Uma cumplicidade assombrosa.
terça-feira, novembro 29, 2005
quinta-feira, novembro 24, 2005
domingo, novembro 20, 2005
Espinhos
HUNGRY
AND
BROKE
ANYTHING HELPS

sábado, novembro 19, 2005
Labirintos
Certos caminhos.
O que outrora nunca se me apresentou como tentação - sempre foi fácil recusar, virar costas, evitar -, aparece agora como um fantasma a pairar sobre mim.
E a solução parece que vem, na verdade, de dentro para fora.

segunda-feira, novembro 14, 2005
Etimologia emalhada
São aquelas cenas de profundidade que me encantam.
O usar não é o bastante; preciso saber porquê, como, e, acima de tudo, de onde.
Há quem se ria até desta minha tendência de especificidade - mas sobretudo ri-se comigo -, é deixar. Haverá algum dia de dar frutos.
Começou com a beca (não confundir, atenção), seguiu-se-lhe o coche que levou consigo o tótil e bué, passando pela queca (atenção, não confundir) a bazar.
Uma diversidade abardinada.
Lembrei-me dele e até lhe pedi ajuda porque sei que o homem percebe do assunto.
Admirei-me de bué estar catalogado na Priberam e de otário ser visto como rasca neste dicionário.
Mas e todas as outras? Donde vêm elas?... qu'é da raíz das ditas?
quinta-feira, novembro 10, 2005
Absurdo dos absurdos
Adjectivos não lhe faltarão, tenho a certeza.
Numa altura como esta, em que várias partes do mundo se vêm a braços com a das Aves, não deixa de ter a sua comicidade ao lermos hoje semelhante artigo.
Uma cruzada de bonecos que se seguem uns aos outros sucessivamente.
Há sempre um que se sai com a ideia e lidera a pesquisa--os vizinhos a sul--, estes quase sempre os farejam de perto e abocanham logo o rabo do outro. Quem se seguirá?
Que sim, que são pesquisas de laboratório, dizem eles.
Que sim, que há sempre imprevistos como o do leite derramado, digo eu.
Foto tirada ao jornal The Ottawa Citizen
Nota: Ainda estou boquiaberta com o facto desta notícia ter saído 'cá para fora'.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Conexões bizarras
Nunca tal se me apagou da memória e já há dezassete anos que lá mora.
Vi-a pela primeira vez poucos dias após ter aqui chegado e logo que esse primeiro olhar poisou, tive a estranha sensação de que o mar se havia estreitado e a saudade podia ser estrangulada num pulo, como quem atravessa um regato.
Estranhas associações a que a mente se dedica.
sábado, novembro 05, 2005
terça-feira, novembro 01, 2005
Esta ofereço eu
Para os arquivos da SIC Notícias.
Isto sim, é uma espécie que foi analisada e que por sinal esqueceram de mencionar, está bem de saúde.
Deixem lá estar os patinhos do parque D. Maria II em paz; que esses têm tanto de selvagem como... de pássaros.
Sempre às ordens (da clareza).
quinta-feira, outubro 27, 2005
O tempo perguntou ao tempo quanto temp...
Um texto recente da Mamã, acompanhado de uma certa conversa 'gasolineira' de há dias, veio suscitar em mim um aprofundar de certa matéria que já venho a pôr os olhos em cima há uma data de tempos; quer em revistas, jornais ou em conversas tidas com outros pais.
''Quality time''.
É o quê, concretamente?
Todos concordam que deva existir.
Todos sabemos o que significa 'qualidade', e o que significa 'tempo', mas quando se trata de exemplificar este 'modo de vida', é que já não concedo que exista concordância da minha parte.
Não me venham com horários estipulados para se ter 'quality time' por algum psicólogo que provavelmente nem filhos tem, como quem determina o horário mais correcto para se jantar, brincar ou deitar.
Estou ciente que existem tarefas para as quais convem que sejamos pontuais--mas se porventura o não podermos ser, há sempre uma alternativa; se o autocarro passou, vamos a pé.
A flexibilidade evita muitas artérias congestionadas.
De maneira que, da minha boca, nunca os miúdos ouviram nem ouvirão a sentença ''Let's have some quality time together!''.
Mas não é preciso que eles me peçam para me sentar com eles na berma da estrada a ver o tempo mudar a cor das folhas, ou para lhes esfregar a cabeça enquanto fazem os trabalhos-de-casa, nem de resmungar com eles quando deixam as pastas e os casacos espalhados pelo chão da casa, ou deitar-me com eles--nem que já sejam adultos--até que adormeçam.
Dou-lhes tudo isto e muito mais. Só não me peçam para trespassar a vida com o percurso rígido dos ponteiros.
quarta-feira, outubro 26, 2005
Sobre livros
São tiradas destas que me mantêm presa a uma leitura, sempre à espera de mais:
<< His writing was a mechanical game, a solitary pondering on his own errors, but it was not--he thought--''creation'', for creation had to be inspired by love of someone who is not ourselves.>>
Umberto Eco in Foucault's Pendulum
segunda-feira, outubro 17, 2005
Fantoches e fantochadas
Não tinham as vozes alteradas.
Não pertubaram ninguém nem provocaram distúrbios - pelo menos a partir deles para o todo cá fora. Se nasceu algum distúrbio, foi só na mente de certos 'mirones'.
O único aspecto a apontar-lhes, seria sido de que não é permitido comer naquele local; somente a partir das caixas de registar. Assim lhes foi avisado.
Ou porque não gostou da cor verde do cabelo, ou do estilo 'dreadlock', ou então até das vestimentas e mochilas avolumadas, chamou o gerente os seguranças.
Não um ou dois, nem três ou quatro, mas seis!
Se calhar um para cada interveniente do caso. Sei lá bem, eu.
Lá dizia o sujeito '' I don't want them here again if they're not students... No, they're not allowed . Standing inside here eating, it's not allowed...''
Enquanto falava, abanava a cabeça muito peculiarmente, quase sem mexer o resto do corpo, como se de um fantoche se tratasse.
E a sua reza prolongou-se e apagava-se à medida que eu me ía afastando da caixa, do homem, dos seguranças. De tudo.
Sentada aqui ao longe admirei a cena sem saber qual o resultado imediato, e, secretamente, desejei que fossem estudantes.
quarta-feira, outubro 12, 2005
Lentes de Contacto XVI
Enquanto espero pela vindima, ando aos cucos por outras bandas (ou a enfardar de palha para o Inverno).
quarta-feira, setembro 28, 2005
Dois casos a medir
Vêm por Dose e a Metro. Diária e gratuitamente desde há uns meses para cá.
Dois jornais (!?) a encherem as ruas, literalmente.
Não andei na recolha do lixo, nem formulei gráficos de entrada de dados, mas, a peso de olhos, diria que existe para aí um aumento de 90% de sujidade por todo o lado onde se diz ser superfície.
As pessoas são as mesmas, o que mudou parece ter sido o 'poder de compra'.
Este já estava esquecido
Por ironia, ou se calhar não, o feriado de Labour Day marca o regresso à aprendizagem rotineira, o fim sazonal das noitadas a cinco, o ouvir de novo o tic-tac de algum relógio atirado há meses para um canto.
A linha de montagem volta a rolar.
Mochilas alinhadas no cabide da cozinha e lancheiras enfiladas no balcão à espera de serem atestadas. Este é o primeiro ano em que elas atingem o expoente máximo na conquista ao título numa competição que lhes é completamente desconhecida.
Não lhes quero abrir os olhos; quero que eles o saibam fazer por si mesmos e que eu saiba onde traçar a linha, aquela que separa a minha da vida deles.
quinta-feira, setembro 22, 2005
segunda-feira, setembro 19, 2005
sexta-feira, setembro 16, 2005
Da gaveta de dentro - III
Há pessoas com um espantoso poder de síntese.
Num só olhar transmitem anos de frases amarelecidas pelo tempo.
(escrito hoje; a visão é de algures, no futuro)
quinta-feira, setembro 08, 2005
The twilight zone
We're sorry, the number you have reached, is not in service. Please check the number or try your call again. This is a recording.
Segundos antes, tinha, eu mesma, levantado o ascultador para atender uma chamada vinda desse mesmo número. É certo que não houve voz do outro lado, mas senti o telefone ser pousado após uns segundos a ouvir-me dizer Hello.
Será fiável o serviço de Call Display?
sexta-feira, setembro 02, 2005
Sepia
Quando o mais pequeno monossílabo emperra e custa a sair; quando o abandono às palavras se troca pelo abandono delas, os olhos insistem em se cravar no tecto branco de relevo picotado, onde se desenham todas as obras imaginadas, entrecortadas com a sombra do dia.
Enterram-se no branco do tecto à espera de ver folhear os dias, um após o outro, em branco.

