Pequeno apontamento meteorológico:
Hoje, a temperatura máxima vai subir até aos 25ºC, contudo ainda tenho no quintal uma camada de neve, uns bons centimetros acima de solo.
Tempos estranhos, estes.
Estranhos e curtos.
Não tenho tido tempo absolutamente nenhum de vir até aqui.
Perdoe-me quem aqui entra à espera de linhas novas.
segunda-feira, abril 21, 2008
sexta-feira, março 21, 2008
A conversa enfiou-se na escrita - já não me lembro onde começou -, e, vai dum lado, vai do outro que nem jogadoras de ping-pong, ela desafia-me para um duelo. Escrito.
Trouxe o mote e tudo. Alone in the dark, um pequeno parágrafo de umas duzentas palavras, por aí.
Talvez tenha aparecido imbuído no clima de hoje, em que me lembrei de lhes oferecer algo de especial e diferente, mas ao mesmo tempo nada fora do normal nos dias que correm. Para evitar de ter folhas soltas de contos e desenhos perdidos pelos quatro cantos da casa, aproveitei um dos nicks virtuais da mais velha e montei-lhes a casa. Agora... é só esperar que ela cresça.
terça-feira, março 11, 2008
segunda-feira, março 10, 2008
Depois da queda de neve de ontem, este Inverno está quase a atingir o record de acumulação de neve registado em 1970/71 de 444.1 cm.
É um festim para os olhos, isso é verdade, mas também um desconforto tremendo com alguns calafrios à mistura, ter que conduzir debaixo duma tempestade tal.
Em todos estes anos aqui vividos, foi a primeira vez que senti na espinha tais arrepios. Penso que se fosse de dia, a visibilidade não seria muito melhor. Tal qual como se nos tivessem colocado um enorme lençol branco - branco sujo de bordas negras - por cima do carro: A estrada desaparece defronte dos nossos olhos; é mais um túnel para o desconhecido, limitamo-nos a confiar nos nossos instintos e também nas duas luzes vermelhas ofuscadas do carro em frente para nos guiar em segurança até a um porto seguro e mais iluminado.
No dia seguinte, foi isto que se pode ver aqui; um regalo para os petizes(ões)- ões, como eu.


sexta-feira, março 07, 2008
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Há sempre regra que tenha excepções, e esta da minha promessa abaixo, foi uma delas. Já agora, o tal prometido, foi-o, para o caso de poder sair da noite de mãos a abanar...
Mesmo sem ajuda de lentes de maior alcance, e um pouco turva, eu sei:
Aqui já só faltava uma pequena fatia do lado direito da face lunar.
A cor era assim mesmo: alaranjada.
E sempre lhe acertaram em cheio.
Vamos é a ver quando é que nos vamos sentir atingidos pelos restos dele.
A propósito: Acho incrível que tenham conseguido fazer tamanha proeza, e, no entanto, quanto ao Laden, nada! Deve andar escondido nalguma Bin invisível; mesmo à prova de infra-vermelhos.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Está linda, linda, linda!
Muito em jeito de déjà-vu com um passaporte de 3 anos já--se não me engano--, assim se passou este fenómeno num mesmo dia de escola, noite fria, regresso a casa e vejo-a. Acompanha-me praticamente todo o caminho, ali mesmo à minha frente, e depois mais para o lado direito até que estaciono e ela se posiciona na esquerda.
Hoje então, está grandiosa! Num firmamento impecavelmente limpo, com uma boa visão para o que está para vir.
Numa noite destas algo de especial deveria acontecer.
Seria injusto para tal dama que nada de mais se passasse para além da gasolina chegar a 1,10 dólar, para além dos vizinhos dispararem contra o satélite e este nos vir a dar, inevitavelmente, quer seja atingido quer não, uma enorme
dor de cabeça. Ah e os chineses, falta-me falar nos chineses... pois.
Seria injusto, sim.
Hoje, seria uma noite digna para algum anjo regressar às luzes.
Agora, se me dão licença, vou admirar este espectáculo e... prometo não trazer fotos.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Duas épocas distintas da minha vida, que em quase nada se podem assemelhar aparte do mesmo sujeito. Um Eu que, embora em constante mutação, traga sempre arreigados os fios condutores do seu passado.
Uma dessas épocas, Torquay 1985, quando descobri este poema de Yevgeny Yevtushenko.
A segunda, esta, quando pousei os olhos nestes traços de Gustave Doré.
Há entre elas uma ponte profundamente perturbadora.
Colours*
When your face
appeared over my crumpled life
at first I understood
only the poverty of what I have.
Then its particular light
on woods, on rivers, on the sea,
became my beginning in the coloured world
in which I had not yet had my beginning.
I am so frightened, I am so frightened,
of the unexpected sunrise finishing,
of revelations
and tears and the excitement finishing.
I don't fight it, my love this is fear,
I nourish it who can nourish nothing,
love's slipshod watchman.
Fear hems me in.
I am conscious that these minutes are short
and that the colours in my eyes will vanish
when your face sets.
White Rose
Dante and Beatrice and the Heavenly Host of Angels
* Translation from Russian © Robin Milner-Gulland and Peter Levi
sábado, fevereiro 02, 2008
Pigarrear.
Foi com esta palavra que me apeteceu, há dias, cá voltar. Escusado será dizer que não foi bem sucedida. Bem sucedida, a palavra.
Hoje, num passeio pelo mato esbranquiçado, dei de caras com este pingente gelado do tamanho perfeito de uma úvula. Uma úvula congelada como a minha a precisar de pigarrear.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
De mim para todos vós, e com saudade de poder estar aqui por completo deixo por hoje um pequeno toque de lembrança.
Que 2008 vos seja bondoso -- na mesma proporção da bondade emanada.
Campanha Free Hugs*
*Adendado mais tarde mas ainda a tempo--assim como O abraço.
sábado, dezembro 01, 2007
É uma constante.
Aos primeiros acordes da guitarra, o meu olhar tolda-se, deixo-me fundir nas cordas que vibram, chorosas.
Não lhe sabia nome até ontem.
Nem sequer que há voz, vozes diferentes, que a acompanham.
No entanto prefiro-a assim, sem esse distúrbio vocal, simples.
É o mais próximo que consegui encontrar:
Historia de Un Amor
Composição de Carlos E. Almarán
segunda-feira, novembro 26, 2007
E porque se falava em povo, em como o fazer agir e reagir, em ordens e por aí fora, lembrei-me de que tinha ali guardada uma foto manhosa -- peço desculpa pela falta de qualidade -- que tirei nos lavabos do Bank of Canada. Não nos lavabos que são usados pela clientela, mas sim aqueles que os empregados* utilizam.
* - Esta informação é de notável relevo; para mim.
segunda-feira, novembro 12, 2007
I'm feeling emotionally sick...
Com os olhos vidrados, mas sem lágrimas, disse-me a Verónica esta manhã, a escassos minutos de sair para apanhar o autocarro. Não sabe explicar muito bem a razão porque assim se sente. Uma das vontades de chorar: porque gostaria de passar mais tempo com o pai (admirei-me bastante deste questionar subentendido, uma vez que tem vivido com ele cada dia da sua vida). Voltou à carga com a inadaptação a esta nova escola e à falta de amigos que sente; algo invulgar nela, foi sempre bastante sociável.
As manhãs são sempre uma correria infernal. Exaustam e trazem muitas vezes memórias não tão alegres que trazemos reprimidas durante as horas mais joviais do dia.
Eu senti-me uma perfeita idiota ao escutar-lhe as palavras ditas com tanta, e afirmada, certeza. Idiota e incompetente, por não saber como lidar com este tipo de situação. Situação pela qual eu mesma, infinitas vezes, passo mas nunca verbalizo.
E orgulhosa dela. Por vê-la madura o suficiente e saber ter consciência das mudanças que atravessa.
Como ela, também eu me sinto engolida pelo tempo. Ou pelo Tempo.
Desejosa que não houvessem tantas e variadas distracções como se vêm nos dias de hoje, que nos fazem querer multiplicar em vários eus só para poder usufruir de todas elas.
Quando, no fundo, um bom livro, uma companhia sem igual, ou um recostar-se à sombra duma qualquer árvore, são exemplos do simples que mais necessitamos.
O Daniel desapareceu de casa e esteve ausente durante umas duas horas.
Tinha aparecido cá em casa um dos amigos dele da escola. Um tal de Anthony, pela primeira vez. Esperou uns minutos lá fora enquanto o Daniel terminava os deveres, e ,logo a seguir, deixei-os a brincar no jardim aqui à frente de casa, juntamente com o David e um outro amigo costumeiro. Quando mais tarde me dei conta de que o Daniel já não se encontrava com o irmão, e depois de ter questionado este se sabia para onde ele tinha ido, comecei a ficar preocupada. Achei estranho ele ter saído sem me ter dito onde ía - nunca o fez até agora.
Após esperar alguns minutos, decidi investir numa procura.
Reparei que ele levou a bicicleta para poder acompanhar o Anthony.
Só podia estar num dos parques que ficam ao redor. Assim fiz. Corri-os todos umas três vezes cada um. Nada do moço. Com a preocupação e a irritação a escalarem vertiginosamente, investi numa visita a casa do amigo. Às apalpadelas lá dei com a casa e com uma outra mãe completamente no escuro, mas esta sem muita ou nenhuma da preocupação que eu levava; o que me deixou ainda mais a ferver.
Com a noite a aproximar-se e a fumegar pelos olhos, num rompante desisti do carro, peguei na bicicleta e enveredei pelo caminho que costuma ser atracção fácil aos gaiatos. Nem a meio dele ía, quando me deparo com os dois "rufias" pela frente a pedalarem muito contentes de encontro a mim.
(Não sei ao certo se me apetecia esbofeteá-lo se abraçá-lo ao ver as suas faces rosadas...)
Enviei então o Anthony para casa e convidei-o a nunca mais me bater à porta, (... talvez... talvez tenha sido bastante dura com ele... talvez) e quanto ao Daniel, pedalava vigorosamente à minha frente, de sobrolho carregado sem perceber muito bem a razão da minha fúria.
Depois de acalmados os ânimos - meus e dele - conversamos sobre o sucedido.
E agora eu mastigo situações:
Durante duas horas há miúdos que vagueiam pelas ruas da cidade, sem a presença de algum adulto, e não há "lei" alguma que proíba os pais de os deixarem andar à solta. Com oito anos já podem ir para o autocarro, parque ou casa de amigos, sózinhos. No entanto, se os pais deixarem estes mesmos catraios de oito anos em casa sózinhos, pelo mesmo período de tempo, são passíveis de graves transtornos e repreensões por parte de organizações que se dizem pela segurança das crianças.
Ultrapassa-me. Tudo isto é-me perfeitamente descabido.
segunda-feira, outubro 29, 2007
Shrew, disse-me o carteiro enquanto me estendia as cartas. Mas já segundos antes ouvi um tilintar no cérebro que me soou o nome Musaranho. O estranho caso de nomes dos quais desconhecemos a forma. A verdade é que nunca até ali tinha visto semelhante bichinho; não seria maior do que o meu dedo, o indicador.
Era uma manhã de Agosto, sol resplandecente, a cores quentes.

terça-feira, outubro 23, 2007
quinta-feira, outubro 04, 2007
É sempre aquele reflexo maternal, ou o tal instinto, que vem ao de cima sempre que vejo crianças de bicicleta; abrando e mantenho os olhos nelas até me afastar de vez, principalmente quando reparo que os pais - neste caso a mãe, imagino eu - se encontra a uns bons vinte metros à frente dela. Dei comigo a proferir um Auuu! quando a vi estatelar-se de cara contra a parede. Doeu, com certeza. Tinha tentado enfiar a bicicleta entre a parede e um carrinho de compras desleixado em cima do passeio, mas não contou com a largura dos pedais talvez, e estes últimos devem ter roçado o tal esquecido. Noto que a mãe pára, olha por sobre o ombro, pé direito no passeio, e lhe desata um grito Brianna, come on!
Porventura não reparou que a filha se tinha magoado. Prontifico-me a parar, e estender-lhe uma voz igualmente materna, tal qual o olhar que segundos antes tinha dirigido à pequena, She hit her face against the wall...
Virou o rosto na minha direcção, em câmara lenta, e, sem me dirigir palavra, recua. Não lhe consegui ler bem o rosto. Talvez porque se me pareceu tão gélido.
Qual contraste com o lindo céu que se me deparava pela frente; a pôr-se o sol em tons quentes, e por ironia, o som que sai da rádio diz-me Picture yourself in a boat on a river With tangerine trees and marmalade skies.
Se eu disser que nas compras que tinha acabado de fazer levava marmelos
pela primeira vez em dezanove anos de vida aqui... ninguém acredita, pois não?


