Macdonald-Cartier. Homenagem a dois ministros, possivelmente primeiros, do seu tempo, da ponte e deles, ministros. A ponte que celebra a vivência de duas culturas num mesmo solo.
Agosto 2006
sábado, agosto 19, 2006
Lentes XXI
sexta-feira, agosto 18, 2006
Sexo
Desceu as escadas aos solavancos, tropeçou na soleira da porta, e só com 3 passadas mal dadas se conseguiu equilibrar de novo, levando consigo como despedida, dois ligeiros sorrisos dinamarqueses e, no topo das escadas, um eu erecto com estandarte nenhum. Julguei que seria essa a minha última imagem dele, levava fogo no rabo, só pararia em chegando a Marte, estava apostada nisso. Mas não. Voltaria a cruzar o olhar com a figura dele, só na figura e não no olhar. Coisas do acaso que a nós nunca nos pedem licença para acontecerem. Fiquei feliz por isso e por ver que depressa se restabeleceu da queda.
Outro continente, outra idade, mas, estou muito segura, um comportamento bastante idêntico ao de agora. O meu.
You're weird, disseram-mo há dias.
You're funny, disseram-me pelo episódio das escadas, what do you mean: funny-haha or funny-weird?, ...funny-weird!, e ondulou de novo na dança.
Dou, portanto aqui, a mão à palmatória. Afinal o mergulhador tinha razão!
E entre os vinte e dois anos que permeiam os dois weirds ditos, muitos houveram que o foram transmitidos por olhar somente. Cá chegaram, obrigada, com atestado genuíno.
Quando uma mulher não trás foda acrescida, quer nos intuitos, quer nas frases que antecedem os seus movimentos, corporais e ademais, é vista e tida - mas sem nunca o ter sido -como weird. Uma dúvida porém, paira empastosamente sobre mim. Será que isto sucede em todas as cabeças masculinas ou só nas anglófonas?
quinta-feira, agosto 17, 2006
Lentes XX
"... é como viver no meio de um lago sem nunca poder molhar os pés."
- Mécia de Sena
Não que o tenha sido. Não foi nem será nunca.
Nunca aí irei regressar porque nunca daí a minha alma saiu.
Lentes IXX
terça-feira, agosto 15, 2006
Nexo
Só me apercebi do que aquela voz apressada relatava nas notícias das 14h, quando a palavra-chave foi pronunciada: blackout. Tal é a pressa com que as coisas são descritas que só atingo a proporção da notícia com este pequeno truque de palavras.
E foi essa, blackout, que despertou em mim uma vaga de reconhecimentos.
O famoso apagão que por aqui deixou praticamente meio mundo ás apalpadelas já fez três anos no dia 14 de Agosto. Imagine-se tal.
Partia no dia seguinte para uns dias de 'repouso' à borda do Erie: dormir debaixo de árvores, ouvir os grilos a acordarem-me pela manhã, cumprimentar boa-noite a skunks floridos à saída da tenda, sentir rebentar a mais linda trovoada ao alcance de um polegar e extasiar-me com a chuva de estrelas cadentes.
Não teria interruptores para ligar.
Na altura não lhe vi a particularidade da ironia; hoje sim, após o pó assentar na conjuntura daquele tempo é que me apercebo do que aquele apagão iria simbolizar na minha vida. Os traços que se foram materializando aqui e ali - Esboços, o Azulejo, o primogénito Sem Título -, traços estes que se começaram a gerar por aquela altura. A bem dizer, de apagão pouco ou nada teve - ou tem -, porque os olhos, uma vez adaptados à escuridão, obtêm desse estado inicial e aparentemente caótico, uma visão do essencial bem mais detalhada. A preto e branco. Seja.
Nunca os céus estrelados puderam ser tão justamente apreciados por milhões de citadinos como nessa noite.
Nunca a minha vida teve um bréu tão estrelado como a partir dessa data.
If only, a alavanca do conhecimento fosse assim tão fácil de encadear.
Saídas pequenas
- Mããã... I'm hungry!!
- O jantar 'tá quase pronto...
- But I want to eat something right now!!
- How about eating your words?! - dito de sobrancelha esquerda elevada e um sorriso irónico nos lábios, - isto, tendo em mente que estava a tentar terminar de esfregar a cozinha, cozinhar, lavar a roupa, impedir que lhe assaltassem a cozinha, desinfestar o quarto-de-banho: tudo ao mesmo tempo.
- But then... I wouldn't be able to speak...
11 Agosto 2006
domingo, agosto 13, 2006
sexta-feira, agosto 11, 2006
Ainda a Regaleira
"Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, e nunca vi nada, nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor - e, lá no alto, está o castelo do santo Graal."
Richard Strauss
E o poço, esse, subi-o.
Reguemos a leira.
O passeio das rosas
terça-feira, agosto 08, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
sexta-feira, julho 28, 2006
Poluição?!... Onde?
Nas praias, então não?!
Já deve cheirar mal haver tanta gente a falar deste assunto e pouco ou nenhum resultado positivo visível. Para me juntar ao tal rol de gente, lembrei-me de deixar aqui registado algo que vi praticamente todos os dias e me deixou abalada. Regressei logo mentalmente anos atrás, quando frequentei uma das escolas nesta área e fizemos um trabalho precisamente sobre a poluição no Rio Ave. Já se passaram 22 anos desde essa altura, e desde então foram construídas infraestruturas ao longo do curso do rio para que os resíduos fabris fossem para lá canalizados, indo, desse modo, reduzir em grande parte a poluição que se vê e se cheira.
Eles estão lá, os tais canos. Mas serão utilizados?
E quem fiscaliza se se usam ou não?
Só por curiosidade, lembro-me de passar sobre a ponte de Caniços e a cada dia que o fiz, a tonalidade do rio variar entre o castanho, o vermelho, o azul, o preto e sabe-se lá que mais variantes.
Querem saber então o que polui as praias?
Analisam os peixes mortos, não é isso?
E se subissem o curso do rio, não aprenderiam mais com isso?
Boa viagem.



S. Pedro de Bairro - 20 Julho 2006, 12:00
Que brotes o melhor que há em ti
A intenção era mesmo poder alegrar-te o dia com um som do tal grupo que tanto gostas; mas na impossibilidade de o encontrar, optei por estas flores que lá no alto no monte de N. Sra. da Assunção parecem querer soltar-se ao vento.
Mais um grande abraço daqui te envio, com muito carinho mesmo.
Parabéns, miúda! :-)
Santo Tirso - 4 Julho 2006
(acho que perdi o jeito de aparecer por aqui...)
Ainda me situo no túnel que separa duas enormes cavidades repletas de luz, sem saber para qual delas me dirigir.
O tempo voou sem ser necessariamente lesto. Soube-me a pouco, muito pouco.
Este local que vos mostro tocou-me bem cá dentro e serve muito bem como reabertura pós-férias.
Senti-me como uma Thelma ou Louise com asas delta, e ainda agora, ao fechar os olhos, é lá que me encontro onde o vento nos avisa e acautela.
:-)
Olá a todos.
Cabo Espichel - 29 Junho 2006
quarta-feira, junho 28, 2006
quinta-feira, junho 01, 2006
Da gaveta
A chuva realça o perfume das flores, assim como as lágrimas salienta o dos sentimentos.
Nada de mais.
Choveu.
sábado, maio 27, 2006
"Nada se perde, nada se cria...
... tudo se transforma" - Lavoisier ou Lucrécio. Um deles.
Ou então como se tem por hábito dizer, "One man's trash is another man's treasure".
É um ritual anual bastante aguardado pela população, a tão famosa garage-sale. De há uns tempos para cá, com outras variantes:
- yard-sale;
- sidewalk-sale;
- garbage-sale (...perdão, fugiu-me a consoante)
Assim que a neve acaba de desaparecer e os primeiros rebentos verdes despontam pela cidade, começa o frenesim de vasculhar a casa de cima a baixo, sem esquecer a casinha no quintal--shed?-- que é onde geralmente se acumula tudo o que já não cabe em mais lado nenhum, já não se usa, mas não se tem estômago para dar, e por estas razões, vende-se. Por uns míseros cêntimos.
Fora o lado negativo, o de criar dores de cabeça a quem se decide meter a esta tarefa, ao etiquetar todos os artigos a tão baixo preço, o de acordar bem cedinho para apanhar a minhoca mais gorda--e acordar outros que ainda dormem e costumam escrever num certo sítio chamado Inflexão--, tem, no entanto, a vantagem de que é em dias destes saldos que os vizinhos confraternizam por mais tempo dos que os habituais minúsculos minutos.

Os livros na foto abaixo?
Foi a minha contribuição para reduzir a poluição no planeta.
quinta-feira, maio 25, 2006
quarta-feira, maio 10, 2006
Um até já
Ando a precisar de um descanso destas lides.
É um afastamento, mas não permanente - tenho sobre mim uma sentença que não me deixa abandonar o barco.
Sinto que preciso recolher-me por um certo tempo. Um mês, dois minutos ou 3 vidas.
Para aqueles olhos recorrentes, deixo este pequeno recado com a vontade expressa de que o meu ânimo de cá voltar regresse rápido. Tornou-se para mim quase um imperativo vir aqui escrever e descrever-me através do que publico, mas vejo que está na hora de uma certa introspecção.
Não quero esquecer de vos fazer notar que aprecio a vossa persistência em cá voltar :-), sempre.
A gente vê-se por aí.
E provavelmente um ver de "ver" mesmo. Se por acaso se cruzarem com uma "galinhola" a comandar uma prole de miúdos abismados com o velho mundo, essa deverei ser eu.
Vou-me aos figos e às ameixas. Vou-me ao recordar caminhos de terra batidos pelo sol e muros de pedra a ladeá-los.
Até um dia destes.












