quarta-feira, janeiro 18, 2006

Apresentação



Com o calor que me afogava ali dentro, após o frio gélido sentido enquanto esperava pelo autocarro, as pálpebras que, ou jogavam ao baloiço ou ao vai e vem das tábuas, acordaram tacitamente que, pelo menos uma delas, teria de se manter aberta. Foi durante esse concílio palpebrez que tombei a da direita - a que estava nesse momento ao serviço - no livro que a minha companheira de viagem lia: Bette Davis, The Lonely Life.
Uma curiosa ironia num autocarro repleto de gente.
E assim como o tic-tic de algum relógio que ouvimos e depreendemos por tic-tac, passei daquele pensamento a este outro - estranhas sequências se formulam cá dentro. Lembrei-me então de começar aqui uma espécie de rubrica fotográfica que retrate realidades e banalidades do meu dia-a-dia num país diferente daquele em que nasci. É bem provável que algumas delas já sejam conhecidas além-mar, mas não deixam de ser para mim dissemelhantes daquelas com que cresci e que ainda continuam agarradas à pele.
Seguem-se fotos assim que o termómetro subir.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Adivinhem lá quem



Assim que bati com os olhos na página frontal da MacLean's desta semana fiquei aterrorizada! Não tanto pela descrição* da foto que faz capa, mas sim pela semelhança - física e, umas linhas revista adentro, não só - que vi naquela face com uma outra bastante conhecida nesta esfera (Não me atrevo a colocar aqui o seu nome porque a fronteira é bem próxima e tal...)


* Leia-se:
THE SCARIEST MAN ON EARTH
The nuke-happy, jew-hating lunatic president of Iran



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Foto daqui.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

D. Constância



A este cenário chamo eu de persistência-absoluta. O agir destes indivíduos é, sem sombra de dúvidas, de fazer pasmar o maior dos incrédulos.
E quanto ao meu agir, assemelho-o a estas figuras que me passam na mente da Resistência Francesa da II Guerra Mundial. De uma natureza contra-persistência-absoluta. Um verdadeiro jogo de braço de ferro ou de puxar a corda.
Tudo isto começou com um jogo: A completação de um simples puzzle.
Isso levou-me às galerias de fotos e daí a registar uma das minhas, foi um saltinho de tesoura. A partir daí, tenho vindo a ser bombardeada por ofertas que se acabam por tornar pedidos de compra. A todas essas, sorri, virei a cara, e esperei pela próxima; geralmente mais modesta em termos de valor que a anterior. Essa bola de neve parece ter agora chegado ao seu limite com a chegada, via carteiro(!), de um convite personalizado.
E querem ver que serei mesmo eu a ser premiada com o Grande Prémio?

(dizem eles ''We're familiar with your work...'', parecem tão seguros do meu potencial. Saberão algo que não sei? Como será Las Vegas em Março...?)

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segunda-feira, janeiro 09, 2006

Distâncias



5.401 quilómetros.

Naquele um, encerrar-se-á um mundo de possibilidades com asas de libelinha a pousar ao de leve na minha mão. No meu nariz.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Lentes I



I am

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sábado, dezembro 24, 2005



E porque a vontade que seja Natal todos os dias só nos assole nesta quadra, aqui fica o meu desejo de que passemos a nos lembrar menos disso nesta altura do ano e mais vezes durante o dito.


A todos vós um
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Curiosidade



Haverá ('Haverão', risca-se) imperativos para tais acontecimentos coexistirem praticamente na mesma altura do ano?

- Chanukah
- Natal
- Ramadão

____________________________

Adenda às 22:54 de 25 Dezembro:

Mais uma correcção recebida via e-mail.
''... o Ramadão não calha sempre nesta época. Calha quando calha. Pode ser no Verão, na Primavera ou no Outono. O calendário islâmico é de meses lunares. Não se encaixa no nosso.''

Sempre a aprender :-)

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Um Déjà vu escarlate?




Ou uma vontade muito minha de pregar partidas ópticas?
Não. Estes não são os meus tomates. Esses canalizaram-me os sentidos para a volúpia carnal; para o efervescer de almas em burburinho.
Estes aqui, são os dióspiros da minha mãe.
Os que me devolvem o sereno das visões nortenhas que tenho das árvores desnudas de ramaria mas paridas de frutos. Todavia cheiros, sim. A fertilidade.

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terça-feira, novembro 29, 2005

As árvores e eu



Uma cumplicidade assombrosa.


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quinta-feira, novembro 24, 2005

Deriva




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domingo, novembro 20, 2005

Espinhos



O complemento da rosa.
Um jovem, nos seus vinte e poucos anos, de aparência saudável, ali à saída da auto-estrada acolhia todos com esta mensagem, enquanto paravamos nos semáforos.
Não tive coragem de lhe tirar a foto pela frente; nem coragem nem atrevimento. Num pedaço de papel rasgado a uma caixa qualquer, tinha escrito o seguinte:

HUNGRY
AND
BROKE

ANYTHING HELPS


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sábado, novembro 19, 2005

Labirintos



Certos caminhos.
O que outrora nunca se me apresentou como tentação - sempre foi fácil recusar, virar costas, evitar -, aparece agora como um fantasma a pairar sobre mim.
E a solução parece que vem, na verdade, de dentro para fora.

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segunda-feira, novembro 14, 2005

Etimologia emalhada




São aquelas cenas de profundidade que me encantam.
O usar não é o bastante; preciso saber porquê, como, e, acima de tudo, de onde.
Há quem se ria até desta minha tendência de especificidade - mas sobretudo ri-se comigo -, é deixar. Haverá algum dia de dar frutos.
Começou com a beca (não confundir, atenção), seguiu-se-lhe o coche que levou consigo o tótil e bué, passando pela queca (atenção, não confundir) a bazar.
Uma diversidade abardinada.

Lembrei-me dele e até lhe pedi ajuda porque sei que o homem percebe do assunto.
Admirei-me de bué estar catalogado na Priberam e de otário ser visto como rasca neste dicionário.
Mas e todas as outras? Donde vêm elas?... qu'é da raíz das ditas?

quinta-feira, novembro 10, 2005

Absurdo dos absurdos



Adjectivos não lhe faltarão, tenho a certeza.
Numa altura como esta, em que várias partes do mundo se vêm a braços com a das Aves, não deixa de ter a sua comicidade ao lermos hoje semelhante artigo.
Uma cruzada de bonecos que se seguem uns aos outros sucessivamente.
Há sempre um que se sai com a ideia e lidera a pesquisa--os vizinhos a sul--, estes quase sempre os farejam de perto e abocanham logo o rabo do outro. Quem se seguirá?
Que sim, que são pesquisas de laboratório, dizem eles.
Que sim, que há sempre imprevistos como o do leite derramado, digo eu.


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Foto tirada ao jornal The Ottawa Citizen

Nota: Ainda estou boquiaberta com o facto desta notícia ter saído 'cá para fora'.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Conexões bizarras



Nunca tal se me apagou da memória e já há dezassete anos que lá mora.
Vi-a pela primeira vez poucos dias após ter aqui chegado e logo que esse primeiro olhar poisou, tive a estranha sensação de que o mar se havia estreitado e a saudade podia ser estrangulada num pulo, como quem atravessa um regato.
Estranhas associações a que a mente se dedica.


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sábado, novembro 05, 2005

Pesca diária



Reunião de letras que me provoca maremotos estomacais:

- Deslarga-me!

terça-feira, novembro 01, 2005

Esta ofereço eu



Para os arquivos da SIC Notícias.
Isto sim, é uma espécie que foi analisada e que por sinal esqueceram de mencionar, está bem de saúde.
Deixem lá estar os patinhos do parque D. Maria II em paz; que esses têm tanto de selvagem como... de pássaros.
Sempre às ordens (da clareza).

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quinta-feira, outubro 27, 2005

O tempo perguntou ao tempo quanto temp...



Um texto recente da Mamã, acompanhado de uma certa conversa 'gasolineira' de há dias, veio suscitar em mim um aprofundar de certa matéria que já venho a pôr os olhos em cima há uma data de tempos; quer em revistas, jornais ou em conversas tidas com outros pais.
''Quality time''.
É o quê, concretamente?
Todos concordam que deva existir.
Todos sabemos o que significa 'qualidade', e o que significa 'tempo', mas quando se trata de exemplificar este 'modo de vida', é que já não concedo que exista concordância da minha parte.
Não me venham com horários estipulados para se ter 'quality time' por algum psicólogo que provavelmente nem filhos tem, como quem determina o horário mais correcto para se jantar, brincar ou deitar.
Estou ciente que existem tarefas para as quais convem que sejamos pontuais--mas se porventura o não podermos ser, há sempre uma alternativa; se o autocarro passou, vamos a pé.
A flexibilidade evita muitas artérias congestionadas.
De maneira que, da minha boca, nunca os miúdos ouviram nem ouvirão a sentença ''Let's have some quality time together!''.
Mas não é preciso que eles me peçam para me sentar com eles na berma da estrada a ver o tempo mudar a cor das folhas, ou para lhes esfregar a cabeça enquanto fazem os trabalhos-de-casa, nem de resmungar com eles quando deixam as pastas e os casacos espalhados pelo chão da casa, ou deitar-me com eles--nem que já sejam adultos--até que adormeçam.
Dou-lhes tudo isto e muito mais. Só não me peçam para trespassar a vida com o percurso rígido dos ponteiros.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Sobre livros



São tiradas destas que me mantêm presa a uma leitura, sempre à espera de mais:

<< His writing was a mechanical game, a solitary pondering on his own errors, but it was not--he thought--''creation'', for creation had to be inspired by love of someone who is not ourselves.>>

Umberto Eco in Foucault's Pendulum

segunda-feira, outubro 17, 2005

Fantoches e fantochadas



Não tinham as vozes alteradas.
Não pertubaram ninguém nem provocaram distúrbios - pelo menos a partir deles para o todo cá fora. Se nasceu algum distúrbio, foi só na mente de certos 'mirones'.
O único aspecto a apontar-lhes, seria sido de que não é permitido comer naquele local; somente a partir das caixas de registar. Assim lhes foi avisado.
Ou porque não gostou da cor verde do cabelo, ou do estilo 'dreadlock', ou então até das vestimentas e mochilas avolumadas, chamou o gerente os seguranças.
Não um ou dois, nem três ou quatro, mas seis!
Se calhar um para cada interveniente do caso. Sei lá bem, eu.
Lá dizia o sujeito '' I don't want them here again if they're not students... No, they're not allowed . Standing inside here eating, it's not allowed...''
Enquanto falava, abanava a cabeça muito peculiarmente, quase sem mexer o resto do corpo, como se de um fantoche se tratasse.
E a sua reza prolongou-se e apagava-se à medida que eu me ía afastando da caixa, do homem, dos seguranças. De tudo.
Sentada aqui ao longe admirei a cena sem saber qual o resultado imediato, e, secretamente, desejei que fossem estudantes.