sexta-feira, outubro 27, 2006

Lentes XXXII




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Peniche, 2006


quinta-feira, outubro 26, 2006

Vamos pesquisar?




A origem do:

- Beijo.


Sim. Pode ser mesmo um desafio para quem o queira empreender, e assim que tivermos alguma massa com que trabalhar, lá a meteremos ao barulho.

Será um comportamento inato ou adquirido?
E sendo-o este último, quais as causas que nos levaram a agir desse modo?

Vamos lá arregaçar as mangas e, muito cuidadosamente, retirar a película que envolve os beijos que damos, para descobrirmos o porquê deles serem.




quarta-feira, outubro 25, 2006

Dualidades




Já o conheço há quase quarenta anos e desde sempre lhe vislumbro o balão de diálogo invadido por essa palavra, entremeada a cada dois segundos por outras tidas como normais. Foi vizinho(*) dos meus pais, o dum suposto rés-do-chão, é-o agora só da minha mãe. Destinos de quem parte cedo.
Aquele modo de a pronunciar, prolongando a segunda sílaba, ou melhor, o segundo 'á', embeleza-lhe a conversa, obriga-nos a um sorriso desenfreado mesmo que não se compreenda metade do que nos tenta dizer. Acho-o castiço, próprio do ser daquelas redondezas; tal como uma certa casta pertence a uma determinada região, assim se encaixa ele na palavra e por seu lado na terra, ou o contrário, isso é secundário. Só este detalhe já mostra o quão genuíno é o conjunto.

Na mesma onda, mas para contrariar a corrente--a minha corrente--tenho dado de cara com inúmeros indivíduos--curiosamente só me consigo lembrar que sejam do sexo feminino--que optaram por importar tal esquema lusófono nas suas conversações. O resultado é todavia sem piada, insosso, desprovido de carácter robusto, uma encosta para esquiar de inclinação 1%. Enfim, um dilúvio de pregos numa festa de balões.
Onde já se viu pensar que a anglofonia like algum dia superaria a lusa caralho que ainda hoje sai a rodos da boca do senhor Abílio.



Nunca!


* - Convém talvez mencionar que se trata de um homem nortenho. Do meu Norte.


sexta-feira, outubro 20, 2006




Saudade é:

Cortar em Outubro um limão amadurecido ao sol de Julho, prová-lo, e sentir-lhe no sumo e no cheiro o sabor dos figos de Junho.







Mudam-se os tempos, mudam-se os termos, mas nem sempre as vontades.
Chilling, nada mais é do que: Estar na sorna, ou Ver a banda passar, para leigos como eu.




terça-feira, outubro 17, 2006

Trajectos




O ar que se respira, dentro
As caras que se cruzam, doentias
Mascam, mascam, mascam
os segundos à vida


Mascaram essa vida com sabores simulados
em laboratório de química
Exalam o fedor de dias vazios
cobertores de mofo agasalham-lhes
os Invernos sucessivos


São só Invernos.




segunda-feira, outubro 16, 2006

Frases




Há certas frases que me povoam o limiar do sono; aquela fina linha que só damos por atravessada quando já estamos no fim dela. Nunca sei o que significam e poucas vezes as registo. Desta vez fica aqui.

Ele alimentava um sonho: O de que possuía o segredo de viver.
Morreu esfomeado.


quarta-feira, outubro 11, 2006

Lentes XXXI




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Rockcliffe Park



terça-feira, outubro 10, 2006

Lentes XXX





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Mer Bleue, a cintura verde do Este.



Simbologia




Ou a inquietação de mente sequiosa às 23:22 numa noite morna de outono. Com declínio? Talvez.


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quarta-feira, outubro 04, 2006

Lentes XXIX




Constrois-me a máquina do tempo?

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Paimogo, 2006



segunda-feira, outubro 02, 2006

Luz, que se faça




Para quando as palavras são parcas, inábeis, e a presença é de todo impossível de se fazer sentir no toque.
Há luzes que se querem subtilmente reconhecidas, luzes que sofrem entre a penumbra e a completa ofuscação, luzes-saca-rolhas de dor.
Perante tal, nada mais sei senão sentir.

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Ericeira, 2006


Lentes XXVIII




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Say and do.

:-)


sexta-feira, setembro 29, 2006

...




E vêm estas criaturas ao mundo para padecerem e expiarem as culpas dos pais?

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Fotos de James Nachtwey.


Obrigada D.




quinta-feira, setembro 28, 2006

Sinais dos Tempos




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As prerrogativas
do silêncio inexistente
relectidas nos corpos-sombra,
nos corpos ocos,
nos corpos que se dilatam
na escuridão que pé ante pé avança
sobre as vozes desses corpos em burburinho


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[Yellow tape all over]


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terça-feira, setembro 19, 2006

Retrato do dia




O sorriso não faz parte do teu vocabulário. Os pesos que carregas em cada ponta dos lábios proferem-te essa arrogância permanente no olhar. Quanto cansaço, quanta opressão...
Calca e recalca-te a emoção nesse coração onde o eco parece dizer preeeeenche-meeee.
O amor. Lembras-te ainda como se faz? Como se consegue ser TÃO feliz ao se esvaziar completamente nesse dar amor. Saberás isso?
Tem sido má a vida para contigo, ou terás sido tu má para com ela?




quarta-feira, setembro 13, 2006

...




Um Re: de referência vazia no e-mail que agora mesmo li, vindo de quem veio, era um mau prenúncio. Foi sim.
E estou aqui perante este ecrã sem saber o que dizer, o que te poderei vir a dizer, para te consolar nessa dor.
Qual consolo, qual merda! Não acredito que haja palavra alguma que te, vos, consiga apaziguar a alma. Não há! Rolam-se-me as lágrimas, mas de pouco servem, só mesmo para anestesiar temporariamente a dor.

Tanta luta em vão, criatura mais linda, e sempre - assim mo disseram porque nunca tivemos o tempo de nossa feição para que nos conhecessemos pessoalmente - sempre guerreira de sorriso iluminado e obstinação ferrenha de viver.
Pouco mais velha seria do que a Verónica.
E pouco sentido farei hoje nestas linhas.
Desculpa-me, Carlos por nem sequer estar presente. Só num abraço vos poderia mostrar o quanto eu daria para que estas recordações não fizessem parte do vosso baú.

Re:

"this world was never meant for someone as beautiful as you..."

A Regina partiu no passado dia 6 de Setembro.

Vasco




segunda-feira, setembro 11, 2006

Miúdos 2




Senti-lhe o transtorno no olhar, mesmo antes de o ver, no pulo que deu ao sair da cama e nos seus passos apressados pelo corredor. Foi atrás, não viu quem buscava, correu em direcção à cozinha, o ponto de encontro de quase todas as manhãs. Ali estacou, na soleira da porta que nunca ali existiu enquanto aqui vivemos, e, no segundo seguinte ao que me pareceu mais longo, sinto-lhes as mãos a apertarem forte o meu torso, a cabecita encostada às minhas costas.
Desligo a torneira, viro-me para ele e pergunto-lhe Tiveste um sonho mau, foi?... No, just a sad dream....
Tive dificuldade em me baixar tal era a sua relutância em me largar dos seus braços, e sentar-me no chão com ele ao meu colo.
Que foi que se passou no sonho, Daniel?, perguntei-lhe mais vezes do que as que queria, mas a resposta foi sempre a mesma: um silêncio assustado de quem com ele, o silêncio, deseja afastar certas lembranças.
Fiquei doente?, Morri?, Chorei? Ri?... abanou que não, nada disto acontecera.
Com a ajuda duma das minhas "escudeiras", vim a saber do caso.
Mas isso é lindo, Daniel! Não precisavas ter ficado tão triste. It's not, mã. It was sad. Because in the end - como num filme, o fim - you waved good-bye and swam away.
No filme dele eu tinha-me transformado numa sereia.





domingo, setembro 10, 2006

Lentes XXVII




E se do céu da boca chovessem estrelas cadentes?

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Areia Branca, 2006




terça-feira, setembro 05, 2006

Miúdos




Algures no ano escolar 2005-06.
I think I heard some running footsteps.
David... You know we're not allowed to run in the hall...
Err, Mrs Oz, I wasn't running... , I was just jogging! (and a wicked smile to top it off)



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Areia Branca, 2006





sexta-feira, setembro 01, 2006

Lentes XXVI





Procurei sim, por ruelas e penhascos. Procurei pelos matraquilhos e o mais próximo que achei foi uma baleia reformada.

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Estacionada no topo, sentada ali mesmo, enchi os ouvidos e atestei o depósito visual do que tinha pela frente. As convergentes rochosas atiçaram-me os dedos dos pés.

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Baleal, 2006







Passa-se algo lá para os lados de Tróia? Alguma batalha de que eu não saiba?




quarta-feira, agosto 30, 2006

Lentes XXV




Abocanhado o queijo, passa-se ao fresco. Ou será fresco?

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Porto, Julho 2006



terça-feira, agosto 29, 2006

Ilusão




Não resisti a publicar este comentário do Prefácio.
Só porque me tocou.

Os melros voam para longe.

Que, aqui, do mar só se sente a brisa logo pela manhãzinha que é quando as crianças ainda dormem no seu sono mais descansado.Um dia, talvez por avistar uma folha a virar no passeio julgam que vislumbram o vento. Talvez, por aí, um dia nasça o infinito.




segunda-feira, agosto 28, 2006

Pescas




É bem verdade que isto de se ter um contador que nos mostre - até certo ponto - a proveniência das pessoas que nos lêem, tanto nos traz algumas vantagens como é uma verdadeira fonte de júbilo.
Era para vos mostrar alguns snaps que tirei ao montante de gente que cá veio através da simples palavra "sexo" - sim, eu realmente fiz de propósito ao intitular desse modo aquele post -, mas hoje, ao ver uma certa entrada, desisti da ideia inicial, porque esta sim, ofereceu-me uns momentos de excepcional prazer.
Tenho adiado a partilha deste blog com amizades anglófonas por uma boa razão. Esta. A partir do dia em que me lessem aqui, é que me passavam definitivamente o atestado de "weirdness". :-)

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Que não me leve a mal a pessoa que cá veio, gostaria que voltasse sempre; se bem que depois daquela leitura, duvido bastante que regresse. :-)

(O url na íntegra)





sexta-feira, agosto 25, 2006

De forquilha em descanso





Apetece-me dar um berro que atire com esta gente toda ao chão...! Ela olha a outra por cima dos óculos, esta tipa passou-se, enquanto lhe diz, vai lá para fora e berra. A outra abana a cabeça que não, Mas não é a mesma coisa, não entendes? Aqui dentro é que teria o efeito esperado. Não há compreensão nenhuma; duas escalas musicais em completo desalinho. A outra amua, desliza até ao fundo do balcão e enfia o nariz em cima da prateleira. A dos vinhos. Quando os olhos se encaixam no rótulo, Oh bendito enólogo!, onde quer que esteja, José Neiva, saiba que lhe estou grata pelas pedras do monte.



Lentes XXIV





Esta não devia ser publicada, eu sei. Eu sei que devia ter escrúpulos bloguísticos semelhantes, mas assim estava destinada; quando o vi ali erecto no meio do areal, não resisti, clic. Sendo assim, olha, vai de braço dado com esta, uma virada para norte e outra para sul, vão dando vivas ao facto de não terem existido sinais destes por altura dos descobrimentos.

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Areia Branca, Junho 2006


Desilusão




Foi uma sensação muito semelhante àquela que se tem aquando ao primeiro encontro, aqueles segundos que se antecedem ao virar da esquina, a antecipação escala ao topo do esófago, é já ali, 'tou quase lá, só mais um segundo e... o banco vazio! Tudo esmorece. A paisagem fica baça e descolorida, murcham até os candeeiros de rua. No meu caso em particular ficou mesmo em branco. Por oito vezes consecutivas fiquei com a espinha atravessada na garganta.
Agora faço o quê, a uns cinco mil e tal quilómetros de distância? Onde vou arranjar aquelas dezasseis páginas que me faltam na 13ª edição do romance?
Ai Caminho que me deste descaminho a tal obra.
Apontamento futuro: Há que folhear ao comprar.



terça-feira, agosto 22, 2006

Lentes XXIII




Rabiscado a lápis - já a perder os contornos - num caderno de argolas, folhas que pendem por fiapos de papel :


Ao admirar esta vastidão de água, tenho a sensação de que a vida me passa ao lado. Imobilizada no tempo, deixo que a água grave em mim sensações que não pertencem a tempo algum.

Julho, 2004

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Julho, 2006




Nota posterior:

Pôr do sol visto da falésia entre Areia Branca e Paimogo. Atlântico, portanto.
Dois tempos fundidos num só, daí a desordem das ideias. O escrito foi-o quando os olhos viam, não estas águas mas outras, no entanto eram para elas o pensamento.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Lentes XXII



Adivinham onde?

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23 Junho 2006



Nota posterior:

Óbidos. As letras entretecidas A e M, que por casualidade são as minhas duas primeiras iniciais - e certamente de mais de sessenta por cento da população portuguesa.

sábado, agosto 19, 2006

Lentes XXI




Macdonald-Cartier. Homenagem a dois ministros, possivelmente primeiros, do seu tempo, da ponte e deles, ministros. A ponte que celebra a vivência de duas culturas num mesmo solo.

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Agosto 2006

sexta-feira, agosto 18, 2006

Sexo




Desceu as escadas aos solavancos, tropeçou na soleira da porta, e só com 3 passadas mal dadas se conseguiu equilibrar de novo, levando consigo como despedida, dois ligeiros sorrisos dinamarqueses e, no topo das escadas, um eu erecto com estandarte nenhum. Julguei que seria essa a minha última imagem dele, levava fogo no rabo, só pararia em chegando a Marte, estava apostada nisso. Mas não. Voltaria a cruzar o olhar com a figura dele, só na figura e não no olhar. Coisas do acaso que a nós nunca nos pedem licença para acontecerem. Fiquei feliz por isso e por ver que depressa se restabeleceu da queda.
Outro continente, outra idade, mas, estou muito segura, um comportamento bastante idêntico ao de agora. O meu.

You're weird, disseram-mo há dias.
You're funny, disseram-me pelo episódio das escadas, what do you mean: funny-haha or funny-weird?, ...funny-weird!, e ondulou de novo na dança.

Dou, portanto aqui, a mão à palmatória. Afinal o mergulhador tinha razão!
E entre os vinte e dois anos que permeiam os dois weirds ditos, muitos houveram que o foram transmitidos por olhar somente. Cá chegaram, obrigada, com atestado genuíno.
Quando uma mulher não trás foda acrescida, quer nos intuitos, quer nas frases que antecedem os seus movimentos, corporais e ademais, é vista e tida - mas sem nunca o ter sido -como weird. Uma dúvida porém, paira empastosamente sobre mim. Será que isto sucede em todas as cabeças masculinas ou só nas anglófonas?




quinta-feira, agosto 17, 2006

Lentes XX




"... é como viver no meio de um lago sem nunca poder molhar os pés."
- Mécia de Sena


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Villa Euracini
, 14 Junho 2006

Não que o tenha sido. Não foi nem será nunca.
Nunca aí irei regressar porque nunca daí a minha alma saiu.




Lentes IXX




Ainda não sabe quem foi a Amália, nem tive tempo de o apresentar a um espanhol, mas com estes deu-se às mil maravilhas.
À falta de pão...

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S. Pedro de Bairro
16 Junho 2006




terça-feira, agosto 15, 2006

Nexo




Só me apercebi do que aquela voz apressada relatava nas notícias das 14h, quando a palavra-chave foi pronunciada: blackout. Tal é a pressa com que as coisas são descritas que só atingo a proporção da notícia com este pequeno truque de palavras.
E foi essa, blackout, que despertou em mim uma vaga de reconhecimentos.
O famoso apagão que por aqui deixou praticamente meio mundo ás apalpadelas já fez três anos no dia 14 de Agosto. Imagine-se tal.
Partia no dia seguinte para uns dias de 'repouso' à borda do Erie: dormir debaixo de árvores, ouvir os grilos a acordarem-me pela manhã, cumprimentar boa-noite a skunks floridos à saída da tenda, sentir rebentar a mais linda trovoada ao alcance de um polegar e extasiar-me com a chuva de estrelas cadentes.
Não teria interruptores para ligar.
Na altura não lhe vi a particularidade da ironia; hoje sim, após o pó assentar na conjuntura daquele tempo é que me apercebo do que aquele apagão iria simbolizar na minha vida. Os traços que se foram materializando aqui e ali - Esboços, o Azulejo, o primogénito Sem Título -, traços estes que se começaram a gerar por aquela altura. A bem dizer, de apagão pouco ou nada teve - ou tem -, porque os olhos, uma vez adaptados à escuridão, obtêm desse estado inicial e aparentemente caótico, uma visão do essencial bem mais detalhada. A preto e branco. Seja.
Nunca os céus estrelados puderam ser tão justamente apreciados por milhões de citadinos como nessa noite.
Nunca a minha vida teve um bréu tão estrelado como a partir dessa data.
If only, a alavanca do conhecimento fosse assim tão fácil de encadear.



Saídas pequenas




- Mããã... I'm hungry!!
- O jantar 'tá quase pronto...
- But I want to eat something right now!!
- How about eating your words?! - dito de sobrancelha esquerda elevada e um sorriso irónico nos lábios, - isto, tendo em mente que estava a tentar terminar de esfregar a cozinha, cozinhar, lavar a roupa, impedir que lhe assaltassem a cozinha, desinfestar o quarto-de-banho: tudo ao mesmo tempo.
- But then... I wouldn't be able to speak...



11 Agosto 2006



domingo, agosto 13, 2006

Lentes XVIII




PubMental
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21 Julho 2006

Da boa.


sexta-feira, agosto 11, 2006

Ainda a Regaleira




"Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, e nunca vi nada, nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor - e, lá no alto, está o castelo do santo Graal."

Richard Strauss



E o poço, esse, subi-o.
Reguemos a leira.

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O passeio das rosas




No número 5, da Rua Barbosa du Bocage, deixei estampada a minha emoção debaixo do tronco-raíz daquela que não desistiu.

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Nos detalhes, e por eles.

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Estação infrutífera ou colheita milenar?

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A fugida ao crepúsculo, sob mantos negros que (me) escondem o rosto.

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26 Junho 2006


terça-feira, agosto 08, 2006

Como é que eu faço



Para pertencer a uma determinada sociedade secreta.
Alguém sabe?



quinta-feira, agosto 03, 2006

Lentes XVII



Satisfazendo promessas e desejos.

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sexta-feira, julho 28, 2006

Poluição?!... Onde?




Nas praias, então não?!

Já deve cheirar mal haver tanta gente a falar deste assunto e pouco ou nenhum resultado positivo visível. Para me juntar ao tal rol de gente, lembrei-me de deixar aqui registado algo que vi praticamente todos os dias e me deixou abalada. Regressei logo mentalmente anos atrás, quando frequentei uma das escolas nesta área e fizemos um trabalho precisamente sobre a poluição no Rio Ave. Já se passaram 22 anos desde essa altura, e desde então foram construídas infraestruturas ao longo do curso do rio para que os resíduos fabris fossem para lá canalizados, indo, desse modo, reduzir em grande parte a poluição que se vê e se cheira.
Eles estão lá, os tais canos. Mas serão utilizados?
E quem fiscaliza se se usam ou não?
Só por curiosidade, lembro-me de passar sobre a ponte de Caniços e a cada dia que o fiz, a tonalidade do rio variar entre o castanho, o vermelho, o azul, o preto e sabe-se lá que mais variantes.

Querem saber então o que polui as praias?
Analisam os peixes mortos, não é isso?
E se subissem o curso do rio, não aprenderiam mais com isso?

Boa viagem.


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S. Pedro de Bairro - 20 Julho 2006, 12:00


Que brotes o melhor que há em ti




A intenção era mesmo poder alegrar-te o dia com um som do tal grupo que tanto gostas; mas na impossibilidade de o encontrar, optei por estas flores que lá no alto no monte de N. Sra. da Assunção parecem querer soltar-se ao vento.

Mais um grande abraço daqui te envio, com muito carinho mesmo.
Parabéns, miúda! :-)


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Santo Tirso - 4 Julho 2006

(acho que perdi o jeito de aparecer por aqui...)





Ainda me situo no túnel que separa duas enormes cavidades repletas de luz, sem saber para qual delas me dirigir.
O tempo voou sem ser necessariamente lesto. Soube-me a pouco, muito pouco.
Este local que vos mostro tocou-me bem cá dentro e serve muito bem como reabertura pós-férias.
Senti-me como uma Thelma ou Louise com asas delta, e ainda agora, ao fechar os olhos, é lá que me encontro onde o vento nos avisa e acautela.

:-)

Olá a todos.


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Cabo Espichel - 29 Junho 2006


quarta-feira, junho 28, 2006



"Estou enterrada em mil recados na Areia Branca."

- Ou seriam segredos?

- Ou estaria eu a confundir-me com os grãos de areia?

É sempre dúbia a nossa existência num sonho.


21 Junho 2006




quinta-feira, junho 01, 2006

Da gaveta




A chuva realça o perfume das flores, assim como as lágrimas salienta o dos sentimentos.



Nada de mais.
Choveu.



sábado, maio 27, 2006

"Nada se perde, nada se cria...




... tudo se transforma" - Lavoisier ou Lucrécio. Um deles.
Ou então como se tem por hábito dizer, "One man's trash is another man's treasure".
É um ritual anual bastante aguardado pela população, a tão famosa garage-sale. De há uns tempos para cá, com outras variantes:

- yard-sale;
- sidewalk-sale;
- garbage-sale (...perdão, fugiu-me a consoante)

Assim que a neve acaba de desaparecer e os primeiros rebentos verdes despontam pela cidade, começa o frenesim de vasculhar a casa de cima a baixo, sem esquecer a casinha no quintal--shed?-- que é onde geralmente se acumula tudo o que já não cabe em mais lado nenhum, já não se usa, mas não se tem estômago para dar, e por estas razões, vende-se. Por uns míseros cêntimos.
Fora o lado negativo, o de criar dores de cabeça a quem se decide meter a esta tarefa, ao etiquetar todos os artigos a tão baixo preço, o de acordar bem cedinho para apanhar a minhoca mais gorda--e acordar outros que ainda dormem e costumam escrever num certo sítio chamado Inflexão--, tem, no entanto, a vantagem de que é em dias destes saldos que os vizinhos confraternizam por mais tempo dos que os habituais minúsculos minutos.


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Os livros na foto abaixo?
Foi a minha contribuição para reduzir a poluição no planeta.


quinta-feira, maio 25, 2006

quarta-feira, maio 10, 2006

Um até já



Ando a precisar de um descanso destas lides.
É um afastamento, mas não permanente - tenho sobre mim uma sentença que não me deixa abandonar o barco.
Sinto que preciso recolher-me por um certo tempo. Um mês, dois minutos ou 3 vidas.

Para aqueles olhos recorrentes, deixo este pequeno recado com a vontade expressa de que o meu ânimo de cá voltar regresse rápido. Tornou-se para mim quase um imperativo vir aqui escrever e descrever-me através do que publico, mas vejo que está na hora de uma certa introspecção.
Não quero esquecer de vos fazer notar que aprecio a vossa persistência em cá voltar :-), sempre.

A gente vê-se por aí.
E provavelmente um ver de "ver" mesmo. Se por acaso se cruzarem com uma "galinhola" a comandar uma prole de miúdos abismados com o velho mundo, essa deverei ser eu.
Vou-me aos figos e às ameixas. Vou-me ao recordar caminhos de terra batidos pelo sol e muros de pedra a ladeá-los.

Até um dia destes.





domingo, maio 07, 2006

5:30



Há dias em que o desejo de ver o dia não ter a quebra nocturna, afoga o sono que há em mim. E assim se contemplam verdadeiros tesouros. Como as bochechas delas coloridas pelo frescor da manhã e as "rodas" feitas sobre a relva ainda húmida.

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terça-feira, maio 02, 2006

Lentes XVI



Extrair o que há de mais belo no que já é minimal na sua essência.
É usar os sons que saiem das cordas de uma guitarra como peneira que filtra o absoluto.


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quinta-feira, abril 27, 2006

Lentes XV



São frágeis certas pontes que nos sustentam o peso da travessia pelos emaranhados da vida.
E brutalmente belas.

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terça-feira, abril 25, 2006

(in)adaptações ao meio



Voltou a acontecer. Página 3 do diário que leio esta manhã.
Mais uma dessas facadas vindas do absurdo e que aterram no lugar menos esperado. Desta vez foi numa localidade na província de Alberta - Medicine Hat -, local tranquilo, como já vem sendo habitual quando a morte assim (n)os toca. O foco, de igual modo inesperado; uma jovem família brutalmente assassinada, pais e filho de 8. Motivo desconhecido.
Segundo o jornal, os autores do crime foram presos "sem algum incidente": uma jovem de 12 anos e um de 23.
O que me choca, para além das condições do sucedido, é ver o prazer, quase mórbido, dos media em tentar arranjar sempre um scape·goat para este tipo de acontecimento.
Já o foram os "pretos", em inúmeras ocasiões. Cada vez menos ultimamente porque à xenofobia, convem-lhe encontrar matéria nova onde vomitar e consequentemente se alimentar; desviar o seu centro de atenções para que continue a ter seguidores, como agora e em particular neste caso: os góticos, os que têm blogs depressivos, os que gostam de ouvir música death metal, hardcore e punk.
Eu insero-me em quase todas as categorias acima descritas. Isso faz de mim uma assassina em potência? Não. E por esse desenrolar de pensamento, fará com que eu seja um modelo "exemplar" nesta sociedade em que vivo? Também não.
Porque eu sei que eu também posso vir a matar. Porque sou um animal predador.
Longe vão os tempos das cavernas. Já não necessitamos de lutar, nem de matar para sobreviver ou nos protegermos - e talvez seja este o cerne da questão -, mas a informação continua marcada em nós. esquecemo-nos disso de uma forma permanente. Encontro que esta passividade dos tempos que correm, é que vem dar à luz a estas deviações que acontecem e que parecem vir do nada. São explicáveis, sim. Só que a verdadeira razão de existirem é que não convém que saia à luz do dia e ao conhecimento em geral.


Fonte - The Ottawa Citizen


Adenda: Soube-se no dia seguinte que a jovem, após tal acto, ficou orfã de pai e mãe.

sábado, abril 22, 2006

Lentes XIV



DivagaSons.
O rabear da erva sob as costas seminuas irrequieta-te o pensar, e na dobradiça do braço esquerdo onde encaixa a minha cabeça, sussurraste-me "mã... is it true that ants eat our feet?"

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(David)

quinta-feira, abril 20, 2006

Bemmmm...



(eh eh eh)

(retirado o grego daqui)



Estes sim, eu consigo "ouvir".

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domingo, abril 09, 2006

Canadianos II



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Jessica - Why do people write on the walls?

quinta-feira, abril 06, 2006

Achado cibernético




A internet e as vantagens de se pescar o impensável, trouxeram-me há pouco tempo:
A minha segunda escola.

Desde 1976, ano em que lá dei os meus primeiros passos a medo - um mundo que se alargou do dia para a noite, onde os véus negros foram substituídos por vestes comuns - até 1984, ano em que lhe disse adeus e o medo agora já era outro. Esse piso tornara-se o seguro e as lágrimas já eram então de saudade.
Os colegas de turma marcam, e as lembranças dessas amizades ficam sempre connosco a servir de apoio, mas os professores, de uma maneira especial, deixam sulcos para a vida.
Havia o Leite, de quem ainda hoje leio do meu caderno alguns aforismos expelidos em boa hora e em exclusivo:

"Pense com o pensamento dos seus avós e encontrará a razão do seu ser."
29 Nov. 83

"A gente confunde a bengala com o Barbosa".
29 Nov. 83

"O Rego dá História mas não se situa".

"O peido é sempre um facto construído".

Havia o Barbosa, amigo e matemático tanto no ser como no agir; "Oh Barbosa... 'tás nervosa?" a ouvir-se através da janela numa sala do rés-do-chão e a fuga rápida do comediante; assim como o Bessa dos poemas e colagem fotográfica por terras de África e claro, como poderia esquecer o trapalhão do Rego - o tal de História - e o seu "... e o rei... ASSASSINOU-SE!". Delírio total na sala perante tal chacina e um olhar espantado e ignaro do professor.
A Carrilho, o Mafalda, o Cunha, e tantos outros que nos fizeram as delícias de uma adolescência espremida a morno, sem as correrias de agora. As horas preenchiam-nos. Enquanto que neste presente preenche-se exageradamente as horas com supostas instruções.

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Não estou, nem reconheço ninguém na fotografia mas lembro-me perfeitamente daquela rampa e das sebes que a ladeavam. Alguém que aqui venha e se veja ali?
:-)

quarta-feira, março 29, 2006

Lentes XIII



E das profundezas serenas surge uma alma intranquila.
É só uma questão de olhar por outro prisma: não há contradição.

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Canadianos



A integridade do político-nacionalisticamente correcto.

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