Mesmo neste descampado verde, impressiona a vista e a alma. Sentimo-nos levados a sentar nos degraus ou nas rochas que o rodeiam, fechar os olhos e imaginar as ondas que outrora estalaram contra aquelas paredes robustas, sólidas.
Deve sentir-se perdido, aqui no meio desta selva de gases, ferro e cubículos.
No entanto, levo comigo o cheiro a maresia.
Algures, numa janela, estacionei o retrato frontal.
domingo, abril 29, 2007
quarta-feira, abril 25, 2007
A isto é o que eu chamo de NOTÍCIA. Ainda não tive oportunidade de vasculhar a rede a esse respeito, mas a verdade é que gostei mesmo do que ouvi pela manhã na radio. Traduzindo muito grosseiramente, diz que descobriram um novo planeta fora do nosso sistema solar com condições muito semelhantes às da Terra.
O irónico da situação seria vir-se a descobrir que eles - em o havendo, claro - também andam à procura do mesmo.
Adenda: Um pouco mais de informação do "novo" planeta, aqui.
segunda-feira, abril 23, 2007
Sei que nada tem a ver com a efeméride em causa, mas porque se me tenha visionado em tal dia - sim, estou a fazer batota com o dia de publicação deste post - cá deixo registo de tal pensamento:
Detenho-me perante os incontáveis...
Por iniciativa própria, lembraram-se as duas de me fazer esta surpresa. Sabe bem ser mimada assim com tanto carinho; e, pelo conteúdo da embalagem, presumo que a minha média semanal de bolos irá aumentar.
quarta-feira, abril 18, 2007
quinta-feira, abril 05, 2007
Eu só queria trocar o cartucho de tinta #96 que tinha comprado ontem erradamente, pelo 97. Nada mais. Uma simples operação de troca e pagar os poucos dólares de diferença. Mas não; cheguei às 14:13 e saí às 14:41 completamente atravessada com a estupidez humana que atravessa certas cabeças.
Apresento o recibo para que faça a devida troca, mas pelos vistos, a menina ficou mais atenta ao nome do empregado que me atendeu no dia anterior do que propriamente ao artigo em questão, segundo mo disse I've never seen this name before! E com um giggle lá continuou a trepar nas teclas. Apresenta-me uma nova factura no valor de $26.22.
Deve haver algum engano, a diferença não pode ser assim tão grande. Cometeu o pequeno erro de retirar o primeiro artigo que aparecia na factura, de um valor muito inferior e que eu, na verdade, não devolvia, e cobrar-me como deve ser o #97. Nada de pânico, assegurava eu, mas a jovem já levava as mãos à cara.
A seguir decide então facturar-me o que devia ter feito logo de início. Nova factura de correctos $5.70.
Agora vem a parte interessante. Mais.
Para corrigir o erro inicial, ela apresenta-me uma nova factura, não a anular aquela primeira irregular de $26.22, como ainda me cobra mais $28.49 no cartão!
Bem. Aí já nem a minha pachorrenta têmpera a conseguiu segurar - nem a mim!
Agora já eram os cabelos que ela alisava, ou arrancava de modo delicado, nem sei, chama por ajuda e desaparece por detrás duma estante para ir ajudar outro alguém. Pareceu-me que lá ía conseguir enfim sair dali, mas...
Can you explain this invoice? Eu é que tenho que explicar isso? mandei-lhe de sobrolho no ar. Lá me deu um sorriso descabido, Oh come on..., aquele rosto de homenzarrão de 2 metros. Eu explicar, expliquei, mas o tipo não percebeu que de facto tinha que me devolver os dois montantes e, em contrapartida, me apresentava um outro que agora era eu que não entendia.
Chama então o manager, que por alguma razão é de facto o Manager e que, num minuto, me corrigiu os montantes e me pôs a salvo dali para fora.
Eu não sei, mas será que a inteligência existe em proporção inversa ao comprimento das unhas do indivíduo?
O resultado documental é este:
sexta-feira, março 30, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
terça-feira, março 20, 2007
Encontro-me de luto outra vez.
E outra vez por um dos mais novos, e em situação igualmente trágica como esta de há cerca de dois anos atrás.
Não sei que dizer.
E no fundo, infelizmente, só lhes vejo um padrão definido. Maligno.
Descansa em paz, Ricardo. Um beijo meu.
domingo, março 18, 2007
sexta-feira, março 16, 2007
O passado não é o que está feito,
mas o que palavra alguma fará de novo.
Por isso leio sempre no futuro, mas não sei
para que lado escrevo. E se soubesse
que arrasto as letras como um caranguejo
diria que só tenho esta mão de palavras.
Soletro os dias em cada coisa que me olha
quando me sinto a vê-la. É tudo.
E não há desculpas para o que faço.
Rosa Alice Branco
domingo, março 11, 2007
Não sei porquê, mas lembrei-me do senhor Jorge Arbusto quando me vi assim:
Gosto destas ferramentas, fazem-me despejar a rir.
Esta achei-a no simpático e sempre sensível blog da Claudia.
As outras versões de mim coloquei-as aqui.
É favor rir.
:-)
quarta-feira, março 07, 2007
Este ano o Inverno, aquele verdadeiro, o sono dos justos, chegou tarde, mas veio. Ainda um dia o teremos, por estas bandas, em Agosto. Será?
Ouvi hoje na radio que ontem foi o 6 de Março mais frio nesta cidade - de que se tenha registo: -24º, com o factor vento -28º.
E esta casa a precisar de janelas e portas novas.

segunda-feira, março 05, 2007
Ao telefone pela manhã:
- Hello, may I speak to blá blá blá?
- Speaking.
- Hi, I'm calling from The Children's Emergency Foundation, blá blá blá, Canada ranks 2nd place within industrialized countries... children's poverty, mais blá-blás.
- Second place! What?!?
- (um risinho curto e nervoso) ... yes, and I was wondering if you could help with $1.30 (leia-se um dólar e trinta cêntimos) a day to feed a child, mais blá-blás.
- You know what? I´m already feeding four per day, so you'd better get somebody else to help.
Nota: Esqueci de lhe dizer que por $1.30 por dia me é completamente impossível de providenciar sequer um mínimo pequeno-almoço para cada um deles.
sábado, março 03, 2007
Este episódio só tem a sua piada se for contado a partir do presente via ao passado. E em duas pinceladas foi isto:
Recebi duas mensagens simultâneas, uma da minha mãe, outra do meu irmão, via telemóvel, no dia 28 de Fevereiro, que diziam o seguinte, respectivamente:
1- É isso mesmo que vou fazer! Bjs.;
2- O quê?
Ora bem, eu pensei que lá teria, não sei bem porque artes diabólicas, interferido no envio de mensagens entre eles, e, ao mesmo tempo, fiquei preocupada com o que diacho a minha mãe ía fazer...
Por isso vai de tirar a limpo.
O que se segue é que eram-me mesmo destinadas. Só que se tratavam de respostas a uma mensagem que eu lhes enviei - em conjunto - no último segundo GMT do ano de 2006, e a qual eles só receberam no dia... 28 Fevereiro!
A que recantos do mundo se encostou esta mensagem?
Que foi que ela fez durante dois meses? Andaria tipo ió-ió dum beco a outro? Teria encontrado as devidas portas fechadas e sido recambiada para outra dimensão?
Não sei!
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Já na cama, ele* no meio, eu, desta feita, do lado esquerdo dos dois - é à vez - naquele entretanto pré-sono:
... because your name is Mamã, right?
Não, o meu nome é Manuela...
But your first one is Mamã, right?
No, actually my first one is Armanda :-)
ihihihihih... AMANDA?!
Não filho, Armanda!
(pequena pausa)
I love you Amanda!
* - David
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Com aquilo que já li sobre as minhas mais recentes inquilinas, chego a ficar com a consciência pesada.
Quando a tristeza aperta e a saudade a ela se junta, sugiro uma taça de leite-creme transatlântico para amainar a dor.
Ainda se conseguem ver as mãozitas dos mais pequerruchos; daqueles a quem eu me sinto em falta na presença, e a mim também a deles me falta bastante.
E na próxima... queimem-me esse creme! :-)
(Miguel: Deita na caminha a descansar para ficares bom depressa, sim?)
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
"How to kill ants, BIG ANTS"
Foi deste modo que me lancei numa verdadeira guerra contra a invasão destas criaturas nesta casa. Até aqui, tinha levado tudo bastante levemente, esmagava-as assim que as visse, enfiava-as dentro de recipientes com líquidos, evitava de deixar restos de comida pelo balcão, coisas assim. Mas desta feita é a valer.
O pior é que elas atacam de surpresa!
Não são daquelas que marcham em fila indiana para o local dos despojos e regressam para o quartel-generalno sentido inverso, sempre em ordenado desfile. Não. Estas aterram sem mais nem quê vindas do nada, o que me dificulta um ataque mais maciço e eficaz.
Começaram a aparecer naquela altura, por volta do Natal, em que era mais Outono que Inverno setentrional e, desde aí, estabeleceram-se por inteiro e já o termómetro desceu a tiritantes trintas negativos e elas persistem em ficar por cá.
E matá-las?
Como saber quando se matou definitivamente uma formiga? Difícil, muito.
Carrega-se naquele corpo resistente até se ouvir um cric, pronto já está, cabeça apartada do corpo, perna a dar a dar; meia volta dada, já aqueles destroços não ali estão.
Exército organizado este, que até os seus feridos e, julgo eu, mortos, eles carregam de volta à base. E para quê? Ou os comem ou os operam numa sala altamente tecnológica para voltarem ao ataque. Sim, porque para as dezenas de soldados que eu já aniquilei, e a fome que eles devem estar a passar, só mesmo recauchutando as vítimas é que elas ainda podem continuar a sua saga.
Agora imaginemos: Se foi a mudança de temperatura que provocou esta minha pequena calamidade doméstica - passe a antítese despercebida -, quantas outras haverá por aí que não sejam tão visíveis e até mais funestas...
E desta me vou para os aborígenes e a Era Glacial.
Nota: Preferi usar o pó de talco que o bórico e até agora, nem uma sequer!
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Se calhar amanhã, falarei do frio, das formigas e dos Innuits, como já me tinha prometido a mim mesma há tempos. Mas por agora, e para quem é um apaixonado pela neve e suas variantes, deixo a sugestão de um dia diferente passado aqui - já faltam poucos dias para o término.
Com algumas fotos minhas no Flickr, tiradas no fim-de-semana passado.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Entra-se-nos pelas fresta da janela, de mansinho, pela soleira da porta, enquanto dormimos, e é o que mais fazemos; vai-se instalando confortavelmente entre os peões que somos, e até nos coloca os seus braços por cima dos ombros, assim, para fazer união, isso!, tal qual um feixe que se quer juntinho, forte. É o new-look deste comportamento tão antigo quanto nós mesmos, o fascismo.
Chama-se, nos tempos que correm, Politicamente Correcto.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Anonymous said...
cura-te...
13 Fevereiro, 2007 08:56
A este "Anónimo" que aqui acedeu, hoje pelas 13:51 - hora portuguesa - vindo directa e expressamente dos meus vizinhos Tapores, e me deixou inigualável epifania, os meus agradecimentos. É reconfortante saber que ainda existem almas caridosas por este mundo a velar pela saúde dos seus semelhantes.
Talvez ele me possa também elucidar sobre que doença eu supostamente sofro, ou que melhor tratamento me deveria ser atribuído.
E como diz o melhor doutor: Meio caminho para a cura está percorrido, uma vez que reconhecemos a nossa enfermidade.
Confesso.
Confesso que me sinto doente, sim. Mas será melhor, por ora, não me expressar sobre essa maleita; poderei ferir algumas susceptibilidades precárias.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
(...) por coincidência extraordinária muito perto, ali mesmo, do sítio onde os homens, como os animais, têm o seu terreno de caça, o seu quintal ou galinheiro, a sua teia de aranha, e esta comparação é das melhores, também a aranha lançou um fio até ao Porto, outro até ao Rio, mas foram simples pontos de apoio, referências, pilares, blocos de amarração, no centro da teia é que se joga a vida e o destino, da aranha, e das moscas. (...)
Saramago, José. O Ano da Morte de Ricardo Reis.
Nunca houve promessa da minha parte de actualizar este blog amiúde, no entanto, sinto-me constrangida ao verificar que, dia após dia, tenho ali um pequeno grupo de leitores, habituais, que se deparam com a mesma desgraceira de uma página já envelhecida. Truz, truz e nada ainda?
Podia culpar a gripe que me atacou, o trabalho extra que de vez em quando passo a ter, ou o exército de formigas que tenho tentado aniquilar; tudo isto serveria como bom pretexto para não ter ainda escrito, mas a verdade é só uma: Tenho andado numa fase de completo abandono da escrita e, o pior de tudo, é que me tem proporcionado imenso prazer esse afastamento.
Por essa razão, porque tem sido raro deleitar-me com estes pequenos nadas, vou-me deixando ir no embalo.
Um dia destes, sem avisar, cá se deparam comigo, com as minhas fórmulas, por vezes, irracionais, e tudo o mais que tem estado à espera, no meu cano de esgoto, para sair.
Desejo-vos sol, que é o que me faz mais falta.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
A quem possa interessar, informo que vou passar a publicar no Flickr a maioria das fotos que capto. Retratos diários, outros não tão diários, da vida que aqui se tece por terras que se dizem de Champlain.
domingo, janeiro 28, 2007
sexta-feira, janeiro 26, 2007
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Por tudo o que deixei de te dizer.
Celebro-te hoje, sentados os dois que estamos na toalha axadrezada. Vejo-te como naquele dia, não de pernas cruzadas, mas de joelho flectido, um só, a apoiar o cotovelo que te ampara o rosto; um rosto mergulhado em beleza.
Por tudo o que somos, ainda, um para o outro.
Com amor [e um beijo de borboleta],
m.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Para remissão dos meus pecados - linguísticos - aqui fica esta nota a informar que me sinto corrigida nas passagens que se seguem, por Um grilo falante e chato te (me) perseguiu à pedrada. São rectificações com aspecto de adenda permanente.
(muitas mais virão)
Escreve-se:
Expectantes
Prática
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Nojo.
Asco.
Náusea.
Enfado.
Repugnância.
E muitos, muitos outros pleonasmos que me completem este demente estado em que se encontra este assunto.
É tudo isto que sinto ao ler, reler, e vomitar de ler tantas merdas que defecam pela bloguística fora.
Eu pensei assim, Eu não me vou chatear com isto, É deixá-los no seu mundinho minúsculo de hipocrisia... Mas caralho, porque não juntar a minha - merda - à dos outros? Juntos tornaremos este mundo, quiçá, mais fértil.
Eu até acho muuuuito bem que estampem com um gordo SIM nessa sociedade machista em que vivemos e apodrecemos. Acho, pois. O que não nos falta é vontade de muitos sins (got the joke? lol espero bem que sim).
Se eu fosse a votar, talvez até votasse nesse SIM. Porque afinal, não é por ganhar o Não que essa práctica deixa de existir. Agooora... no aborto, é que eu não acredito.
Passa-me qualquer coisa ao lado de despercebido, de certeza. É que, ainda não compreendi muito bem essa cena das 10 semanas e o caraças. Ou seja, que importância faz com 1, 10 ou 30?
Aceitar um aborto com as tais 10, continua a significar, para mim, a negação da própria existência ao 1, 10 ou 30 anos!
Não me fodam!
Nem me venham com conversas de
Recuso que o meu corpo seja discutido!
Recuso que o meu corpo seja debatido!
Recuso que o meu corpo seja ofendido
... porque no fundo, bem no fundo, não é sequer o abortar que está em causa:
É a ignorância.
Quais violações, prostitutas, toxicodependentes, quais quê. É a vil e comezinha ignorância que se alastra sem que se lhe consiga pôr cobro.
Pois bem, aqui vos deixo com a minha contribuição para esse amontoado enorme que medra descomunalmente por essas vidas fora.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Três bandas subiram ao palco.
Duas de aquecimento e a última, a Tal, a que todos vieram ouvir.
A primeira, bastante fraca, Black Maria de seu nome e black, acho eu, o seu futuro. Tinha à sua disposição uma ridícula porção de palco, uma ninharia de espaço para mostrar o que valem - devo dizer que foi o espaço que lhe é merecido. Acabada esta exibição, retiram os seus instrumentos, vazam uns bons metros na plataforma, e, agora sim, sente-se um estranho rugir na audiência, um certo vibrar que até então estava ausente - nos primeiros minutos, cheguei a pensar que a noite seria um fiasco -, e aterra em campo, ou melhor seria dizer, no rinque gelado (coberto, é óbvio), um falcão loiro vestido de preto, desafiador, com o pé pousado num dos artefactos musicais e o cotovelo no seu joelho, enquanto proferiu madafaca's suficientes para fazer corar uma plateia inteira de sexagenárias em 2 segundos. Mas esta sim, aqueceu o povo (e os meus pés que já começavam a sentir o gelo que atravessava a madeira), Corey Taylor levou a multidão ao rubro; fartou-se de lhes (e me) dar banho após uma golada mais espirrada que bebida. É uma sensação inesquecível, esta de estar tão perto do palco, a escassos cinco metros, dava até para ler as tatuagens do vocalista!
Mais espaço ganho ao palco.
Eis que chegam.
Trazem com eles um pesado fardo de sucessos e é com isso que fazem a noite. Como presença de palco, achei-os bastante moles, jogo de luzes e truques visuais ficam aquém do meu desejado. A Amy, encontrei-a uma criatura reservada, tímida diria até, em falar publicamente, em comunicar com o público. Das poucas vezes que se nos dirigiu, fazia-o muito depressa, como se achasse que nos aborrecia com isso. Boring talker, disse-se ela, e eu não concordo. Para compensar, dá tudo de si no que escreve e quando canta, encanta! poderia eu aqui colocar para terminar a rimar. E foi assim. Uma noite que se verteria mágica numa outra altura, num outro mundo, mas que conseguiu atingir o seu ponto irreal a escassos minutos do final quando...
terça-feira, janeiro 09, 2007
A ampulheta descansa nos meandros do tempo.
Parar o tempo: um desejo do mortal quando se esquece da sua qualidade de deus.
Dedicado a alguém com muito poucas dificuldades de comunicação, neste dia 9, Janeiro.
Sexta-feira 5,
O dia 10 aproxima-se e eu deixo-me boiar indecisa nos minutos que as horas têm; embalo-me neles como quem espera acordar de um sonho em branco, sem recordar que passou esse dia sequer. Adio a decisão de ir, porque o querer é mesmo esse, Ir.
É o peso da espectativa acumulada este tempo todo desde que o soube que me amedronta.
Tenho medo de como irei reagir ali, ao sabor daquelas ondas, porque me desconheço naquele determinado ambiente e também porque já espero demais.
Por isso peço sinais de fora.
Coloco o meu destino nas mãos de entidades desconhecidas - troco o desconhecido a troco de outro do mesmo valor. Louca!
Regresso a casa do trabalho, madrugada diferente esta: a bruma encanta e enfeitiça os passeios, as ruelas, edifícios, e tudo pertence a um mundo diferente esta noite. Talvez por isso mesmo, escolho aquela rota menos usual, a mais longa, a que ladeia o rio, a mais adequada neste enquadramento. Só se vêm as luzes dos candeeiros que, de par em par, a cada dez, vinte metros, acompanham-me silenciosos, vão-se vergando à medida que os passo, Boa noite, dizem-me eles pesarosos. Tudo é breu, excepto pelo triângulo que se perpétua continuamente defronte dos meus olhos formado por estas luzes que flutuam, dir-se-ia, no nada, sem apoio, e eu conduzo nessa estrada apoiada nelas.
Haunted, como som de fundo. Perfeito.
Semáforo vermelho, páro por minutos, prestes a emergir numa estrada mais movimentada, menos assombrada, mais desfasada, menos em mim. Dou pela hora, 1:01.
Sempre veio o tal sinal, Hello (m), don't cry, I'm still here all that's left of yesterday...
segunda-feira, janeiro 01, 2007
1 de Janeiro 2007, 3:33am comecei a ler O Ano da Morte de Ricardo Reis e a imagem do primeiro segundo do ano regressa cinzenta, a cheirar a queimado e o medo de ser levada, pior, que mos levem, na explosão.
Pelas 6:48am acorda-me o telefone de algum sonho indiscreto, número encoberto, só me deixou proferir dois Hello, não ditos de seguida, espaçados por breves segundos. Tira-me o sono e nem me deixa sequer desejar Bom Ano!, tal a pressa em que desligou; e o sono regressa quando penso no quarto que também eu quero ter de janelas amplas com vista para o rio. Qualquer rio. Qualquer? Não.
domingo, dezembro 31, 2006
Lentes - Final
Entre o fim e o começo, existe o pequeno rasgo onde as infinitas possibilidades estão em alvoroço, saltitantes, espectantes, afervoradas.
Escolhe-me... Escolhe-me... Escolhe-me...
Cheque em branco
Comecei o ano com um arco-íris estampado no rosto. Ao longo do percurso, as cores foram-se esvaindo, hoje, só o arco permanece.
A noite de 31 para o 1º dia do ano novo, sempre se me afigurou de mágica. Tão mágica que ainda hoje espero por tal passe que me deixe assombrada.
(nunca fiz tal, mas amanhã apetece-me listar o balanço do ano que passou)
Também não será esta a noite em que vou concretizar o meu desejo de perfeita comemoração da morte e renascimento: Celebrar a continuidade.
(durante o correr do ano, existe a continuidade materializada; esta noite seria portanto o momento ideal para que se parasse e exaltasse tal 'materialismo')
USAGE: Apply on face, hands and entire body:
Honestidade.
Usem-na no vosso e no dos outros. Sejam mais honestos do que a própria consciência vos dita.
É o que vos - e me - desejo para 2007.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Entre pescadores
Disse-me ele que, quando lá voltasse, não perdesse o rodovalho. O que ele não sabia é que eu já lá fui musa piscatória.
Nem dois minutos o isco esteve na água, e cá veio ele...
Cabo Carvoeiro, 2006
Não deve ser rodovalho, mas...
quinta-feira, dezembro 28, 2006
domingo, dezembro 24, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Dúvida
Sei que me prendo a pormenores ridídulos e a eles me atraio como polaridade negativa, mas... saberá alguém explicar-me semelhante parafuso:
Orientação religiosa : Ateu Não praticante
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Da mala para fora
Não vejo qual é o prazer que têm certas pessoas em vestir roupa completamente encharcada com cheiro a naftalina, principalmente quando, nos dias que correm, a maior parte das etiquetas reza poliéster.
Mas mais grave ainda é quando essa mesma roupa encharcada serviu para acolchoar caixas de broínhas numa viagem transatlântica.
Isso, sim, ultrapassa o ridículo da primeira cena.
Arrghhh! Que sabor horrível...
domingo, dezembro 17, 2006
Operação "Nariz Vermelho"
Versão 1:
- Atão... vai mais uma?
- Epá, é melhor não, vou conduzir.
Versão 2:
- Oh Manel, bebes outra?
- Hmmm, se calhar não. Sabes que vou caminhar.
Portanto, já deviam saber: Nesta quadra que atravessamos, se beberem -- demasiado --, não saiam do local onde se encontram.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Com Scorpions como som de fundo
... e uma lebre a fugir diante dos faróis do carro, escuridão a envolvê-la, e duas pesadas galochas a tentar surripiá-la à natureza.
Aí pelos oitenta, meados de. Era o ano das viagens intermináveis a Espanha, apesar de já não ser o tempo da carne de vaca barata escondida debaixo do assento do carro, ou do azeite quase de borla, mas também mais oleado. Não. Não era esse tipo de ano. Isso tinha sido um pouco antes.
Era o ano do esconderijo lá para o cume de Manzaneda, a Cabeza esbranquiçada, local onde minha mãe pediu que nos calassemos pois queria ouvir o silêncio. Ano das vacas arremessadas para o monte de manhãzinha bem cedinho naquele Estio de espigar o cabelo durante o pico do dia e só voltarem pela noitinha, preguiçosas, calmeironas.
Merenda parca. Corpo mingado. Ano do trevo de quatro folhas.
Ano do ninho invadido por estas mãos descuidadas, e dos quatro passarinhos que passaram a comer minhocas apanhadas por estas mesmas com mais cuidado.
Em abono da verdade também digo: Nem sei se realmente foi um só ano, ou menos, ou mais, mas foi sim, recheado.
Até a minha vizinha aprendeu uma lição. De olhos esbugalhados, mãos entrelaçadas por sobre o regaço negro de viúva secular, espanta-se e nós de seguida o ficamos, Não percebo como é possível? Esta gente nunca me viu mas todos sabem o meu nome!.
O seu nome: (Zul)mira.
Ali devias ter ficado, Pai. Talvez com essa decisão não tomada ainda estivesses no meio de nós. As saudades de ti doem.
segunda-feira, dezembro 04, 2006
No sentir e aprender
Quando se é mãe, não faltam motivos para que nos sintamos como um balão prestes a explodir de alegria. Mas pelo meio de todos esses fenómenos que vão empolando ao calhas pela nossa vida fora, existem dois momentos, até à data, que não requerem sequer uma impressão a papel para o futuro, pois duvido que os possa vir a esquecer.
Um deles, aquele momento em que sentimos o peso daquele volume que transportamos durante largos meses a ser transferido para o exterior do colo, ser colocado aqui bem perto do peito onde lhe sentimos, finalmente, a respiração.
O outro é aquele dia em que, de repente, damos conta que os nossos rebentos ganham manejo próprio e coordenam, por si mesmos, o visual com a fala e começam a ler. É como se as rédeas lhes tivessem sido passadas para as suas mãozitas naquela primeira vez que tal sucede.
Esta semana foi o David. O último e, talvez por essa razão, o mais precoce. Porque não o esperava de todo, fiquei alarmada com tal procedimento até e penso se me está a faltar o tempo habitual que costumava passar com eles.
A partir de agora já posso retirar o Scrabble do armário onde tem estado escondido .
Abrir janelas
Foi criado com o objectivo de ser mais do que um trabalho a dois, no entanto, o tempo não lhe tem estado de feição, adiando cada vez mais a sua apresentação, e colocando-o este tempo todo na penumbra.
A quem esteja interessado em se juntar, será um enorme prazer abrir as portas do
terça-feira, novembro 28, 2006
Ao de leve, e ele voou
Acho um absurdo quando leio as queixas desenroladas daqui e dali; bolas de cotão atravessadas na goela.
Não é o país que é o carrasco em vida.
Nem tampouco se aproveita dos louros da nacionalidade após a morte do poeta.
Será que não há maneira de compreenderem que poeta - poeta que o seja - é assim mesmo?
É ele próprio que se isola durante a vida e, nessa mesma escolha pessoal, se eleva após a passagem.
sexta-feira, novembro 24, 2006
quarta-feira, novembro 22, 2006
Beijo-alimento
Eu já me tinha perdido da ideia de arrematar o desafio inicial que fiz ao beijo, mas ao deparar-me agora com umas poucas linhas que resgatei para um papel preso no frigorífico, achei por bem remir a consciência. Resgatei porque esquecia, porque a mente, naquele momento, insistia em fugir.
Hoje leio-as, pela primeira vez que me lembre. No papel tinha imprimido a receita de Sonhos escrita à mão e à pressa. Sonhos. Imagine-se a casualidade do encontro.
E é isto que leio:
Dos lábios verte a saliva que um dia mastigou o alimento que nutriu o ser que brotou de nós. Assim dizem eles, os entendidos. Alguns deles.
O beijo de agora, perpetua esse chamamento ancestral de pré-mastigar os alimentos e alimentar os infantes. O beijo agora alimenta-nos a alma e dá a alimentar quem amamos.
Foi só isto que escrevi, mas mais haveria lá por dentro. Desconfio que ficou embrenhado com a manteiga e a farinha..., sem esquecer o sal.
Outros há que defendem que o beijo passional teria começado pela troca de tabaco ou resina mascados pelo macho e dado a oferecer, preso entre os seus dentes, à fêmea, que se aceitasse o pedaço mastigado, seria sinal de aceitação do amor do rapaz. Dizem eles que este ritual se verificava ali pelos lados do Vale de Ziller, na Europa Central.
De maneira que tudo isto me leva a crer que, à nascença, poucas ferramentas trazemos connosco. Mas trazemos sim. Umas duas ou três, se talvez. Que vamos aperfeiçoando à medida que crescemos. Adicionamos apetrechos àquelas que já temos; deixamos cair em desuso quando já não necessitamos; tudo mediante a interacção com o ambiente em que vivemos no momento.
Se sempre se beijou do modo como o fazemos neste presente?
Não penso. Até neste aspecto há, não sei se lhe chamaria evolução, mas há, concerteza, mudança.
Se iremos continuar a beijar deste modo?
Também não penso que isso irá acontecer.
Texto escrito com o pensamento neste filme.
Material oscular pescado daqui.
quarta-feira, novembro 15, 2006
Parte 1
A voz. Sempre aquela voz inconfundível e o burburinho ao meu redor que me impede de a ouvir. O burburinho e os impropérios habituais carinhosos do usual minha em vez dum insensível sua que nunca o será. Porque frio e distante - o pronome. A miudagem corre e percorre uma casa que desconheço. Uma casa com paredes mornas de madeira.
E a pergunta! Falta-me descodificar a pergunta sobre o texto - mas que texto?
Vai-se a voz, não se ouve aquele tom contínuo costumeiro do final e, eis que entra nova chamada. De novo mas desta feita sem a voz. Só o tilintar das teclas de uma velha máquina de escrever. Tamborilar incessante, gaiatos que escalam paredes e procuram elevar sons, um redemoinho de melodias que me obrigam a procurar uma parte sossegada naquele recanto que me faz sentir em casa mas que o não é.
Queres ouvir o que me rodeia, o meu dia-a-dia.
Desfaz-se esta imagem, aparece uma outra ainda mais intrigante. Cheias num rio de que não me recordo ou não desejo pronunciar o nome; pessoas que o atravessam quase a nado, de regresso ao lar após o labor, e eu de carro salto com este, de um lanço, sem medir o medo estampado no meu rosto, uma parte que me afundaria, apoiando-me, ao de leve, num pedaço de madeira que flutua perdida, e me deixa aterrar em margem segura.
domingo, novembro 12, 2006
Aprendi há poucos dias atrás, uma expressão curiosa:
"Friends with benefits".
Não me admirei tanto pelo facto de desconhecer tal dizer e já me abeirar dos quarenta; mas sim por saber que de facto existem tais pessoas com esse modo de vida. Será esta uma versão remodelada, ou moderna, da mais velha profissão do mundo?
sexta-feira, novembro 10, 2006
terça-feira, novembro 07, 2006
Carrossel
O meu record matinal da sexta-feira passada: De olhos esbugalhados salto de um sonho para fora e fixo os bugalhos no mostrador do relógio, 8:20.
8:20!?!?
Os miúdos perderam o autocarro!
A escola começa daqui a 10 minutos!!
Hoje tenho que trabalhar fora da cidade!!!
lanches... lanches... lanches... lanches... vestir, vestir, vestir, vestir...
(o que se seguiu foi puro ilusionismo de coração a latejar entre as amígdalas)
Creio que pareci calma ao entrarmos pela porta da escola às 9h, e já mais assentada me senti quando consegui chegar a tempo ao trabalho ás 9:30 para seguir viagem dali a uma hora.
E no meio deste panorama todo, vejo a tua razão. Quando há séculos me dizias que viriam os dedos apontadores.
E que acima de todos esses dedos, veria o tal dedo a sobressair.
E vejo.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Pintura
Abri um livro - The New Book of Knowledge, um daqueles que ainda pertencem à era pré-virtual -, à procura do Beijo. Sim, ainda o busco.
Infelizmente, o conhecimento sobre tal - o beijo - é algo que, ou não lhes interessa absolutamente, ou desconhecem a existência de tal. Ainda.
Mas felizmente, fiquei a conhecer este pintor.
Lembrei-me logo dos desenhos da Jessica - um dia destes mostro-os aqui.
Origens
Eu sei que tenho uma forte pancada por origens; desde a mais nobre à mais simples. Talvez porque seja algo que, à priori, é impossivel de termos absoluta certeza de.
A evolução dessas mesmas origens, e o conhecimento que parecemos ter a seu respeito, parece ser de muito mais fácil manejo do que o conhecimento do tal momento do parto. Nada possuimos senão uma sequência infinita de momentos causais.
Hoje virei-me para Ó pá!.
Quem teria dito isto pela primeira vez?
Devia andar tal pessoa com um galhardete na lapela: Inventorfónico, para que todos pudessemos prestar-lhe a devida homenagem. Pedir-lhe até um autógrafo na língua.
Inventor de uma das palavras mais usadas nos diálogos (e monólogos!*) portugueses.
* - Sei muito bem do que falo.
segunda-feira, outubro 30, 2006
Split-second conversation
I don't want anybody to touch this!
... and that includes YOU: Miss Jessicanila! I know, I'm not dumb... No, you're not. Too smart, actually. Want to join my band? What's that? You don't know what a band is? Yes. It's a group of people that come together to make music, play and sing. So... I repeat: wanna join my band? What is it called? "Unknown". I don't know. What do you mean: You don't know whether or not you want to join, or you don't know the band?
... I want to join the band.
Espaço de tempo que mediou cada passagem de bola: nanosegundos.
sexta-feira, outubro 27, 2006
quinta-feira, outubro 26, 2006
Vamos pesquisar?
A origem do:
- Beijo.
Sim. Pode ser mesmo um desafio para quem o queira empreender, e assim que tivermos alguma massa com que trabalhar, lá a meteremos ao barulho.
Será um comportamento inato ou adquirido?
E sendo-o este último, quais as causas que nos levaram a agir desse modo?
Vamos lá arregaçar as mangas e, muito cuidadosamente, retirar a película que envolve os beijos que damos, para descobrirmos o porquê deles serem.
quarta-feira, outubro 25, 2006
Dualidades
Já o conheço há quase quarenta anos e desde sempre lhe vislumbro o balão de diálogo invadido por essa palavra, entremeada a cada dois segundos por outras tidas como normais. Foi vizinho(*) dos meus pais, o dum suposto rés-do-chão, é-o agora só da minha mãe. Destinos de quem parte cedo.
Aquele modo de a pronunciar, prolongando a segunda sílaba, ou melhor, o segundo 'á', embeleza-lhe a conversa, obriga-nos a um sorriso desenfreado mesmo que não se compreenda metade do que nos tenta dizer. Acho-o castiço, próprio do ser daquelas redondezas; tal como uma certa casta pertence a uma determinada região, assim se encaixa ele na palavra e por seu lado na terra, ou o contrário, isso é secundário. Só este detalhe já mostra o quão genuíno é o conjunto.
Na mesma onda, mas para contrariar a corrente--a minha corrente--tenho dado de cara com inúmeros indivíduos--curiosamente só me consigo lembrar que sejam do sexo feminino--que optaram por importar tal esquema lusófono nas suas conversações. O resultado é todavia sem piada, insosso, desprovido de carácter robusto, uma encosta para esquiar de inclinação 1%. Enfim, um dilúvio de pregos numa festa de balões.
Onde já se viu pensar que a anglofonia like algum dia superaria a lusa caralho que ainda hoje sai a rodos da boca do senhor Abílio.
Nunca!
* - Convém talvez mencionar que se trata de um homem nortenho. Do meu Norte.
sexta-feira, outubro 20, 2006
terça-feira, outubro 17, 2006
Trajectos
O ar que se respira, dentro
As caras que se cruzam, doentias
Mascam, mascam, mascam
os segundos à vida
Mascaram essa vida com sabores simulados
em laboratório de química
Exalam o fedor de dias vazios
cobertores de mofo agasalham-lhes
os Invernos sucessivos
São só Invernos.
segunda-feira, outubro 16, 2006
Frases
Há certas frases que me povoam o limiar do sono; aquela fina linha que só damos por atravessada quando já estamos no fim dela. Nunca sei o que significam e poucas vezes as registo. Desta vez fica aqui.
Ele alimentava um sonho: O de que possuía o segredo de viver.
Morreu esfomeado.
quarta-feira, outubro 11, 2006
terça-feira, outubro 10, 2006
quarta-feira, outubro 04, 2006
segunda-feira, outubro 02, 2006
Luz, que se faça
sexta-feira, setembro 29, 2006
...
E vêm estas criaturas ao mundo para padecerem e expiarem as culpas dos pais?
Fotos de James Nachtwey.
Obrigada D.
quinta-feira, setembro 28, 2006
Sinais dos Tempos
terça-feira, setembro 19, 2006
Retrato do dia
O sorriso não faz parte do teu vocabulário. Os pesos que carregas em cada ponta dos lábios proferem-te essa arrogância permanente no olhar. Quanto cansaço, quanta opressão...
Calca e recalca-te a emoção nesse coração onde o eco parece dizer preeeeenche-meeee.
O amor. Lembras-te ainda como se faz? Como se consegue ser TÃO feliz ao se esvaziar completamente nesse dar amor. Saberás isso?
Tem sido má a vida para contigo, ou terás sido tu má para com ela?
quarta-feira, setembro 13, 2006
...
Um Re: de referência vazia no e-mail que agora mesmo li, vindo de quem veio, era um mau prenúncio. Foi sim.
E estou aqui perante este ecrã sem saber o que dizer, o que te poderei vir a dizer, para te consolar nessa dor.
Qual consolo, qual merda! Não acredito que haja palavra alguma que te, vos, consiga apaziguar a alma. Não há! Rolam-se-me as lágrimas, mas de pouco servem, só mesmo para anestesiar temporariamente a dor.
Tanta luta em vão, criatura mais linda, e sempre - assim mo disseram porque nunca tivemos o tempo de nossa feição para que nos conhecessemos pessoalmente - sempre guerreira de sorriso iluminado e obstinação ferrenha de viver.
Pouco mais velha seria do que a Verónica.
E pouco sentido farei hoje nestas linhas.
Desculpa-me, Carlos por nem sequer estar presente. Só num abraço vos poderia mostrar o quanto eu daria para que estas recordações não fizessem parte do vosso baú.
Re:
"this world was never meant for someone as beautiful as you..."
A Regina partiu no passado dia 6 de Setembro.
Vasco
segunda-feira, setembro 11, 2006
Miúdos 2
Senti-lhe o transtorno no olhar, mesmo antes de o ver, no pulo que deu ao sair da cama e nos seus passos apressados pelo corredor. Foi atrás, não viu quem buscava, correu em direcção à cozinha, o ponto de encontro de quase todas as manhãs. Ali estacou, na soleira da porta que nunca ali existiu enquanto aqui vivemos, e, no segundo seguinte ao que me pareceu mais longo, sinto-lhes as mãos a apertarem forte o meu torso, a cabecita encostada às minhas costas.
Desligo a torneira, viro-me para ele e pergunto-lhe Tiveste um sonho mau, foi?... No, just a sad dream....
Tive dificuldade em me baixar tal era a sua relutância em me largar dos seus braços, e sentar-me no chão com ele ao meu colo.
Que foi que se passou no sonho, Daniel?, perguntei-lhe mais vezes do que as que queria, mas a resposta foi sempre a mesma: um silêncio assustado de quem com ele, o silêncio, deseja afastar certas lembranças.
Fiquei doente?, Morri?, Chorei? Ri?... abanou que não, nada disto acontecera.
Com a ajuda duma das minhas "escudeiras", vim a saber do caso.
Mas isso é lindo, Daniel! Não precisavas ter ficado tão triste. It's not, mã. It was sad. Because in the end - como num filme, o fim - you waved good-bye and swam away.
No filme dele eu tinha-me transformado numa sereia.
domingo, setembro 10, 2006
terça-feira, setembro 05, 2006
Miúdos
sexta-feira, setembro 01, 2006
Lentes XXVI
quarta-feira, agosto 30, 2006
terça-feira, agosto 29, 2006
Ilusão
Não resisti a publicar este comentário do Prefácio.
Só porque me tocou.
Os melros voam para longe.
Que, aqui, do mar só se sente a brisa logo pela manhãzinha que é quando as crianças ainda dormem no seu sono mais descansado.Um dia, talvez por avistar uma folha a virar no passeio julgam que vislumbram o vento. Talvez, por aí, um dia nasça o infinito.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Pescas
É bem verdade que isto de se ter um contador que nos mostre - até certo ponto - a proveniência das pessoas que nos lêem, tanto nos traz algumas vantagens como é uma verdadeira fonte de júbilo.
Era para vos mostrar alguns snaps que tirei ao montante de gente que cá veio através da simples palavra "sexo" - sim, eu realmente fiz de propósito ao intitular desse modo aquele post -, mas hoje, ao ver uma certa entrada, desisti da ideia inicial, porque esta sim, ofereceu-me uns momentos de excepcional prazer.
Tenho adiado a partilha deste blog com amizades anglófonas por uma boa razão. Esta. A partir do dia em que me lessem aqui, é que me passavam definitivamente o atestado de "weirdness". :-)
Que não me leve a mal a pessoa que cá veio, gostaria que voltasse sempre; se bem que depois daquela leitura, duvido bastante que regresse. :-)
(O url na íntegra)
sexta-feira, agosto 25, 2006
De forquilha em descanso
Apetece-me dar um berro que atire com esta gente toda ao chão...! Ela olha a outra por cima dos óculos, esta tipa passou-se, enquanto lhe diz, vai lá para fora e berra. A outra abana a cabeça que não, Mas não é a mesma coisa, não entendes? Aqui dentro é que teria o efeito esperado. Não há compreensão nenhuma; duas escalas musicais em completo desalinho. A outra amua, desliza até ao fundo do balcão e enfia o nariz em cima da prateleira. A dos vinhos. Quando os olhos se encaixam no rótulo, Oh bendito enólogo!, onde quer que esteja, José Neiva, saiba que lhe estou grata pelas pedras do monte.
Lentes XXIV
Esta não devia ser publicada, eu sei. Eu sei que devia ter escrúpulos bloguísticos semelhantes, mas assim estava destinada; quando o vi ali erecto no meio do areal, não resisti, clic. Sendo assim, olha, vai de braço dado com esta, uma virada para norte e outra para sul, vão dando vivas ao facto de não terem existido sinais destes por altura dos descobrimentos.
Areia Branca, Junho 2006
Desilusão
Foi uma sensação muito semelhante àquela que se tem aquando ao primeiro encontro, aqueles segundos que se antecedem ao virar da esquina, a antecipação escala ao topo do esófago, é já ali, 'tou quase lá, só mais um segundo e... o banco vazio! Tudo esmorece. A paisagem fica baça e descolorida, murcham até os candeeiros de rua. No meu caso em particular ficou mesmo em branco. Por oito vezes consecutivas fiquei com a espinha atravessada na garganta.
Agora faço o quê, a uns cinco mil e tal quilómetros de distância? Onde vou arranjar aquelas dezasseis páginas que me faltam na 13ª edição do romance?
Ai Caminho que me deste descaminho a tal obra.
Apontamento futuro: Há que folhear ao comprar.
terça-feira, agosto 22, 2006
Lentes XXIII
Rabiscado a lápis - já a perder os contornos - num caderno de argolas, folhas que pendem por fiapos de papel :
Ao admirar esta vastidão de água, tenho a sensação de que a vida me passa ao lado. Imobilizada no tempo, deixo que a água grave em mim sensações que não pertencem a tempo algum.
Julho, 2004
Nota posterior:
Pôr do sol visto da falésia entre Areia Branca e Paimogo. Atlântico, portanto.
Dois tempos fundidos num só, daí a desordem das ideias. O escrito foi-o quando os olhos viam, não estas águas mas outras, no entanto eram para elas o pensamento.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Lentes XXII
Nota posterior:
Óbidos. As letras entretecidas A e M, que por casualidade são as minhas duas primeiras iniciais - e certamente de mais de sessenta por cento da população portuguesa.






























