Um texto recente da Mamã, acompanhado de uma certa conversa 'gasolineira' de há dias, veio suscitar em mim um aprofundar de certa matéria que já venho a pôr os olhos em cima há uma data de tempos; quer em revistas, jornais ou em conversas tidas com outros pais.
''Quality time''.
É o quê, concretamente?
Todos concordam que deva existir.
Todos sabemos o que significa 'qualidade', e o que significa 'tempo', mas quando se trata de exemplificar este 'modo de vida', é que já não concedo que exista concordância da minha parte.
Não me venham com horários estipulados para se ter 'quality time' por algum psicólogo que provavelmente nem filhos tem, como quem determina o horário mais correcto para se jantar, brincar ou deitar.
Estou ciente que existem tarefas para as quais convem que sejamos pontuais--mas se porventura o não podermos ser, há sempre uma alternativa; se o autocarro passou, vamos a pé.
A flexibilidade evita muitas artérias congestionadas.
De maneira que, da minha boca, nunca os miúdos ouviram nem ouvirão a sentença ''Let's have some quality time together!''.
Mas não é preciso que eles me peçam para me sentar com eles na berma da estrada a ver o tempo mudar a cor das folhas, ou para lhes esfregar a cabeça enquanto fazem os trabalhos-de-casa, nem de resmungar com eles quando deixam as pastas e os casacos espalhados pelo chão da casa, ou deitar-me com eles--nem que já sejam adultos--até que adormeçam.
Dou-lhes tudo isto e muito mais. Só não me peçam para trespassar a vida com o percurso rígido dos ponteiros.
quinta-feira, outubro 27, 2005
O tempo perguntou ao tempo quanto temp...
quarta-feira, outubro 26, 2005
Sobre livros
São tiradas destas que me mantêm presa a uma leitura, sempre à espera de mais:
<< His writing was a mechanical game, a solitary pondering on his own errors, but it was not--he thought--''creation'', for creation had to be inspired by love of someone who is not ourselves.>>
Umberto Eco in Foucault's Pendulum
segunda-feira, outubro 17, 2005
Fantoches e fantochadas
Não tinham as vozes alteradas.
Não pertubaram ninguém nem provocaram distúrbios - pelo menos a partir deles para o todo cá fora. Se nasceu algum distúrbio, foi só na mente de certos 'mirones'.
O único aspecto a apontar-lhes, seria sido de que não é permitido comer naquele local; somente a partir das caixas de registar. Assim lhes foi avisado.
Ou porque não gostou da cor verde do cabelo, ou do estilo 'dreadlock', ou então até das vestimentas e mochilas avolumadas, chamou o gerente os seguranças.
Não um ou dois, nem três ou quatro, mas seis!
Se calhar um para cada interveniente do caso. Sei lá bem, eu.
Lá dizia o sujeito '' I don't want them here again if they're not students... No, they're not allowed . Standing inside here eating, it's not allowed...''
Enquanto falava, abanava a cabeça muito peculiarmente, quase sem mexer o resto do corpo, como se de um fantoche se tratasse.
E a sua reza prolongou-se e apagava-se à medida que eu me ía afastando da caixa, do homem, dos seguranças. De tudo.
Sentada aqui ao longe admirei a cena sem saber qual o resultado imediato, e, secretamente, desejei que fossem estudantes.
quarta-feira, outubro 12, 2005
Lentes de Contacto XVI
Enquanto espero pela vindima, ando aos cucos por outras bandas (ou a enfardar de palha para o Inverno).
quarta-feira, setembro 28, 2005
Dois casos a medir
Vêm por Dose e a Metro. Diária e gratuitamente desde há uns meses para cá.
Dois jornais (!?) a encherem as ruas, literalmente.
Não andei na recolha do lixo, nem formulei gráficos de entrada de dados, mas, a peso de olhos, diria que existe para aí um aumento de 90% de sujidade por todo o lado onde se diz ser superfície.
As pessoas são as mesmas, o que mudou parece ter sido o 'poder de compra'.
Este já estava esquecido
Por ironia, ou se calhar não, o feriado de Labour Day marca o regresso à aprendizagem rotineira, o fim sazonal das noitadas a cinco, o ouvir de novo o tic-tac de algum relógio atirado há meses para um canto.
A linha de montagem volta a rolar.
Mochilas alinhadas no cabide da cozinha e lancheiras enfiladas no balcão à espera de serem atestadas. Este é o primeiro ano em que elas atingem o expoente máximo na conquista ao título numa competição que lhes é completamente desconhecida.
Não lhes quero abrir os olhos; quero que eles o saibam fazer por si mesmos e que eu saiba onde traçar a linha, aquela que separa a minha da vida deles.
quinta-feira, setembro 22, 2005
segunda-feira, setembro 19, 2005
sexta-feira, setembro 16, 2005
Da gaveta de dentro - III
Há pessoas com um espantoso poder de síntese.
Num só olhar transmitem anos de frases amarelecidas pelo tempo.
(escrito hoje; a visão é de algures, no futuro)
quinta-feira, setembro 08, 2005
The twilight zone
We're sorry, the number you have reached, is not in service. Please check the number or try your call again. This is a recording.
Segundos antes, tinha, eu mesma, levantado o ascultador para atender uma chamada vinda desse mesmo número. É certo que não houve voz do outro lado, mas senti o telefone ser pousado após uns segundos a ouvir-me dizer Hello.
Será fiável o serviço de Call Display?
sexta-feira, setembro 02, 2005
Sepia
Quando o mais pequeno monossílabo emperra e custa a sair; quando o abandono às palavras se troca pelo abandono delas, os olhos insistem em se cravar no tecto branco de relevo picotado, onde se desenham todas as obras imaginadas, entrecortadas com a sombra do dia.
Enterram-se no branco do tecto à espera de ver folhear os dias, um após o outro, em branco.
Olho de vidro
quarta-feira, agosto 31, 2005
Out of the blue
- Mã... is my anus really out there?
- Huh?... não! 'tá aqui, ó... (e dou-lhe uma palmadita no rabiote)
- No, not that one. I mean the planet...
- (risos)
(pela sequência do pensamento do David, deverá ler-se 'myanus', tudo pegado)
terça-feira, agosto 30, 2005
Paraíso II
sexta-feira, agosto 26, 2005
Terra digital
Para quem gosta de voar, uma outra escolha para além do Google Earth:
Esta aqui
Bastante mais restrito nas opções que nos dá, com uma resolução que me deixou bastante a desejar por mais; tem, no entanto a vantagem de nos deixar sobrevoar livremente em qualquer direcção sem termos de clicar continuamente no cursor.
A minha escolha recaiu em Veneza. Foi aí que comecei o meu voo.
quarta-feira, agosto 24, 2005
Via larga
segunda-feira, agosto 22, 2005
Paraíso
É ter como colchão um fio de água que dá ao corpo a ilusão do levitar, e como agasalho este manto de estrelas que se desdobra noite fora perante o olhar.
São tão somente mnemónicas celestiais.
A ursa pode virar tenda de circo e o pastor faz bolas de sabão com o cachimbo.
São tão somente tudo aquilo que desejamos que elas sejam.
Em Arcturus é onde tudo começa.
É lá onde o meu olhar poisa primeiro todas as noites.
O meu ponto de encontro com a noite e na noite, onde vislumbro desenrolar um lindo fogo de artifício.
Ou será alguém que envia mensagens luminosas galáxia adentro?
Foto em
sexta-feira, agosto 19, 2005
Versehaikando
O saltitão de capa preta.
Dali para aqui, daqui para ali
Encosta-se perdido à pena.
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Adenda encolhida* à pressa:
«Thine creaky grotesque phallus is freaked out by some firm watermelons»
Vers n°74158 created by revert to the ways of old, loplop, Woab, pt001, riacho on the 19/8/2005
* Não é "escolhida", é mesmo aquela.
terça-feira, agosto 16, 2005
sexta-feira, agosto 05, 2005
Se a Mattel descobre
Cá em casa, as Barbies, ao fim de poucos dias acabam, invevitavelmente, no fundo de uma caixa qualquer, encostada a um canto, todas elas sem excepção, completamente despidas, desgrenhadas e por vezes até com uns cortes de cabelo bem 'avant-garde'.
Resumindo planamente: Esquecidas.
Orgulho-me de nunca ter gasto um único cêntimo na compra de semelhante 'brinquedo'.
Colecção Verão 2005 - "Rolo e Papel"
Colecção Verão 2005 - "Pipecleaner"





