deve haver algum engano, a diferença não pode ser assim tão grande. Cometeu o pequeno erro de retirar o primeiro artigo que aparecia na factura, de um valor muito inferior e que eu, na verdade, não devolvia, e cobrar-me como deve ser o #97. Nada de pânico, assegurava eu, mas a jovem já levava as mãos à cara.
A seguir decide então facturar-me o que devia ter feito logo de início. Nova factura de correctos $5.70.
Agora vem a parte interessante. Mais.
Para corrigir o erro inicial, ela apresenta-me uma nova factura, não a anular aquela primeira irregular de $26.22, como ainda me cobra mais $28.49 no cartão!
Bem. Aí já nem a minha pachorrenta têmpera a conseguiu segurar - nem a mim!
Agora já eram os cabelos que ela alisava, ou arrancava de modo delicado, nem sei, chama por ajuda e desaparece por detrás duma estante para ir ajudar outro alguém. Pareceu-me que lá ía conseguir enfim sair dali, mas...
Can you explain this invoice? Eu é que tenho que explicar isso? mandei-lhe de sobrolho no ar. Lá me deu um sorriso descabido, Oh come on..., aquele rosto de homenzarrão de 2 metros. Eu explicar, expliquei, mas o tipo não percebeu que de facto tinha que me devolver os dois montantes e, em contrapartida, me apresentava um outro que agora era eu que não entendia.
Chama então o manager, que por alguma razão é de facto o Manager e que, num minuto, me corrigiu os montantes e me pôs a salvo dali para fora.
Eu não sei, mas será que a inteligência existe em proporção inversa ao comprimento das unhas do indivíduo?
O resultado documental é este:
segunda-feira, março 26, 2007
sábado, março 03, 2007
Este episódio só tem a sua piada se for contado a partir do presente via ao passado. E em duas pinceladas foi isto:
Recebi duas mensagens simultâneas, uma da minha mãe, outra do meu irmão, via telemóvel, no dia 28 de Fevereiro, que diziam o seguinte, respectivamente:
1- É isso mesmo que vou fazer! Bjs.;
2- O quê?
Ora bem, eu pensei que lá teria, não sei bem porque artes diabólicas, interferido no envio de mensagens entre eles, e, ao mesmo tempo, fiquei preocupada com o que diacho a minha mãe ía fazer...
Por isso vai de tirar a limpo.
O que se segue é que eram-me mesmo destinadas. Só que se tratavam de respostas a uma mensagem que eu lhes enviei - em conjunto - no último segundo GMT do ano de 2006, e a qual eles só receberam no dia... 28 Fevereiro!
A que recantos do mundo se encostou esta mensagem?
Que foi que ela fez durante dois meses? Andaria tipo ió-ió dum beco a outro? Teria encontrado as devidas portas fechadas e sido recambiada para outra dimensão?
Não sei!
