sexta-feira, julho 28, 2006

(acho que perdi o jeito de aparecer por aqui...)





Ainda me situo no túnel que separa duas enormes cavidades repletas de luz, sem saber para qual delas me dirigir.
O tempo voou sem ser necessariamente lesto. Soube-me a pouco, muito pouco.
Este local que vos mostro tocou-me bem cá dentro e serve muito bem como reabertura pós-férias.
Senti-me como uma Thelma ou Louise com asas delta, e ainda agora, ao fechar os olhos, é lá que me encontro onde o vento nos avisa e acautela.

:-)

Olá a todos.


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Cabo Espichel - 29 Junho 2006


quarta-feira, junho 28, 2006



"Estou enterrada em mil recados na Areia Branca."

- Ou seriam segredos?

- Ou estaria eu a confundir-me com os grãos de areia?

É sempre dúbia a nossa existência num sonho.


21 Junho 2006




quinta-feira, junho 01, 2006

Da gaveta




A chuva realça o perfume das flores, assim como as lágrimas salienta o dos sentimentos.



Nada de mais.
Choveu.



sábado, maio 27, 2006

"Nada se perde, nada se cria...




... tudo se transforma" - Lavoisier ou Lucrécio. Um deles.
Ou então como se tem por hábito dizer, "One man's trash is another man's treasure".
É um ritual anual bastante aguardado pela população, a tão famosa garage-sale. De há uns tempos para cá, com outras variantes:

- yard-sale;
- sidewalk-sale;
- garbage-sale (...perdão, fugiu-me a consoante)

Assim que a neve acaba de desaparecer e os primeiros rebentos verdes despontam pela cidade, começa o frenesim de vasculhar a casa de cima a baixo, sem esquecer a casinha no quintal--shed?-- que é onde geralmente se acumula tudo o que já não cabe em mais lado nenhum, já não se usa, mas não se tem estômago para dar, e por estas razões, vende-se. Por uns míseros cêntimos.
Fora o lado negativo, o de criar dores de cabeça a quem se decide meter a esta tarefa, ao etiquetar todos os artigos a tão baixo preço, o de acordar bem cedinho para apanhar a minhoca mais gorda--e acordar outros que ainda dormem e costumam escrever num certo sítio chamado Inflexão--, tem, no entanto, a vantagem de que é em dias destes saldos que os vizinhos confraternizam por mais tempo dos que os habituais minúsculos minutos.


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Os livros na foto abaixo?
Foi a minha contribuição para reduzir a poluição no planeta.


quinta-feira, maio 25, 2006

quarta-feira, maio 10, 2006

Um até já



Ando a precisar de um descanso destas lides.
É um afastamento, mas não permanente - tenho sobre mim uma sentença que não me deixa abandonar o barco.
Sinto que preciso recolher-me por um certo tempo. Um mês, dois minutos ou 3 vidas.

Para aqueles olhos recorrentes, deixo este pequeno recado com a vontade expressa de que o meu ânimo de cá voltar regresse rápido. Tornou-se para mim quase um imperativo vir aqui escrever e descrever-me através do que publico, mas vejo que está na hora de uma certa introspecção.
Não quero esquecer de vos fazer notar que aprecio a vossa persistência em cá voltar :-), sempre.

A gente vê-se por aí.
E provavelmente um ver de "ver" mesmo. Se por acaso se cruzarem com uma "galinhola" a comandar uma prole de miúdos abismados com o velho mundo, essa deverei ser eu.
Vou-me aos figos e às ameixas. Vou-me ao recordar caminhos de terra batidos pelo sol e muros de pedra a ladeá-los.

Até um dia destes.





domingo, maio 07, 2006

5:30



Há dias em que o desejo de ver o dia não ter a quebra nocturna, afoga o sono que há em mim. E assim se contemplam verdadeiros tesouros. Como as bochechas delas coloridas pelo frescor da manhã e as "rodas" feitas sobre a relva ainda húmida.

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terça-feira, maio 02, 2006

Lentes XVI



Extrair o que há de mais belo no que já é minimal na sua essência.
É usar os sons que saiem das cordas de uma guitarra como peneira que filtra o absoluto.


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quinta-feira, abril 27, 2006

Lentes XV



São frágeis certas pontes que nos sustentam o peso da travessia pelos emaranhados da vida.
E brutalmente belas.

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terça-feira, abril 25, 2006

(in)adaptações ao meio



Voltou a acontecer. Página 3 do diário que leio esta manhã.
Mais uma dessas facadas vindas do absurdo e que aterram no lugar menos esperado. Desta vez foi numa localidade na província de Alberta - Medicine Hat -, local tranquilo, como já vem sendo habitual quando a morte assim (n)os toca. O foco, de igual modo inesperado; uma jovem família brutalmente assassinada, pais e filho de 8. Motivo desconhecido.
Segundo o jornal, os autores do crime foram presos "sem algum incidente": uma jovem de 12 anos e um de 23.
O que me choca, para além das condições do sucedido, é ver o prazer, quase mórbido, dos media em tentar arranjar sempre um scape·goat para este tipo de acontecimento.
Já o foram os "pretos", em inúmeras ocasiões. Cada vez menos ultimamente porque à xenofobia, convem-lhe encontrar matéria nova onde vomitar e consequentemente se alimentar; desviar o seu centro de atenções para que continue a ter seguidores, como agora e em particular neste caso: os góticos, os que têm blogs depressivos, os que gostam de ouvir música death metal, hardcore e punk.
Eu insero-me em quase todas as categorias acima descritas. Isso faz de mim uma assassina em potência? Não. E por esse desenrolar de pensamento, fará com que eu seja um modelo "exemplar" nesta sociedade em que vivo? Também não.
Porque eu sei que eu também posso vir a matar. Porque sou um animal predador.
Longe vão os tempos das cavernas. Já não necessitamos de lutar, nem de matar para sobreviver ou nos protegermos - e talvez seja este o cerne da questão -, mas a informação continua marcada em nós. esquecemo-nos disso de uma forma permanente. Encontro que esta passividade dos tempos que correm, é que vem dar à luz a estas deviações que acontecem e que parecem vir do nada. São explicáveis, sim. Só que a verdadeira razão de existirem é que não convém que saia à luz do dia e ao conhecimento em geral.


Fonte - The Ottawa Citizen


Adenda: Soube-se no dia seguinte que a jovem, após tal acto, ficou orfã de pai e mãe.

sábado, abril 22, 2006

Lentes XIV



DivagaSons.
O rabear da erva sob as costas seminuas irrequieta-te o pensar, e na dobradiça do braço esquerdo onde encaixa a minha cabeça, sussurraste-me "mã... is it true that ants eat our feet?"

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(David)

quinta-feira, abril 20, 2006

Bemmmm...



(eh eh eh)

(retirado o grego daqui)



Estes sim, eu consigo "ouvir".

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domingo, abril 09, 2006

Canadianos II



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Jessica - Why do people write on the walls?

quinta-feira, abril 06, 2006

Achado cibernético




A internet e as vantagens de se pescar o impensável, trouxeram-me há pouco tempo:
A minha segunda escola.

Desde 1976, ano em que lá dei os meus primeiros passos a medo - um mundo que se alargou do dia para a noite, onde os véus negros foram substituídos por vestes comuns - até 1984, ano em que lhe disse adeus e o medo agora já era outro. Esse piso tornara-se o seguro e as lágrimas já eram então de saudade.
Os colegas de turma marcam, e as lembranças dessas amizades ficam sempre connosco a servir de apoio, mas os professores, de uma maneira especial, deixam sulcos para a vida.
Havia o Leite, de quem ainda hoje leio do meu caderno alguns aforismos expelidos em boa hora e em exclusivo:

"Pense com o pensamento dos seus avós e encontrará a razão do seu ser."
29 Nov. 83

"A gente confunde a bengala com o Barbosa".
29 Nov. 83

"O Rego dá História mas não se situa".

"O peido é sempre um facto construído".

Havia o Barbosa, amigo e matemático tanto no ser como no agir; "Oh Barbosa... 'tás nervosa?" a ouvir-se através da janela numa sala do rés-do-chão e a fuga rápida do comediante; assim como o Bessa dos poemas e colagem fotográfica por terras de África e claro, como poderia esquecer o trapalhão do Rego - o tal de História - e o seu "... e o rei... ASSASSINOU-SE!". Delírio total na sala perante tal chacina e um olhar espantado e ignaro do professor.
A Carrilho, o Mafalda, o Cunha, e tantos outros que nos fizeram as delícias de uma adolescência espremida a morno, sem as correrias de agora. As horas preenchiam-nos. Enquanto que neste presente preenche-se exageradamente as horas com supostas instruções.

Example

Não estou, nem reconheço ninguém na fotografia mas lembro-me perfeitamente daquela rampa e das sebes que a ladeavam. Alguém que aqui venha e se veja ali?
:-)

quarta-feira, março 29, 2006

Lentes XIII



E das profundezas serenas surge uma alma intranquila.
É só uma questão de olhar por outro prisma: não há contradição.

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Canadianos



A integridade do político-nacionalisticamente correcto.

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sexta-feira, março 17, 2006

Lentes XII



Mare Tranquillitatis

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quinta-feira, março 16, 2006

Gato por lebre




Uma infância salpicada de personagens caricatos, diferentes da norma; aqueles que ressaltam com cor de arco-íris numa foto a preto e branco. Sim, esses os chamados loucos. Os maluquinhos da aldeia. Aqueles de quem se fugia sem olhar para trás depois de uma pedrada ou de um ou outro dizer mais apimentado. E depois era o espreitar só com um olho na esquina ou por detrás de algum arbusto mais protector a mirar-lhe a face irada - por vezes muito, outras nem tanto.
Havia a «Quininha» que trajava sempre a preceito os modelos mais estravagantes que os nossos tenros olhos jamais tinham visto. Havia também o «Tónio-Tolo» que, por sinal, sinal de nascença, era sobrinho da anterior - quanto a mim o mais «perigoso» de todos. Vi-o um dia esbaforido pela rua fora com uma catana na mão (se fosse hoje teria visto uma faca) cortejando um vizinho. E dizem que trazia as suas poupanças dependuradas por um fio dentro de um saco atado aos seus genitais. Dizem, que eu nunca vi.
Havia mais uns quantos que na minha memória se embaciaram.
Há no entanto um que perdura. O «SeManel-dos-Gatos».
De vulgo-louco, como as gentes gostam de apelidar, nada tinha. Era um duende saído de uma história de encantar. Pequeno, pernas arcadas, escuro de tez e vestimentas escuras e sujas. Andava sempre com um saco atirado para trás das costas como quem vai à feira. Mas dizem que não era bem à feira que ele ía vender o conteúdo do saco, e sim lá para o Porto. Não me recordo agora se algum miau eu alguma vez presenciei na sua passagem, mas consta-se que vivia rodeado de felinos vadios revertidos a amigos. Vezes sem conta, entrava sorrateiro na loja dos meus avós, já noite adentro, fora de horas - se bem que a hora de fechar a loja fosse minutos antes da deita - e eu, ainda mais pequena que ele, lá o fitava a custo, sem lhe ter medo algum, do lado oposto do balcão e ouvia-o pedir o costume de todas as noites, Eram umas belinhas, SeJacinto.
Nunca aquele homem se deve ter apercebido da imensa luz que trazia naquele olhar pisqueiro e no seu sorriso genuíno desdentado. Olhar esse que ainda hoje se propaga na mente de certa criança.

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sexta-feira, março 10, 2006

Gostas de dançar?




Rangia de dor.
Presa naquele colete de forças transparente, gélido.
O vento pedia-lhe, Dá-me só mais uma dança, e ela, perplexa, não se negava mas chorava. Chorava de pesar naquela prisão em que lhe tinham trancado os membros. Esses que um dia, lá no passado de muitas luas, e no futuro longínquo que lhe sorri por detrás das folhas, foram livres de o enlaçar e com ele dançar.


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terça-feira, março 07, 2006

Tempo



"4.5 billion years ago, the Earth was born. Comprehending that vastness in time is no easy task.
John McPhee, in his book Basin and Range, recounts a nice illustration of what this sort of time means. Stand with your arms held out to each side and let the extent of the earth's history be represented by the distance from the tips of your fingers on your left hand to the tips of the fingers on your right. Now, if someone were to run a file across the fingernail of your right middle finger, then the time that humans have been on the earth would be erased."



E eu que uso as unhas sempre rentes.

quarta-feira, março 01, 2006

Lentes XI



"(...)Is this blood on my hands all for you?

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(...) Fuck you
It's for you
"





(Candlebox)




domingo, fevereiro 26, 2006

Lentes X - 2



A imagem debaixo lida através dos olhos de Lord of Erewhon.
Vale a pena repetir o exercício.



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sábado, fevereiro 25, 2006

Lentes X




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Procura-se texto para a imagem.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Lentes IX




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segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Lentes VIII



Uma pequena lembrança para alguém que aprecia sinais.
Só porque sim.

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Este deve ser o que mais caracteriza esta nação.

Lentes VII




Andarilhos.

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Lentes VI




Até ver, não assustei vivalma.

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domingo, fevereiro 19, 2006

Classificações



Acho que ouvi bem estas palavras:


''... tem um caixão de cristão normal...''

Associações



Cerca das duas de uma tarde de Inverno. Tarde de sexta-feira fria, de janelas geladas e suadas. O chão da cozinha implorava há uma eternidade que o refrescassem e eu olhava para o manto branco e só pedia que aquele frio me refrescasse as ideias. Com pouca vontade recolho o necessário a tal tarefa e é com estranheza que dou comigo a ler o rótulo do produto. Não as gordas, mas aquelas intermédias. Sunny Day Scent.
Com que artefactos se armaram eles para chegarem a este cheiro?
E que ligação com o Verão?
Munida desta curiosidade, abracei o esfregão já com outro entusiasmo.
E surpresa das surpresas!
Bailou-me aos olhos as tardes quentes de Verão. Do bidão em cima da placa, com água aquecida pelo sol, dos duches lá tomados no improviso do ralo dum regador.
E também de outras tardes, sempre aos sábados. Do cheiro que os banhos semanais impregnavam nas paredes de casa , e o vapor da água a escorrer pelo azulejo prolongava a magia desses rituais.

Agora toma-se tanto banho que nos será, por certo, impossível recordar no futuro qualquer cheiro deles.


Cultivando amizades




- Hi! May I speak with Mrs. ...?
- Speaking.
- Oh hello, my name's Bob (ou John, ou Paul...) and I'm calling from the Weed Man...
- er... this is a joke, right?
- No, no. I'm calling you to off...
- Listen. This is about the 3rd or 4th time you guys call me this week, to which I always reply that I am NOT interested. What does one have to do to stop getting these nonsense phone calls?
- ...


____________________

E não. Não se tratava de um fornecedor de marijuana

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Bull's eye




Só mesmo no erro é que tenho a primazia e, neste caso, até o exclusivo.

Sê bem-vindo à minha horta.




Note to self:

Never mess with the people.
(the people are: mama, pai, Daniel and Jessica)


Veronica


terça-feira, fevereiro 07, 2006

Lentes V




Reaching out.

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Looking out.


_________________

Qual teria sido o primeiro pensamento de Champlain ao assomar-se naquele morro e flutuar os olhos nas águas dos Algonquins?

terça-feira, janeiro 31, 2006

Livros




O meu livro de quarto-de-banho chama-se
A Year in the Merde.

O de cabeceira tem outro nome.

Som nosso de cada dia




"don't push your love away
don't push your love away,

the kiss of death upon the door,
that's what you get for taking home a whore.
I shouldn't say that; it doesn't sound nice,
faith removes my fear sometimes."


The Exit


domingo, janeiro 29, 2006

Lentes IV



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sexta-feira, janeiro 27, 2006

lat 45.417177º lon -75.716804º



1 Vimy Place, é o local.
O estado de espírito durante e após a visita é bastante diferente daquele que se tem quando se visita um Museu de Arte ou da Natureza. Pareceu-me um local de reflexão, instrospecção, sofrimento, revolta, e ao mesmo tempo de aprendizagem. A cada passo dado por entre aqueles corredores carregados de imagens aterrorizadoras com sons a fazerem-lhe parceria, o coração pulava de sobressalto e, não me foi muito fácil acalmar o David que insistiu em que fossemos embora desde o segundo em que entrou lá dentro.

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As surpresas ao virar da esquina
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Um pormenor do carro ''Symbol of evil''

E para que eu não me esqueça de só o voltar a lá levar daqui a uns anitos
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______________________

E tal como não foi prometido, tenho o veículo completo à espera de te ser entregue.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Lentes III



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terça-feira, janeiro 24, 2006

No rescaldo


"Come out of the fog, boy, you've got an election to win"


"A stand-up comedy for Canada"


"He likes his meat"


Visto aqui.

Uma gravata apertada



Cada vez mais.
Abrindo caminho para os azuis (escuros).
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domingo, janeiro 22, 2006

Lentes II



Mostrando-lhe o rosto.

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quarta-feira, janeiro 18, 2006

Apresentação



Com o calor que me afogava ali dentro, após o frio gélido sentido enquanto esperava pelo autocarro, as pálpebras que, ou jogavam ao baloiço ou ao vai e vem das tábuas, acordaram tacitamente que, pelo menos uma delas, teria de se manter aberta. Foi durante esse concílio palpebrez que tombei a da direita - a que estava nesse momento ao serviço - no livro que a minha companheira de viagem lia: Bette Davis, The Lonely Life.
Uma curiosa ironia num autocarro repleto de gente.
E assim como o tic-tic de algum relógio que ouvimos e depreendemos por tic-tac, passei daquele pensamento a este outro - estranhas sequências se formulam cá dentro. Lembrei-me então de começar aqui uma espécie de rubrica fotográfica que retrate realidades e banalidades do meu dia-a-dia num país diferente daquele em que nasci. É bem provável que algumas delas já sejam conhecidas além-mar, mas não deixam de ser para mim dissemelhantes daquelas com que cresci e que ainda continuam agarradas à pele.
Seguem-se fotos assim que o termómetro subir.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Adivinhem lá quem



Assim que bati com os olhos na página frontal da MacLean's desta semana fiquei aterrorizada! Não tanto pela descrição* da foto que faz capa, mas sim pela semelhança - física e, umas linhas revista adentro, não só - que vi naquela face com uma outra bastante conhecida nesta esfera (Não me atrevo a colocar aqui o seu nome porque a fronteira é bem próxima e tal...)


* Leia-se:
THE SCARIEST MAN ON EARTH
The nuke-happy, jew-hating lunatic president of Iran



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Foto daqui.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

D. Constância



A este cenário chamo eu de persistência-absoluta. O agir destes indivíduos é, sem sombra de dúvidas, de fazer pasmar o maior dos incrédulos.
E quanto ao meu agir, assemelho-o a estas figuras que me passam na mente da Resistência Francesa da II Guerra Mundial. De uma natureza contra-persistência-absoluta. Um verdadeiro jogo de braço de ferro ou de puxar a corda.
Tudo isto começou com um jogo: A completação de um simples puzzle.
Isso levou-me às galerias de fotos e daí a registar uma das minhas, foi um saltinho de tesoura. A partir daí, tenho vindo a ser bombardeada por ofertas que se acabam por tornar pedidos de compra. A todas essas, sorri, virei a cara, e esperei pela próxima; geralmente mais modesta em termos de valor que a anterior. Essa bola de neve parece ter agora chegado ao seu limite com a chegada, via carteiro(!), de um convite personalizado.
E querem ver que serei mesmo eu a ser premiada com o Grande Prémio?

(dizem eles ''We're familiar with your work...'', parecem tão seguros do meu potencial. Saberão algo que não sei? Como será Las Vegas em Março...?)

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segunda-feira, janeiro 09, 2006

Distâncias



5.401 quilómetros.

Naquele um, encerrar-se-á um mundo de possibilidades com asas de libelinha a pousar ao de leve na minha mão. No meu nariz.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Lentes I



I am

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sábado, dezembro 24, 2005



E porque a vontade que seja Natal todos os dias só nos assole nesta quadra, aqui fica o meu desejo de que passemos a nos lembrar menos disso nesta altura do ano e mais vezes durante o dito.


A todos vós um
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Curiosidade



Haverá ('Haverão', risca-se) imperativos para tais acontecimentos coexistirem praticamente na mesma altura do ano?

- Chanukah
- Natal
- Ramadão

____________________________

Adenda às 22:54 de 25 Dezembro:

Mais uma correcção recebida via e-mail.
''... o Ramadão não calha sempre nesta época. Calha quando calha. Pode ser no Verão, na Primavera ou no Outono. O calendário islâmico é de meses lunares. Não se encaixa no nosso.''

Sempre a aprender :-)

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Um Déjà vu escarlate?




Ou uma vontade muito minha de pregar partidas ópticas?
Não. Estes não são os meus tomates. Esses canalizaram-me os sentidos para a volúpia carnal; para o efervescer de almas em burburinho.
Estes aqui, são os dióspiros da minha mãe.
Os que me devolvem o sereno das visões nortenhas que tenho das árvores desnudas de ramaria mas paridas de frutos. Todavia cheiros, sim. A fertilidade.

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terça-feira, novembro 29, 2005

As árvores e eu



Uma cumplicidade assombrosa.


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quinta-feira, novembro 24, 2005

Deriva




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domingo, novembro 20, 2005

Espinhos



O complemento da rosa.
Um jovem, nos seus vinte e poucos anos, de aparência saudável, ali à saída da auto-estrada acolhia todos com esta mensagem, enquanto paravamos nos semáforos.
Não tive coragem de lhe tirar a foto pela frente; nem coragem nem atrevimento. Num pedaço de papel rasgado a uma caixa qualquer, tinha escrito o seguinte:

HUNGRY
AND
BROKE

ANYTHING HELPS


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sábado, novembro 19, 2005

Labirintos



Certos caminhos.
O que outrora nunca se me apresentou como tentação - sempre foi fácil recusar, virar costas, evitar -, aparece agora como um fantasma a pairar sobre mim.
E a solução parece que vem, na verdade, de dentro para fora.

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segunda-feira, novembro 14, 2005

Etimologia emalhada




São aquelas cenas de profundidade que me encantam.
O usar não é o bastante; preciso saber porquê, como, e, acima de tudo, de onde.
Há quem se ria até desta minha tendência de especificidade - mas sobretudo ri-se comigo -, é deixar. Haverá algum dia de dar frutos.
Começou com a beca (não confundir, atenção), seguiu-se-lhe o coche que levou consigo o tótil e bué, passando pela queca (atenção, não confundir) a bazar.
Uma diversidade abardinada.

Lembrei-me dele e até lhe pedi ajuda porque sei que o homem percebe do assunto.
Admirei-me de bué estar catalogado na Priberam e de otário ser visto como rasca neste dicionário.
Mas e todas as outras? Donde vêm elas?... qu'é da raíz das ditas?

quinta-feira, novembro 10, 2005

Absurdo dos absurdos



Adjectivos não lhe faltarão, tenho a certeza.
Numa altura como esta, em que várias partes do mundo se vêm a braços com a das Aves, não deixa de ter a sua comicidade ao lermos hoje semelhante artigo.
Uma cruzada de bonecos que se seguem uns aos outros sucessivamente.
Há sempre um que se sai com a ideia e lidera a pesquisa--os vizinhos a sul--, estes quase sempre os farejam de perto e abocanham logo o rabo do outro. Quem se seguirá?
Que sim, que são pesquisas de laboratório, dizem eles.
Que sim, que há sempre imprevistos como o do leite derramado, digo eu.


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Foto tirada ao jornal The Ottawa Citizen

Nota: Ainda estou boquiaberta com o facto desta notícia ter saído 'cá para fora'.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Conexões bizarras



Nunca tal se me apagou da memória e já há dezassete anos que lá mora.
Vi-a pela primeira vez poucos dias após ter aqui chegado e logo que esse primeiro olhar poisou, tive a estranha sensação de que o mar se havia estreitado e a saudade podia ser estrangulada num pulo, como quem atravessa um regato.
Estranhas associações a que a mente se dedica.


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sábado, novembro 05, 2005

Pesca diária



Reunião de letras que me provoca maremotos estomacais:

- Deslarga-me!

terça-feira, novembro 01, 2005

Esta ofereço eu



Para os arquivos da SIC Notícias.
Isto sim, é uma espécie que foi analisada e que por sinal esqueceram de mencionar, está bem de saúde.
Deixem lá estar os patinhos do parque D. Maria II em paz; que esses têm tanto de selvagem como... de pássaros.
Sempre às ordens (da clareza).

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quinta-feira, outubro 27, 2005

O tempo perguntou ao tempo quanto temp...



Um texto recente da Mamã, acompanhado de uma certa conversa 'gasolineira' de há dias, veio suscitar em mim um aprofundar de certa matéria que já venho a pôr os olhos em cima há uma data de tempos; quer em revistas, jornais ou em conversas tidas com outros pais.
''Quality time''.
É o quê, concretamente?
Todos concordam que deva existir.
Todos sabemos o que significa 'qualidade', e o que significa 'tempo', mas quando se trata de exemplificar este 'modo de vida', é que já não concedo que exista concordância da minha parte.
Não me venham com horários estipulados para se ter 'quality time' por algum psicólogo que provavelmente nem filhos tem, como quem determina o horário mais correcto para se jantar, brincar ou deitar.
Estou ciente que existem tarefas para as quais convem que sejamos pontuais--mas se porventura o não podermos ser, há sempre uma alternativa; se o autocarro passou, vamos a pé.
A flexibilidade evita muitas artérias congestionadas.
De maneira que, da minha boca, nunca os miúdos ouviram nem ouvirão a sentença ''Let's have some quality time together!''.
Mas não é preciso que eles me peçam para me sentar com eles na berma da estrada a ver o tempo mudar a cor das folhas, ou para lhes esfregar a cabeça enquanto fazem os trabalhos-de-casa, nem de resmungar com eles quando deixam as pastas e os casacos espalhados pelo chão da casa, ou deitar-me com eles--nem que já sejam adultos--até que adormeçam.
Dou-lhes tudo isto e muito mais. Só não me peçam para trespassar a vida com o percurso rígido dos ponteiros.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Sobre livros



São tiradas destas que me mantêm presa a uma leitura, sempre à espera de mais:

<< His writing was a mechanical game, a solitary pondering on his own errors, but it was not--he thought--''creation'', for creation had to be inspired by love of someone who is not ourselves.>>

Umberto Eco in Foucault's Pendulum

segunda-feira, outubro 17, 2005

Fantoches e fantochadas



Não tinham as vozes alteradas.
Não pertubaram ninguém nem provocaram distúrbios - pelo menos a partir deles para o todo cá fora. Se nasceu algum distúrbio, foi só na mente de certos 'mirones'.
O único aspecto a apontar-lhes, seria sido de que não é permitido comer naquele local; somente a partir das caixas de registar. Assim lhes foi avisado.
Ou porque não gostou da cor verde do cabelo, ou do estilo 'dreadlock', ou então até das vestimentas e mochilas avolumadas, chamou o gerente os seguranças.
Não um ou dois, nem três ou quatro, mas seis!
Se calhar um para cada interveniente do caso. Sei lá bem, eu.
Lá dizia o sujeito '' I don't want them here again if they're not students... No, they're not allowed . Standing inside here eating, it's not allowed...''
Enquanto falava, abanava a cabeça muito peculiarmente, quase sem mexer o resto do corpo, como se de um fantoche se tratasse.
E a sua reza prolongou-se e apagava-se à medida que eu me ía afastando da caixa, do homem, dos seguranças. De tudo.
Sentada aqui ao longe admirei a cena sem saber qual o resultado imediato, e, secretamente, desejei que fossem estudantes.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Lentes de Contacto XVI



Enquanto espero pela vindima, ando aos cucos por outras bandas (ou a enfardar de palha para o Inverno).


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quarta-feira, setembro 28, 2005

Dois casos a medir



Vêm por Dose e a Metro. Diária e gratuitamente desde há uns meses para cá.
Dois jornais (!?) a encherem as ruas, literalmente.
Não andei na recolha do lixo, nem formulei gráficos de entrada de dados, mas, a peso de olhos, diria que existe para aí um aumento de 90% de sujidade por todo o lado onde se diz ser superfície.
As pessoas são as mesmas, o que mudou parece ter sido o 'poder de compra'.

Este já estava esquecido

Rascunhado a 7 Setembro 2005

Por ironia, ou se calhar não, o feriado de Labour Day marca o regresso à aprendizagem rotineira, o fim sazonal das noitadas a cinco, o ouvir de novo o tic-tac de algum relógio atirado há meses para um canto.
A linha de montagem volta a rolar.
Mochilas alinhadas no cabide da cozinha e lancheiras enfiladas no balcão à espera de serem atestadas. Este é o primeiro ano em que elas atingem o expoente máximo na conquista ao título numa competição que lhes é completamente desconhecida.
Não lhes quero abrir os olhos; quero que eles o saibam fazer por si mesmos e que eu saiba onde traçar a linha, aquela que separa a minha da vida deles.


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quinta-feira, setembro 22, 2005

Lentes de Contacto XV



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A cor de um Verão que teima em ficar.

segunda-feira, setembro 19, 2005



Será de confiar no trabalho duma professora que escreve na agenda de um aluno:

«Daniel needs is duotang for French.»


Eu bem tinha dito que me apetecia matar alguém...

sexta-feira, setembro 16, 2005

Da gaveta de dentro - III



Há pessoas com um espantoso poder de síntese.
Num só olhar transmitem anos de frases amarelecidas pelo tempo.



(escrito hoje; a visão é de algures, no futuro)

quinta-feira, setembro 08, 2005

The twilight zone

Hoje, veio-me à memória um desses episódios quando acabo de desligar o telefone após ouvir esta mensagem:

We're sorry, the number you have reached, is not in service. Please check the number or try your call again. This is a recording.

Segundos antes, tinha, eu mesma, levantado o ascultador para atender uma chamada vinda desse mesmo número. É certo que não houve voz do outro lado, mas senti o telefone ser pousado após uns segundos a ouvir-me dizer Hello.
Será fiável o serviço de Call Display?

sexta-feira, setembro 02, 2005

Sepia



Quando o mais pequeno monossílabo emperra e custa a sair; quando o abandono às palavras se troca pelo abandono delas, os olhos insistem em se cravar no tecto branco de relevo picotado, onde se desenham todas as obras imaginadas, entrecortadas com a sombra do dia.
Enterram-se no branco do tecto à espera de ver folhear os dias, um após o outro, em branco.