terça-feira, agosto 02, 2005
sexta-feira, julho 29, 2005
Baú de recordações I
Pouco levamos de peso na mochila: Muita amizade entre nós, audácia a multiplicar por dois, bom senso que baste, espírito de aventura para dar e vender.
O objectivo era chegar a Cerveira ainda de dia e assim o conseguimos.
De bloco-notas em punho, assinalávamos cada curva do caminho, cada gargalhada entre nós e a tristeza de não termos tido a companhia do terceiro elemento do grupo. Passaríamos muito facilmente pelos três-da-vida-airada se ele tivesse podido ir, como estava planeado, para finalizarmos em pleno o fim dos estudos e o começo do superior para alguns de nós. O culminar de um ano cheio de cumplicidades que se arrastam até os dias de hoje, com muito carinho.
A primeira boleia - que melhor poderiamos ter senão um camião? - levou-nos a cobrir uma boa parte do caminho, não posso agora precisar até onde.
Vou ver se descubro a metade do bloco que me coube para reviver um pouco mais de perto o último mês passado em terras lusas.
Vila Nova de Cerveira, 8 de Setembro 1988
sábado, julho 23, 2005
Objectos voadores bem identificados
Eu sei, soa bastante a mainstream.
Mas eu gosto.
Has someone taken your faith?
Its real, the pain you feel
The life, the love
You die to heal
The hope that starts
The broken hearts
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
(Foo Fighters)
Muito atabalhoadamente saí-me com esta: De que a razão pela qual o Canadá, sendo o único país na "lista" de Bin Laden que ainda não foi atacado, poderá dever-se ao facto de que uma grande parte deles (terroristas) serem aqui treinados (gargalhadas internas), ou então porque este manancial de terra é um bom escorregão para as fronteiras americanas.
Houve quem não gostasse muito da minha primeira maluquice. Paciência.
Também eu não suporto pés que arrastam sem cansaço e mentiras de embelezar a aura, e no entanto, engulo-os.
quinta-feira, julho 21, 2005
Um 3M Post-it® escuro
(para me refrescar a memória futura)
Muito estranho.
Foram inscrições que desapareceram para dar lugar a uma só. Esta:
"Rip and encoded by Anton 200"
Pois então. Repousem em paz, onde quer que estejam.
Mas que estou muito intrigada, lá isso estou.
quarta-feira, julho 20, 2005
segunda-feira, julho 18, 2005
Com esta data
Completa-se mais um ciclo.
O quarto-que por sucessão, até é, na verdade o terceiro-ângulo deste meu círculo que culmina no vértice que sou eu, por enquanto, sentada no cume com uma cana de pesca.
Sim, os meus círculos têm ângulos, linhas, estendal com fartura e molas a acompanhar. Têm tudo o que eu neles imaginar.
Foi neste dia que mais um homem de fibra apareceu na minha vida, para ficar.
É Homem-Aranha, Superhomem, Homem-Elástico (se ainda não existe um, passa agora a sê-lo ele), todo ele sorriso, todo ele beijo lambuzado num perfeito 'O' alinhavado com a língua.
(e mais não digo que a baba já não deixa escrever mais)
sexta-feira, julho 15, 2005
O tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O
tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O t
édio. O tédio. O tédio. O tédio. O té
dio. O tédio. O tédio. O tédio. O téd
io. O tédio. O tédio. O tédio. O tédi
o. O tédio. O tédio. O tédio. O tédio
. não há brecha que se vislumbre.
O tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O
tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O t
édio. O tédio. O tédio. O tédio. O té
dio.
quinta-feira, julho 14, 2005
Tempestade de Verão
São as minhas noites preferidas das noites quentes de Verão.
Essas que são tocadas, por horas a fio, pelas mãos do gigante tristonho e gentil.
Um violoncelo ou um violão.
As linhas horizontais, essas sim, as predilectas. Paralelas ao fio do horizonte, a uns 30, 40º deitadas ao longo dele.
Encasulo-me em frente à janela porque o momento é magnífico e ofuscante; aquele que me remete à minha insignificância, à minha pequenez e me embala num sono acordada.
Cansado o gigante, sente-se o ribombar terminar gradualmente para dar lugar ao violino da chuva, cadenciado, gracioso, como se fora lido na mais perfeita pauta de música.
Foto daqui.
segunda-feira, julho 11, 2005
Lentes de Contacto - XIII

Enquanto as notas de Chasing blue sky ressoam continuamente, evocando sombras enlaçadas a um tempo incerto.
sábado, julho 09, 2005
Hemoglobina
Estendi-lhe o braço e repousei-o no braço de madeira que lhes facilita o trabalho.
Se bem que eu e agulhas nunca tenhamos jogado de bem - nem sequer as de crochet, que custam a sair uma vez enfiadas - nunca tinha sentido aquele receio.
Acho que foi a antecipação.
Eu vi-lhe nos olhos dela. Vi a despreocupação de quem não é meiga a enfiar; os gestos que indicam o 'despacho'.
A minha desgraça é essa: a antecipação.
E mais uma vez, fez 'trrimm'. Doeu.
Com os olhos cravados num poster em frente "how to be a good parent" (ironia das ironias), ouço-lhe a voz que me pergunta se estou bem, que me acha tensa e que relaxe.
"Relaxe", foi como uma ordem e involuntariamente obedeci.
Assim que relaxei, diz-me ela, o sangue começou a correr; de outro modo nada saía.
Estranho. Nunca tal me tinha acontecido.
O duplo A em relação ao poder inconsciente da mente: Assusta-me e atrai-me.
Cerco ou acerto
Numa era, como a nossa de hoje, em que transpiramos tecnologia por todos os poros, fica difícil de acreditar que se possa estar tão isolado do mundo que nos rodeia, do modo como eu me entrego por inúmeras vezes.
Não fora a curiosidade em saber a razão de ser do "Em Estado de (rosa) choque", e não teria ficado a par dos acontecimentos londrinos tão cedo.
Estará o cerco a cerrar-se?
Será que no próximo alvo, vou ter conhecimento dele de um modo mais imediato?
E depois pus-me a pensar: Será que os africanos necessitados saberão o que é o Live 8?
terça-feira, julho 05, 2005
Lentes de Contacto - XII
A ausência.
O trampolim imprescindível para se alcançar, de mão dada, lado a lado, o desconhecido.
Saltemos.
segunda-feira, julho 04, 2005
Na troca de dor de dentes
Resultou isto:

Deve ir desvairado da vida por esses confins fora, pobre coitado.
Meterem-se assim, deste modo abrupto, com a sua existência.
Era bom que os patos tivessem um dia licença para caçar quem o merece ser.
quarta-feira, junho 29, 2005
Lentes de Contacto - XI
No one can hear me, ’cause no one is around
But I still hear your whisper in the dark
I know I can go, I know I can leave whenever I please
But time is a jailer for me
(...)
I shut out the light
Alone in the dark
This time of night
Is the hardest part
(...)
Time is a jailer - Anouk
Ao sabor da roda
Tomei aquela que fica a Sul, virei na direcção Oeste e regressei pela que fica a Norte, desta vez com rumo a Este.
Com alguns pequenos ziguezagues pelo meio, perfiz um grande "U" de hora e meia a pedalar. Com o objectivo alcançado, o rio, saborei o ar da noite mais agradavelmente fresco daquelas paragens, o cantar dos patos bravos entrecortado pelo de alguns cisnes, que fazem das margens a sua moradia.
Ponte sobre o Rio Rideau @ Montreal Rd
Nota em suspensão permanente:
Ainda não consegui que alguém me desse uma explicação lógica, porque razão todos os edifícios governamentais, todos sem excepção, mantêm as luzes acesas durante toda a noite.
E não. Ninguém trabalha todas essas horas extras.
É algo que me causa espanto há já quase dezassete anos.
segunda-feira, junho 27, 2005
Mega Notícias
Teria eu ouvido 'west coast' e percebido 'east'?
É possível.
Mas também o é que tenha percebido perfeitamente bem.
E se assim o é, fico a magicar como podem ter feito assim um salto tão enorme, após terem traçado profecias sobre algo por vagos segundos, sem sequer aprofundarem as razões porque o fizeram.
Eu compreendo que a necessidade de atrair massas seja, possivelmente, ainda maior que a atracção que existe entre macho e fêmea - e nos dias que correm, nem só entre estes dois espécimes - mas há que manter uma certa coerência nos factos que se apresentam.
Nem tampouco ouvi mencionarem terramoto algum.
Lituya Bay - Alaska
Nota: Mega tsunami de ondas gigantescas que atingiram a elevação máxima de 516 m na Baía de Lituya no Alaska, a 9 de Julho, 1958.
sábado, junho 25, 2005
Ranunculus
Foi naquele sábado que me decidi a ir. Já me andava a prometer aquele encontro há bastante tempo, e numa inesperada onda de euforia, qual adolescente antecipando o seu primeiro encontro, larguei mão de todas as tarefas a cumprir - umas 2, 3 horas, não fariam diferença, pensei.
A verdade é que já o namorava, à distância, há uma data de tempo. Fiquei-me por uma eternidade, naquela relação platónica, a do olhar, a do voltear a cabeça e pensar "quando...?".
Aquelas horas que se iriam seguir, seriam só minhas e dele; de mais ninguém.
Foi um dos primeiros a ser construído, aí por volta de 1949, na cidade do pós-guerra, com aquele glamour ainda visível nas fotografias espalhadas um pouco pelas paredes. Ainda conserva, e ainda bem, bastante da sua originalidade, não se aliando aos avanços da tecnologia: nada de cartões de crédito ou de débito, só a pronto pagamento.
Estaciona-se na rua, onda calha, sem direito a um actual costumeiro mega-estacionamento, práticos, sem dúvida, mas enfadonhos, monótonos até dizer chega, como quem estaciona o gado para a matança.
O cheiro a mofo, a antigo, impera no local e para o toque final assim que assentamos o olhar no todo da sala, deparamos com aquela portentosa cortina vermelha (sim, de tecido e não plástico!).
Só as pipocas me desiludiram.
Não que estivessem rançosas ou fossem moles, simplesmente porque nem deveriam de lá existir. Nunca compreendi como é possível alguém gostar de assistir a uma sessão e metralhar os dentes ao mesmo tempo créc, créc, créc, créc!
É como fazer amor e crochet ao mesmo tempo; nem se aprecia um, nem o outro, em todo o seu esplendor.
"The Ballad of Jack and Rose" foi o escolhido.
Era o último dia de exibição, de modo que me presenteou com um bom número de cadeiras vagas à escolha, e por conseguinte, muito poucos disparos pipoqueiros.
Foi muito bom rever Day Lewis. Mais maduro que naquela época, mas a sua postura muito própria, continua a crescer pela positiva.
Ele é, para mim, sinónimo de uma viagem de comboio, dum encontro à entrada num qualquer cinema do Porto, de Kundera, do entrelaçar de mãos, da pele morena sob o vestido de aldogão amarelo, do cheiro a maresia com o conversar sobre o filme entrecortado de beijos dados sem promessa alguma...
Daqui a uns idênticos 17 anos, os mesmos que me distanciam desse Lewis, serão outras as lembranças, muito diferentes, é certo, nas quais predomino eu como personagem principal. Acho sempre triste sair do cinema sem ter com quem trocar impressões vivas do momento ainda quente, mas foi uma experiência fantástica ter ficado na incógnita, e invisível ao mundo que me rodeou enquanto o filme rodou.
Há que repetir a façanha e de preferência no horário nobre: o da noite.
sexta-feira, junho 24, 2005
Lentes de Contacto - X
Quando os sonhos se vão
as lágrimas tomam o seu lugar,
fertilizam solo
para uma nova vaga de sonhos,
mais maduros,
mais tangíveis,
mais reais.
terça-feira, junho 21, 2005
Pedido bizarro
Era uma sala cheia de gente, que poderia ser um café, uma classe, uma festa, um amontoado de sons. Ouve-se um toque, repete-se, remexem-se mil bolsos e, mesmo sabendo que não era o seu, todos o abrem e encostam ao ouvido. De volta ao bolso com um ar desiludido, aquelas mil caixas de fósforos.
Há um braço que se estica no ar, um rosto que se assemelha ao da minha mãe e me diz "É a tua mãe".
Fico confusa.
"Sim?"
Afinal a ligação era uma tele-conferência(*) a três menos um, pois a voz da minha mãe nunca a cheguei a ouvir. Só a dele. Tão nítida como nunca a tinha ouvido sob tal estado. "Escuta", ou teria sido "Ouve", não importa agora; o pedido sim, esse é que me deixou ainda mais perplexa. "Quero que me pintes um biombo", pasmada, cada vez mais pasmada, "pintado como aquele quarto..." (qual quarto, penso agora eu?), "sim, aquele de que já falamos".
E eu que sim, que me lembrava perfeitamente.
Naquele instante a memória é mais elástica que nunca, lembra-se de todo o pormenor, passado ou futuro.
Aponto medidas, esboço traçejados e nisto sinto a voz que se vai.
Chamo por ele mesmo sabendo que já não me ouve, mas estranhamente, o nome que sai não é o dele. É o do irmão.
Regressa o barulho que até então se tinha espantosamente esfumado. Olhos que se apontam para mim.
Sobressaltada, vejo a custo as horas, quase oito, estou atrasada. Os pés de chumbo arrastam-me os ossos doridos e músculos fatigados.
É sempre assim que me sinto após uma noite fértil.
(*) palavra inventada por necessidade fantasiosa.
sábado, junho 11, 2005
mea petra e non culpa
Ao todo são doze.
Aí pelo quinto, sexto já se começa a sentir o frescor, o enlace húmido nos dedos, nos tornozelos, nos joelhos...
Ah! Pedras, benditas pedras.
Como vos amo.
quinta-feira, junho 09, 2005
Sombras na parede
Era deste modo que os adormecia.
Cabiamos todos juntos, à mão cheia na mesma cama, os cinco bem à larga, tal era o tamanho aconchegante dos seus corpos. Criou-se uma rotina suave, melodiosa que incitava o cair pesado das pálpebras.
Bryan Ferry soava na minha mente e eu ressoava o som para eles, ali no quarto.
Take the ribbon from your hair
Shake it loose and let it fall,
Lay it soft against your skin
Like the shadows on the wall
Come and lay down by my side
Till the early morning light.
All I'm taking is your time
Help me make it through the night
Com o passar do tempo a rotina mudou, e esse som desapareceu aos poucos, dando lugar a outras rotinas mais próprias ao avançar da idade deles.
Ontem relembrei-me desses minutos ao fim do dia e o som saiu de novo.
Mas o David...
- Mã, please. Stop singing. My eyes are wet...
quarta-feira, junho 08, 2005
Convergere
Entre pesquisas googlianas que cá deram à costa e os meus pensamentos-bolha, convergiu esta minha ideia de comemorar este dia.
6, 7, 9 ou 10.
De pouca importância se reveste ser um dia preciso. O essencial são as memórias que abrangem esta data.
O que, ou quem, pretendo homenagear, paira-me à volta revestido de uma certeza indecisa.
O que sei ao certo é que este dia, e os que o circundam, me são por demais importantes, pois gravaram em mim lições inesquecíveis, as quais levarei encadeadas a todas as outras pelos meus dias adentro.
Assim como nascem, assim se vão, as flores que desabrocham no jardim. Intactas.
Saboreio-as com o olhar, deixo que vivam os seus dias sempre presas à terra que lhes dá força e aprendo com elas, o que cada uma tem a ensinar.
No fundo esta dedicação vai para as flores com que me tenho cruzado na vida; aos acasos fortuitos, inesperados e inesquecíveis que esta vida me tem presenteado.
segunda-feira, junho 06, 2005
SadMan
Costumava fazê-lo nas sombras com que se revestiam as paredes, no picotado do cimento em qualquer superfície, nos azulejos onde fixava o olhar, nos nós e tracejados da madeira, mas nunca nas nuvens.
Até hoje.
Foi uma questão de segundos somente, mas bastou para que o visse.
Show me the world, SadMan.
domingo, junho 05, 2005
Procurando o arco-íris
Chega sempre assim.
Tão súbito como a sua partida.
Traz sempre consigo temperaturas escaldantes e húmidas, trovoadas repentinas com chuvadas entremeadas, e o chorar das gaivotas pela falta da maresia.
Never a dull moment!
quinta-feira, junho 02, 2005
Ecos
Á medida que a temperatura descia pela noite dentro, e o bafo de ar se tornava visível, o cheiro da caruma a queimar ao relento e o seu distinto crepitar que lança pirilampos pela noite fora, emergiam, da escuridão da memória, em proporção inversa à descida, certas passagens antigas "Quantas camisolas trazes hoje?", "Quatro!", "Ah... eu tenho cinco!!... e meias?".
E a geada pelas manhãs no vale do Ave.
Ecos desaparecidos de um tempo, reunidos no baralho de âmbito alheio.
Memórias em que os olhos se estendiam na passadeira do futuro, encontraram-se ali, neste tempo onde os olhos se voltam para a escadaria do passado.
Em quase nada se relacionam senão pelo ser comum.
Misturas num (e de um) caldeirão que, ora aquece, ora arrefece.
Bon Echo
segunda-feira, maio 30, 2005
sexta-feira, maio 27, 2005
Novo ponto de referência
Das mesmas mãos de onde saiu Arch of Hysteria, recebemos de presente 
Maman e os seus vinte e seis ovos de mármore.
Algo como 9.25 metros de bronze e uns $3.2 milhões (e não falo de teias).
press release
Maman ao vivo.
quinta-feira, maio 19, 2005
Expressões
Caixas de cartão empilhadas, árvores artificiais com luzes e paineis, uma dezena de altifalantes de um palmo quadrado, 5 de cada lado das paredes de um corredor a soltarem gemidos diferentes; tudoisto para mim não tem nenhum significado.
Mas se calhar sou eu. Sem a sensibilidade para lhes apreender a beleza que possam ter.
Por isso achei como mais conveniente e atribuí esta minha medição privada, baseada no que cada obra me transmite, sem olhar muito a críticas profissionais.
O sentir-me bem com o que vejo.
Um bem estar perante a composição defronte de mim e procurar retirar dela alguma aprendizagem da época em que foi idealizada e trabalhada.
Aprecio obras nas suas mais variadas inclinações, mas tenho uma verdadeira paixão pelo Surrealismo e pelo Impressionismo.
Em relação ao primeiro, aproximo-me o mais que posso para assimilar cada detalhe na sua minúcia; e ao segundo, afasto-me, para lhe poder extrair toda a beleza de um olhar só, como me convém.
Sempre que posso, dedico-me ao museu mais perto que houver. Nesta minha última incursão, apanhei esta preciosidade. Quem diria que esta posição seja tão apreciada.

Arch of Hysteria (1993) por Louise Bourgeois (Paris)
bronze, silver nitrate patina
domingo, maio 15, 2005
In the arms of god
Sim, a redenção tem sido lenta mas segura e sobretudo exercitada num fluido de extrema ventura, desde aquele grito "CLARO QUE TINHA QUE ME PICAR!"
Hoje o olhar recaiu sobre a página L4. As mais recentes gravações ali estavam e mesmo em foco, uma foto de Pepper Keenan em perfeita harmonia com a sua guitarra.
O novo som saiu e, segundo os entendidos, muita da qualidade das 4 sobre 5 estrelas, por muito estranho que possa parecer à primeira vista, se deve à revolução de George W. do após 9-11.
imperial hubris
unholy oxymoron
infinite contadiction
become the enemy and soon defeat yourself
(C.o.C. - in Infinite War)
They couldn't have done it without you, George W.
sábado, maio 14, 2005
Criando asas
Quero ir para Portugal criar galinhas no campo.
É este o mote de abertura idealizada. E de fecho, já agora. Sim, porque nestas coisas de decisões pesadas e contra-pesadas nos túneis sinápticos ao longo de tanto tempo, eu sou muito côdea e pouco miolo.
Nunca fui muito de pregar a vertebrados aquáticos, de modo que criar penas para conforto da alma parece-me ser a saída mais adequada.
sexta-feira, maio 13, 2005
Lentes de Contacto - IX

- Conto-te sim da batalha de Aquinara, se me contares o que fizeste com os aneis de Urano...
terça-feira, maio 03, 2005
Desequilíbrio
Nem sei que lhe chame.
Se hipocrisia, se inconsciência ou insensibilidade, se pura e simplesmente estupidez absoluta.
A conferência focava a FOME algures em África; as imagens que lhes meteram pelos olhos dentro, ainda eles mal se sentavam, não deixaram margem para dúvida. No entanto, o resto de comida que raspei dos pratos nessa noite, deixou-me um amargo cá dentro.
Os pratos da balança continuam porcamente empilhados de um lado e tristemente vazios do outro.
Miradouro a roçar a saudade
É procurar uma vida inteira por aquele embrulho onde o ser e estar contíguo, mútuo, se interligam, se equilibram, nos bons e maus momentos. Uma corrente dentada onde o encaixe de um é o receber do outro e vice-versa, sucessivamente.
É o chegar a pontos de visualizar que se encontrou essa engrenagem. Ali, mesmo em frente. Inconfundível.
Saboreia-se esta pequena vitória furtada ao acaso, com um esgar de dor cruzado com um sorriso bálsamo. Sente-se a frescura das nuvens que nos roça a face.
É um atirar de areia aos olhos, que nos confunde os sentidos. O pedestal-que nunca existiu-desaparece, para me ver de novo na estaca zero. Só que desta vez o zero está mais fundo. Muito mais fundo. E o chão que piso é mais movediço que nunca.
Não durou mais que uns segundos ou anos. O tempo dispensado é irrelevante.
Na memória ficou para sempre marcada essa dentada.
É fodida, a procura.
Mas mais fodido ainda é já não haver mais alento para procurar.
quinta-feira, abril 28, 2005
Numa nébula (eu)
Last time I talked to you,
you were lonely and out of place.
You were looking down on me,
lost out in space.
Laid underneath the stars,
strung out and feeling brave.
Watch the riddles glow,
watch them float away.
...
I know you're out there,
somewhere out there.
Our Lady Peace
foto daqui
quarta-feira, abril 27, 2005
Bem...
... é que isto tem certos contornos que são, no mínimo, indescritíveis!
Já não me acontecia há um ano, mais ou menos.
Voltou-me a acontecer hoje, precisamente quando abro o 'word' para escrever o post anterior.
Resta dizer que utilizo esse programa bastantes vezes, mas neste prazo de um ano, tal não voltou a acontecer até hoje.
Eis a mensagem:
"You should never dive into murky waters."
(...)
A outra mensagem não era idêntica a esta.
São Malaquias
Já lhe dei umas voltas, não muitas porque me é difícil observar com precisão a veracidade ou não de tudo isto, mas algumas, e ainda não consigo ver qual a relação que existe entre «Gloria Olivae» e o homem que personifica Bento XVI para que se possa afirmar com tanta convicção que a profecia foi, de novo, cumprida.
Serei só eu a não ver?
Outro aspecto em que me detenho:
- Se as profecias estão ao alcance de todos aqueles que votaram, não será natural que queiram proceder em harmonia com as ditas, para conferir à igreja os seus dotes de sobrenatural?
Se formos a crer então, na veracidade destas profecias, estamos perante o fim de algo.
Algo que, como é costume numa profecia, nunca é devida e objectivamente indicado--como convém e mandam as "regras"--para que a vestimenta possa servir em vários corpos.
Não quero com isto refutar tais profecias--não acredito nem deixo de vir a acreditar.
Só quero é ver mais claramente algo que se me depara turvo.
Mais aqui.
terça-feira, abril 26, 2005
The Sphere
Imaginei agora mesmo outra face neste berlinde enorme onde vivemos.
Uma face que nunca sentiu rasgarem-se em si as descobertas marítimas:
Portuguesas, espanholas, holandesas, inglesas ou...
Nenhuma existe neste momento imaginado.
E nesse meu ver, a visão é: SUBLIME.
segunda-feira, abril 25, 2005
quinta-feira, abril 21, 2005
Ajuda é precisa (e muito!)
Em relação a ler jornais ou revistas, eu tenho uma peculiaridade--e digo isto porque nunca me cruzei com mais nenhuma alma que assim o faça--que é o seguinte: começo sempre pela última página.
Não compreendo muito bem esta minha maneira de ser, mas não estou de momento interessada em aprofundar o assunto.
Ora, numa das minhas últimas excursões "magazineiras", deparo-me, logo ali na contra-capa, com esta foto que mais abaixo insiro.
Não deixa de ser interessante o facto de mudarem a secção 'Comics' (de uma revista que nem sequer a tem!) para tal posição de destaque.
Transcrevo aqui uma pequena parte do anúncio, mas para quem tiver maior curiosidade e, quiçá, queira alargar os cordelinhos da sua bolsa e socorrer tais famílias necessitadas, cá vos dou a passagem.
"Through Unmet Needs, families receive aid for things like home and auto repairs, child-care, emergency medical expenses, even mortgage and rent payments.
(...)
100% of your donations goes directly to our military families in need."
NOTA importante:
Se por um acaso eu deixar de 'pastar' por aqui, agradecia que avisassem a minha mãe para vir tomar conta dos miúdos. Com tantos tradutores online, apesar de facciosos, nunca se sabe por que estepes se passeia este 'big neighbour' adorado.
segunda-feira, abril 18, 2005
Cadeia de Literatura
Pelas mãos do Manuel, veio aqui ter uma das pontas desta corrente.
Não duvido que ajude quem nos lê, a ter mais um pouco de conhecimento a nosso respeito.
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
- Muito sinceramente, não me consigo ver a memorizar letra a letra o conteúdo de um livro, como forma a resistir contra o 'sistema'. Lá haveria de arranjar maneira de lutar contra ele de uma outra forma.
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
- Nem por isso. Tenho, por vezes, vontade de lhes mudar o rumo dado pelo seu autor, mas nunca a pontos de me deixar apanhar por um personagem. Deixo isso a cargo dos da realidade.
Qual foi o último livro que compraste?
- "Lady Oracle", de Margaret Atwood por imposição escolar.
Qual o último livro que leste?
- Um livro infantil de nome "Big Al" sobre um peixe muito amigo mas de aspecto assustador, de quem todos os outros peixes costumavam fugir com medo.
Que livros estás a ler?
- Comecei o de L. Antunes "Eu hei-de amar uma pedra", mas está em fase de ponto-morto e leio também uma compilação de 'short stories' com nomes que vão desde Edgar Allan Poe, passando por James Joyce, Nathaniel Hawthorne, Herman Melville, Steven Leacock, Alice Munro, entre muitos outtros, e acabando em Russel Smith.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
- Gostava bastante de ler Miguel Esteves Cardoso (qualquer um dos seus livros), mas não tem necessariamente que ser numa ilha deserta. Se bem que num local desses, duvido que me dedicasse inteiramente à leitura, preferindo, de longe, explorar o local.
A quem vais passar este testemunho (3 pessoas) e porquê?
- Passar, eu passo, só não sei se teremos algum feed-back :-)
Portanto, as minhas pontas passo-as:
- ao Dragão;
- ao Scum e
- aos Tapores (qualquer um deles ou até todos ao mesmo tempo--seria lindo ver tais respostas agrupadas).
Porque lhes aprecio bastante a escrita. São três estilos completamente diferentes.
Uma lição
Aprendi-a ontem.
Uma lição a aplicar em qualquer relação amorosa ou de 'encosto'.
Algo que já deveria ter vislumbrado há pelo menos uns nove anos, o que me teria poupado muitos dissabores e montanhas de desilusões.
Nunca deveria envolver-me numa união, que não tivesse tido o seu começo com base na agressividade.
Não necessariamente gerada entre os dois intervenientes (também, mas não obrigatoriamente) dessa futura união, mas sim que servisse de palco a esse primeiro encontro.
Só assim se saberia se as posições tomadas por cada um dos dois, face à tal agressividade, se coaduna ou não um com o outro e isto é, a meu ver, de desmedida importância.
quarta-feira, abril 13, 2005
São estados
Sinto-me pequena.
Minúscula.
A pedra que um dia fui--ou pensei ter sido--desfaz-se a passos largos em pó.
Olho em volta e o que mais vejo são seres que se dizem alados.
Com elas quebradas, inteiras, no descanso, em todo o seu esplendor ou cansadas de se propalarem, mas têm-nas, as asas.
Sentem-se pelo menos donos e senhores delas e não se cansam de exaltarem com toda a força essa sua capacidade peculiar.
Retraio-me sobre mim mesma, tal é a inferioridade que me esbate, perante tais vantagens.
Eu não tenho sequer uma única pluma que me dê esperança de um dia poder, também eu, desaparecer no ar em pleno voo.
É só um estado.
Mais um que atravesso.
Umas valentes horas a esfregar, tratar de roupa suja--pilhas infindáveis dela--refeições, trabalhos-de-casa, operações, acarinhar após quedas, acarinhar mesmo sem cair, etc, etc que até me assusto com a lista que já antevejo... farão com que adie, de novo, mais um pulsar freneticamente rítmico do que eu, no meu estado mais íntimo, sou.
terça-feira, abril 12, 2005
sábado, abril 09, 2005
segunda-feira, abril 04, 2005
sexta-feira, abril 01, 2005
quinta-feira, março 31, 2005
Lentes de Contacto - VII
There's nothing to lose
When no one knows your name
There's nothing to gain
But the days don't seem to change
(Billy Talent)
terça-feira, março 29, 2005
E se...
Quantos "se's" já foram um dia pavorosos, abalaram completamente a fundação do pensamento colectivo da época e, no entanto, tornaram-se realidade aceitada como irrefutável?
Muitos. Não há dúvida disso.
Não sem antes provocarem bastante poeira e irritação em certas mentes.
Ontem dei de caras com este título num jornal: The Engineered Moon? Whoa!
Nunca tinha lido nada a respeito da Lua que apontasse nesta direcção, mas a julgar pela informação prestada em diversos web-sites que mais tarde andei a ler, até já é uma teoria com alguns anitos.
Não foi bem choque, o que senti. Foi mais admiração daquelas de queixo completamente caído aos pés (exactamente como nos desenhos animados--sou muito propensa a extremos).
Em termos muito largos, o artigo reza o seguinte:
Existem certos cientistas que defendem a teoria de que a Lua é oca, e que nem sequer se trata de um fenómeno natural, mas sim fabricado por... por alguém... alguma civilização deveras avançada.
É claro que não é fácil provar esta hipótese e muito menos convencer com evidência a crença estabelecida; isso seria rasgar com muitas das convicções que suportam a raça humana.
E quem é que está disposto a duvidar a esse ponto e a crêr em algo completamente oposto?
Que tipo de acontecimento teria que se dar para que tivessemos que repensar totalmente a nossa opinião?
No artigo em questão, encontrei também os tais sites que acima mencionei. Para os interessados:
Anomalias 1
Anomalias 2
Anomalias 3
Acima de tudo, acho que convém entrar com uma mente aberta e estar preparado para um olhar fresco sobre certas evidências.
De tal modo que até já esbocei uma certa especulação a partir desta teoria.
Só não me atrevo a explaná-la aqui, com receio de repercussões negativas. ;-)
E afinal, a Terra sempre é redonda e é ela que gira à volta do Sol.
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Nota: Enquanto os links não funcionam, cá ficam os endereços prontos a serem 'pastados'.
1. www.geocities.com/jilaens/moon.htm
2. www.anomalous-images.com/moon.html
3. www.hq.nasa.gov/office/pao/History/TM-3487/notes7.htm
sábado, março 26, 2005
quinta-feira, março 24, 2005
quarta-feira, março 23, 2005
(estou com pouca paciência para arranjar títulos...)

Esta é forma mais aproximada do que eu sinto para vos agradecer, a todos sem excepção (tivessem deixado comentário ou não).
Se é mariquice ou não, cago para isso.
Deixo-vos com um pouco do que me extasia.
(prometo que vou criar um blog alter-ego e não vos preocupo mais ;-) )
sábado, março 19, 2005
quarta-feira, março 16, 2005
Deixa de o ser, se lá se chegar...
Conseguir parir uma foto destas, é como ter a sensação de possuir por, nem que seja uns meros segundos, uma poderosa mão criadora.
Quando eu for grande, quero pertencer a este Clube.
terça-feira, março 15, 2005
Este meu homem
(foto aqui)
... fez anos ontem.
É só mudar o oito para quatro, o sentimento lá reflectido é o mesmo; o meu tempo livre é que nem sempre o é.
Só uma pequena nota para um possível esquecimento.
Com uma feição tão madura, esculpida naquele rosto que me apetece morder sempre que me abraça, disse-me:
"I just wanna stay little! I don't want to grow up"
(2/Mar/2005)
E eu rio (sim, eu sou louca pelo riso... posso não ter nunca dado a entender isso, mas sou) muito com estas saídas.
Rio de alegria e tristeza pela já maturidade do seu pensamento.
domingo, março 13, 2005
De falhanços a folhanços
- Have you ever failed?
- Never!... in school, that is. Although I did fail lots of times...
- What do you mean?
- ... in life. I failed in life.
- What was your biggest mistake? (tenho-me apercebido que, nesta idade, tudo é medido por extremos)
- Coming into this country (silencio) I had never told you this before, have I? (sorriso)
- No. ...why don't you go back?
- Because I can't. ... not right now.
- Why don't you like it here?
- I can't really explain it... it's just... not my place. (como a posso fazer compreender?)
- Why are you crying...?
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Uma hora e tal antes, e a propósito de lucky shamrocks e trevos de quatro folhas (que por sinal não são a mesma coisa).
- Why do they say four is lucky?
- I think it all has to do with your belief. If you really believe it will bring you luck, then it might indeed. Even it only has three, two or one.
One day, Avô gave me one that he had found...
- Did it bring you any luck?
- Yes. Luck with four names on it: Verónica, Jessica, Daniel e David.
E ela sorriu.

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Posto isto... à tua pergunta "Tás bem?", esta resposta é mais completa do que simplesmente "ponto-morto".
Se bem que as duas tenham exactamente o mesmo significado.
quinta-feira, março 10, 2005
E os passarinhos?
Aqueles que ficam por cá; os que não migram.
Como podem eles aguentar descidas escabrosas como a da noite passada?
O pior é o vento. O tal windchill factor. Que chega por vezes a dobrar a descida. Rasga-nos a pele exposta.
O bafo quente que nos sai do cachecol, permite o aparecimento de estalactites nas pestanas e nas narinas.
Acredito mesmo que exposição prolongada a frio deste, seja o fundamento de muita da loucura visível(*).
Adenda:
(*)E invisível.
terça-feira, março 08, 2005
Esta imagem persegue-me
Já há dias que andamos aos encontrões uma à outra, de um modo tão amiúde, que até me arrepia.

Marc Chagall, Birthday.
sexta-feira, março 04, 2005
quarta-feira, março 02, 2005
Um dia muito especial
Foi há 8 anos.
Há 8 anos que nos vimos pela primeira vez.
A bem dizer, eu vi mais que tu a princípio, mas a cada dia que passa é o teu olhar que vê cada vez mais e me alarga a visão.
Não foi um daqueles casos de amor à primeira vista. Não.
Não o foi porque eu já te amava há muito mais tempo.
Longe vai o tempo dos meus apontamentos a cada segundo da tua vida.
Longe vai o tempo do assinalar os teus marcos miliários.
Os centimetros que eram devorados pelo teu corpinho que se estica a uma velocidade louca, deixei de os apontar...
Tudo isso passou.
Ficaste tu.
Há de tudo entre nós: amor, raiva, ternura, zangas, cumplicidade, afastamento...
E é por tudo isto que és uma das pedras fundamentais à minha existência.
Nada do que aqui escreva conseguirá espelhar o forte sentimento que nos une; nem sequer fazer corresponder as palavras certas com a pessoa especial que tu és para mim.
Só quero que saibas o quanto eu te amo.
Tua sempre,
Mãe
(foto aqui)
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
Funcho
O desmembramento, esse, é contínuo, sádicamente pausado, pautado.
Deixo que ceifem, um após outro, pedaços de mim mesma, sem vacilar.
Não (só) porque me embriaga de prazer, mas sim porque esses fragmentos nunca foram realmente meus.
E na plaina do que me restar (se restar), vou por certo compreender-me mais facilmente.
Vendo-me despojada do supérfluo, a visão tende a clarear (... não?).
sábado, fevereiro 26, 2005
Diálogo entre filha & mãe
- What are you reading?
- "Life before man"
- But... that doesn't make sense!
- (gargalhadas despregadas)
Já há bastante tempo não me ria assim tão plenamente.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
The switch is On
Sou filha da noite.
Sempre fui.
Desde muito jovem.
Não tanto daquela noite de farra (também, mas sem comparação com esta noite).
Mentiria se dissesse que não sei bem o que me atrai ao silencio da negrura, no entanto não o direi; é algo de que não me disponho a partilhar (por enquanto).
Embora não sendo uma criatura do frio, confesso que as mais belas noites jamais presenciadas por mim, foram aquelas que deslizaram perante os meus olhos sob um frio inumano.
Não sei se pela luminosidade existente em tal oposição teatral, se pelo desejo de ares mais cálidos... mas definitivamente pelas sombras.
Pela objectiva, nada via. Limitei-me a apontar para onde achei que devia estar.
E estava.
PS: Apeteceu-me escrever este post em caracteres webdings.
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Time off
Não é que deva realmente interessar a alguém; serve mais como uma auto-imposição do que um aviso amigável aos que aqui me visitam.
Uma, duas, três... dias, semanas ou mêses, não sei.
Vou descansar (disto aqui).
Um beijo amigo a todos os que me têm vindo ler e ver. Até um dia destes.
Em relação ao casal de pulgas peludas...
... que atraíram o Vic, lembrei-me de salientar algo a respeito destes exemplares.
Quem não conhece Velcro®?
Esta tão versátil e indispensável ajuda no quotidiano (principalmente para quem tem filhos) emergiu após uma minuciosa observação das tais 'pulguitas'.
Corria então o ano de 1948, quando o suiço George de Mestral, após ter saído com o seu cão para um passeio pelos campos, chegaram a casa cobertos de 'burs' (quem sabe o nome disto em português?).
A partir daqui, fez-se história.
Poderão ler melhor a esse respeito em qualquer site destinado a invenções.
Esta página aqui, é um bom exemplo disso.
domingo, fevereiro 13, 2005
domingo, fevereiro 06, 2005
Frase que me vai provocar bastantes saudades:
- Mããaa... I'm done fazering cócó!!
Daqui a uns 50 anos!!!
sábado, fevereiro 05, 2005
O Sono
O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim.
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.
O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.
Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem? Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.
Meu Deus, tanto sono! ...
Álvaro de Campos

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Com preguiça da outra e com muito deste sono.
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quinta-feira, fevereiro 03, 2005
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Icewine
(o primeiro copo vai para o DervixeRodopiante, que me avivou a memória em relação a este assunto)
Uma nova tradição canadiana com origem na Alemanha.
Como quase todas as boas descobertas, esta também teve um nascimento um tanto acidental.
Produtores de vinho em Franconia tornaram necessidade em virtude quando por acaso esmagaram uvas geladas e ficaram surpreendidos pelo elevado teor de açucar.
Corria então o ano de 1794 (assim dizem os entendidos).
Mas só por volta de meados de 1800 é que se começou a produzir icewine intencionalmente.
No Canadá, e em muito pequena escala, Walter Hainle produziu pela primeira vez este néctar, em 1973.
Nos dias que correm, o Canadá é o maior produtor deste vinho doce, rico e raro, vindo a maior parte da colheita da área da Península de Niagara.
Tal como o nome leva a sugerir, os cachos de uva ficam na videira até muito mais tarde e só são apanhados (de preferência antes das 10h da manhã e a uma temperatura que não exceda os -8ºC) após terem sido "aconchegados" com uma boa dose de neve e geada de inverno. Este tratamento faz com que desidrate os bagos e lhe concentre os açucares, ácidos e aromas, intensificando desse modo os sabores.
As uvas congeladas (e nunca deverá tratar-se de um congelamento artificial) são pisadas no exterior, a um frio extremo. A água contida no sumo, permanece congelada em cristais de gelo e somente umas poucas gotas de sumo concentrado é obtido.
Procede-se então à fermentação lenta do sumo, o que leva vários meses, parando naturalmente.
A título de curiosidade:
- A Ásia é o maior exportador de icewine canadiano;
- Uma garrafa de 375ml pode atingir os "seus" $300;
- No Canadá, o preço médio para uma dessa garrafitas é de $45.
Tragam os queijos, eu forneço o vinho! ;-)
... tchim, tchim
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Welcome to Dildo !
Pelos vistos, anda aí pela comunidade bloguística, uma febrezita encadeada de nome Dildo.
De modo que me lembrei de vos dar a conhecer isto.
(acho melhor não entrarem pelo link adentro com as perspectivas a mil; podem-se desiludir)
domingo, janeiro 30, 2005
quinta-feira, janeiro 27, 2005
domingo, janeiro 23, 2005
O Canada!
Aqui está, para concluir uma promessa feita há tempos ao Dodo, um pequeno apanhado, feito de um modo aleatório no meu dia-a-dia, de elementos que caracterizam parte deste povo e que ele poderá incluir (se assim o bem entender) na sua coluna sobre nacional-hinologia,
É uma ementa com carácter eterno. Novos elementos podem sempre se juntar.
Cá vai, então:
"A mari usque ad mare"
(cá está o hino e a letra para acompanharem)
- Defensor agressivo dos direitos humanos;
- Defensor agressivo de qualquer direito a quem tenha direito de os ter, e que muitas vezes acaba por entrar em conflito com outros direitos anteriores;
- Sociedade comodista;
- Condutores extremamente amaveis;
- Ter cuidado com a velocidade aplicada por eles (condutores): respeitam sempre os sinais de velocidade maxima; nunca os substime!
- Conduz-se só com uma perna; os músculos da esquerda vão definhando;
- Women rule (ou seja, é uma nação gerida por mulheres);
- Corrida ao Ouro.
Em Agosto de 1896 quando Skookum Jim Mason, Dawson Charlie e George Washington Carmack encontraram ouro num afluente do rio Klondike situado no território de Yukon, não faziam a mínima ideia de que acabavam de dar início a uma das maiores corridas ao ouro em toda a história;
- Inuksuk- objectos feitos em pedra pelos Inuit (vulgo esquimó) e que quer dizer 'to act in the capacity of a human'. Dentre as suas várias funções prácticas, destaca-se por ser útil na caça e ajuda à navegação, dar coordenadas, indicadores e transmitir mensagens;
-Uma fatia de arte. Em 1920 estes pintores formaram The Group of Seven;
- Kluane Park, no Yukon, é o ponto mais alto do Canadá com 5,959 metros acima do nível do mar;
- Segundo país com maior extensão territorial, composto por 10 províncias e 3 territórios;
- The First Nations : A constituição canadiana reconhece três grupos aborígenes- Indians, Métis people e Inuit.
São três povos que se destacam pelas suas tradições, língua, crenças espirituais e costumes únicos;
- Museu de Guerra.
Dizem que a sua missão é para: Remember, Preserve and Educate. Tendo em conta a quantia que lá vamos todos meter no dorso do porco ($135.75 milhões), vão ser aulas para durar gerações infinitas. Para quem gosta de acção, é só clicar no link da camera ao vivo no lado esquerdo;
- Bidé.
Eu tinha que falar no bidé. Acessório tão prático mas quase inexistente neste país. Símbolo (para mim) de poupança, moderação e economia e no entanto só se vêem (e muito raramente) nas casas da alta sociedade! Um verdadeiro enigma, a meu ver.
- Homossexuais americanos estão desde há cerca de um ano a invadir território canadiano, legalizando-se; uma vez que foi permitido neste país o casamento entre eles (e elas). Um dos contra-ataques ao governo, reside na afirmação de que por este andar, muito em breve, será legal exercer aqui a poligamia.
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Por hoje fico-me por aqui. Assim que me lembrar de algo mais, adiciono.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Da gaveta de dentro - II
Nunca gostei de apagar as velas do bolo de aniversário (aquando em adulta), como quem deseja apagar todos os erros do passado.
Redimir-se do mal que fez.
Esse desejo de recomeçar.
Nova massa.
(como se isso fosse possível...)
Nunca gostei.
Porque o que sou hoje, é precisamente essa soma de erros com umas subtracções esporádicas de remorsos.
(e um pouco de algo mais)
E isso eu não desejo apagar.
(por enquanto)
Para o ritual de aniversário (se é que realmente tem de haver algum), prefiro o acender pausado e firme, de cada uma dessas velas e quedar-me a vê-las arder até ao último resquício de fio, enquanto as vozes bradam ao meu redor.
Leonardo da Vinci
Será que foi aqui que ele se encontrou com Mona Lisa para lhe perpetuar o rosto?
Para já, é só mais uma teoria.
Margaret Atwood
Segundo os críticos literários, é considerada uma das escritoras mais talentosas do nosso tempo.
(Cada vez mais me convenço que todas estas referências na contracapa dos livros, são bastante subjectivas e relativas).
Há uma certa passagem no livro que estou a ler, não sei se propositada (nada até aqui me leva a pensar que sim), que me deixou perplexa.
É pena (se realmente foi falta na pesquisa da escritora), pois tem uma escrita que se absorve bastante bem e um sentido de humor à mistura que chega a roçar a sátira despretenciosa.
Falo desta parte:
"I closed my eyes: there in front of me, across an immense stretch of blue which I recognized as the Atlantic Ocean, was everyone I had left on the other side."
A acção decorre numa pequena aldeia chamada Terremoto, em... Itália.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Sliding awayyyyyy....
A- desculpa, mas nao posso falar com acentos
B- Não faz mal :-)
A- ehehe... fica um tanto esquisito falar sem eles...
e como comer uma boa sardinha assada,.... e nao ter que lhe retirar as espinhas
B- lolll
A- (por mais incomodas que sejam, sempre lhe pertencem)
B- k comparação....
A- ahahahahha
A- essa foi boa... (acho que merece ser repassada )
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E por falar em sardinhas.
Deixem-me cá gravar esta passagem neste paredão:
Aqui, no Inverno, parecemos todos uns chouriços ambulantes, enregelados, à procura de uma boa brasa.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Na busca da raíz
“Only two things are infinite: the universe and human stupidity, and I’m not sure about the former”
(Albert Einstein).
Outro Albert, procurou equacionar a tal questão; qual brecha mais dilatada que qualquer buraco negro imaginado.
No que deu?
... nisto
sábado, janeiro 15, 2005
sexta-feira, janeiro 14, 2005
Um amor de perdição
Namoram-se sempre que podem.
Quase nunca quando mais o desejam.
Acredito que (preciso de) um dia possam ser felizes no transpor dos seus percalços.
Sem metas e várias barreiras.
Um complemento singular.
Se conduzir...
Desaconselho (eu até diria "veementemente", não fosse a trabalheira de o escrever) conduzir após ter jogado Pac Man por uns minutos!
(ok... ok... umas horitas).
É que por breves segundos, o cérebro confunde-se e o acelerador vira controle de velocidade do joystick e os carros que connosco se cruzam, mais parecem as cabras montanhesas. Pulamos nelas com o rabo (sim, sim... diz-se mesmo assim: butt bouncing) e elas evaporam-se.
E os peões?
Esses transformam-se em fantasminhas psicadélicos. É só comer a pastilhita amarela e... puff!
Vão-se!
Há só um ligeiro senão: só nos é permitida uma vida para estas diabruras todas que pululam o pensamento.
(mas que a tentação é grande, ai isso é)
... e não bebi!!
quinta-feira, janeiro 13, 2005
Cabeçadas - V
No silencio, eu escalo-me.
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Este é um dos entremeios do bolo que está para sair do forno.
- Bolo de arroz?
- Também podia ser, mas se calhar... é Rei.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
Ainda na senda de referências
Salivei-me que nem uma perdida ao ler este sítio.
Isto é que foi um manjar de deuses!
E como aperitivo, um almofariz bem requintado. ;-)
Bendita a hora em que deitei fora a cana de pesca: apanha-se peixão muito mais gordinho com a Pesca de Arrasto (de preferência, com rede fina - perdoem-me lá vocês no DGPA).
(buurppp)
(com licença)
Estou satisfeita.
(por agora)!
domingo, janeiro 09, 2005
Sem muito tempo...
Gostaria, no entanto, de deixar aqui uma referência a um texto ("O mar enrola na areia") que eu achei excelente de alguém que eu, desde que descobri o seu blog, passei a ler com bastante atenção.
Aos poucos, acho que vos consigo ler a todos.











