sexta-feira, julho 29, 2005

Baú de recordações I




Pouco levamos de peso na mochila: Muita amizade entre nós, audácia a multiplicar por dois, bom senso que baste, espírito de aventura para dar e vender.
O objectivo era chegar a Cerveira ainda de dia e assim o conseguimos.
De bloco-notas em punho, assinalávamos cada curva do caminho, cada gargalhada entre nós e a tristeza de não termos tido a companhia do terceiro elemento do grupo. Passaríamos muito facilmente pelos três-da-vida-airada se ele tivesse podido ir, como estava planeado, para finalizarmos em pleno o fim dos estudos e o começo do superior para alguns de nós. O culminar de um ano cheio de cumplicidades que se arrastam até os dias de hoje, com muito carinho.
A primeira boleia - que melhor poderiamos ter senão um camião? - levou-nos a cobrir uma boa parte do caminho, não posso agora precisar até onde.

Vou ver se descubro a metade do bloco que me coube para reviver um pouco mais de perto o último mês passado em terras lusas.

Vila Nova de Cerveira, 8 de Setembro 1988

sábado, julho 23, 2005

Objectos voadores bem identificados

Eu sei, soa bastante a mainstream.
Mas eu gosto.

Has someone taken your faith?
Its real, the pain you feel
The life, the love
You die to heal
The hope that starts
The broken hearts
You trust, you must
Confess

Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?

(Foo Fighters)

Subtilidades onomatopeicas, sem movimentos corporais, a que uma mãe aos poucos se adapta (com alguma insegurança, diga-se).

- Queres uma torrada?
- ahaa!
- ... isso foi um sim?
- ahaa!
- ... com queijo?
- aha!
- hmm, aposto que agora foi um não!
- AHAA!



Muito atabalhoadamente saí-me com esta: De que a razão pela qual o Canadá, sendo o único país na "lista" de Bin Laden que ainda não foi atacado, poderá dever-se ao facto de que uma grande parte deles (terroristas) serem aqui treinados (gargalhadas internas), ou então porque este manancial de terra é um bom escorregão para as fronteiras americanas.
Houve quem não gostasse muito da minha primeira maluquice. Paciência.
Também eu não suporto pés que arrastam sem cansaço e mentiras de embelezar a aura, e no entanto, engulo-os.

quinta-feira, julho 21, 2005

Um 3M Post-it® escuro



(para me refrescar a memória futura)

Muito estranho.
Foram inscrições que desapareceram para dar lugar a uma só. Esta:
"Rip and encoded by Anton 200"
Pois então. Repousem em paz, onde quer que estejam.
Mas que estou muito intrigada, lá isso estou.

quarta-feira, julho 20, 2005



Não sei bem porquê, mas prevejo um enxurro.
(eh eh eh)

segunda-feira, julho 18, 2005

Com esta data




Completa-se mais um ciclo.
O quarto-que por sucessão, até é, na verdade o terceiro-ângulo deste meu círculo que culmina no vértice que sou eu, por enquanto, sentada no cume com uma cana de pesca.
Sim, os meus círculos têm ângulos, linhas, estendal com fartura e molas a acompanhar. Têm tudo o que eu neles imaginar.
Foi neste dia que mais um homem de fibra apareceu na minha vida, para ficar.
É Homem-Aranha, Superhomem, Homem-Elástico (se ainda não existe um, passa agora a sê-lo ele), todo ele sorriso, todo ele beijo lambuzado num perfeito 'O' alinhavado com a língua.

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(e mais não digo que a baba já não deixa escrever mais)

sexta-feira, julho 15, 2005


O tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O
tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O t
édio. O tédio. O tédio. O tédio. O té
dio. O tédio. O tédio. O tédio. O téd
io. O tédio. O tédio. O tédio. O tédi
o. O tédio. O tédio. O tédio. O tédio
. não há brecha que se vislumbre.
O tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O
tédio. O tédio. O tédio. O tédio. O t
édio. O tédio. O tédio. O tédio. O té
dio.

quinta-feira, julho 14, 2005

Tempestade de Verão




São as minhas noites preferidas das noites quentes de Verão.
Essas que são tocadas, por horas a fio, pelas mãos do gigante tristonho e gentil.
Um violoncelo ou um violão.
As linhas horizontais, essas sim, as predilectas. Paralelas ao fio do horizonte, a uns 30, 40º deitadas ao longo dele.
Encasulo-me em frente à janela porque o momento é magnífico e ofuscante; aquele que me remete à minha insignificância, à minha pequenez e me embala num sono acordada.
Cansado o gigante, sente-se o ribombar terminar gradualmente para dar lugar ao violino da chuva, cadenciado, gracioso, como se fora lido na mais perfeita pauta de música.

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Foto daqui.

segunda-feira, julho 11, 2005

Lentes de Contacto - XIII




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Enquanto as notas de Chasing blue sky ressoam continuamente, evocando sombras enlaçadas a um tempo incerto.

sábado, julho 09, 2005

Hemoglobina



Estendi-lhe o braço e repousei-o no braço de madeira que lhes facilita o trabalho.
Se bem que eu e agulhas nunca tenhamos jogado de bem - nem sequer as de crochet, que custam a sair uma vez enfiadas - nunca tinha sentido aquele receio.
Acho que foi a antecipação.
Eu vi-lhe nos olhos dela. Vi a despreocupação de quem não é meiga a enfiar; os gestos que indicam o 'despacho'.
A minha desgraça é essa: a antecipação.
E mais uma vez, fez 'trrimm'. Doeu.
Com os olhos cravados num poster em frente "how to be a good parent" (ironia das ironias), ouço-lhe a voz que me pergunta se estou bem, que me acha tensa e que relaxe.
"Relaxe", foi como uma ordem e involuntariamente obedeci.
Assim que relaxei, diz-me ela, o sangue começou a correr; de outro modo nada saía.
Estranho. Nunca tal me tinha acontecido.
O duplo A em relação ao poder inconsciente da mente: Assusta-me e atrai-me.

Cerco ou acerto



Numa era, como a nossa de hoje, em que transpiramos tecnologia por todos os poros, fica difícil de acreditar que se possa estar tão isolado do mundo que nos rodeia, do modo como eu me entrego por inúmeras vezes.
Não fora a curiosidade em saber a razão de ser do "Em Estado de (rosa) choque", e não teria ficado a par dos acontecimentos londrinos tão cedo.
Estará o cerco a cerrar-se?
Será que no próximo alvo, vou ter conhecimento dele de um modo mais imediato?
E depois pus-me a pensar: Será que os africanos necessitados saberão o que é o Live 8?

terça-feira, julho 05, 2005

Lentes de Contacto - XII



A ausência.
O trampolim imprescindível para se alcançar, de mão dada, lado a lado, o desconhecido.

Saltemos.

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segunda-feira, julho 04, 2005

Na troca de dor de dentes



Resultou isto:
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Deve ir desvairado da vida por esses confins fora, pobre coitado.
Meterem-se assim, deste modo abrupto, com a sua existência.
Era bom que os patos tivessem um dia licença para caçar quem o merece ser.

quarta-feira, junho 29, 2005

Lentes de Contacto - XI



No one can hear me, ’cause no one is around
But I still hear your whisper in the dark
I know I can go, I know I can leave whenever I please
But time is a jailer for me
(...)
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I shut out the light
Alone in the dark
This time of night
Is the hardest part
(...)

Time is a jailer - Anouk

Ao sabor da roda




Tomei aquela que fica a Sul, virei na direcção Oeste e regressei pela que fica a Norte, desta vez com rumo a Este.
Com alguns pequenos ziguezagues pelo meio, perfiz um grande "U" de hora e meia a pedalar. Com o objectivo alcançado, o rio, saborei o ar da noite mais agradavelmente fresco daquelas paragens, o cantar dos patos bravos entrecortado pelo de alguns cisnes, que fazem das margens a sua moradia.

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Ponte sobre o Rio Rideau @ Montreal Rd



Nota em suspensão permanente:
Ainda não consegui que alguém me desse uma explicação lógica, porque razão todos os edifícios governamentais, todos sem excepção, mantêm as luzes acesas durante toda a noite.
E não. Ninguém trabalha todas essas horas extras.
É algo que me causa espanto há já quase dezassete anos.

segunda-feira, junho 27, 2005

Mega Notícias



Teria eu ouvido 'west coast' e percebido 'east'?
É possível.
Mas também o é que tenha percebido perfeitamente bem.
E se assim o é, fico a magicar como podem ter feito assim um salto tão enorme, após terem traçado profecias sobre algo por vagos segundos, sem sequer aprofundarem as razões porque o fizeram.
Eu compreendo que a necessidade de atrair massas seja, possivelmente, ainda maior que a atracção que existe entre macho e fêmea - e nos dias que correm, nem só entre estes dois espécimes - mas há que manter uma certa coerência nos factos que se apresentam.
Nem tampouco ouvi mencionarem terramoto algum.

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Lituya Bay - Alaska



Nota: Mega tsunami de ondas gigantescas que atingiram a elevação máxima de 516 m na Baía de Lituya no Alaska, a 9 de Julho, 1958.

sábado, junho 25, 2005

Ranunculus



Foi naquele sábado que me decidi a ir. Já me andava a prometer aquele encontro há bastante tempo, e numa inesperada onda de euforia, qual adolescente antecipando o seu primeiro encontro, larguei mão de todas as tarefas a cumprir - umas 2, 3 horas, não fariam diferença, pensei.
A verdade é que já o namorava, à distância, há uma data de tempo. Fiquei-me por uma eternidade, naquela relação platónica, a do olhar, a do voltear a cabeça e pensar "quando...?".
Aquelas horas que se iriam seguir, seriam só minhas e dele; de mais ninguém.

Foi um dos primeiros a ser construído, aí por volta de 1949, na cidade do pós-guerra, com aquele glamour ainda visível nas fotografias espalhadas um pouco pelas paredes. Ainda conserva, e ainda bem, bastante da sua originalidade, não se aliando aos avanços da tecnologia: nada de cartões de crédito ou de débito, só a pronto pagamento.
Estaciona-se na rua, onda calha, sem direito a um actual costumeiro mega-estacionamento, práticos, sem dúvida, mas enfadonhos, monótonos até dizer chega, como quem estaciona o gado para a matança.
O cheiro a mofo, a antigo, impera no local e para o toque final assim que assentamos o olhar no todo da sala, deparamos com aquela portentosa cortina vermelha (sim, de tecido e não plástico!).

Só as pipocas me desiludiram.
Não que estivessem rançosas ou fossem moles, simplesmente porque nem deveriam de lá existir. Nunca compreendi como é possível alguém gostar de assistir a uma sessão e metralhar os dentes ao mesmo tempo créc, créc, créc, créc!
É como fazer amor e crochet ao mesmo tempo; nem se aprecia um, nem o outro, em todo o seu esplendor.

"The Ballad of Jack and Rose" foi o escolhido.
Era o último dia de exibição, de modo que me presenteou com um bom número de cadeiras vagas à escolha, e por conseguinte, muito poucos disparos pipoqueiros.
Foi muito bom rever Day Lewis. Mais maduro que naquela época, mas a sua postura muito própria, continua a crescer pela positiva.
Ele é, para mim, sinónimo de uma viagem de comboio, dum encontro à entrada num qualquer cinema do Porto, de Kundera, do entrelaçar de mãos, da pele morena sob o vestido de aldogão amarelo, do cheiro a maresia com o conversar sobre o filme entrecortado de beijos dados sem promessa alguma...

Daqui a uns idênticos 17 anos, os mesmos que me distanciam desse Lewis, serão outras as lembranças, muito diferentes, é certo, nas quais predomino eu como personagem principal. Acho sempre triste sair do cinema sem ter com quem trocar impressões vivas do momento ainda quente, mas foi uma experiência fantástica ter ficado na incógnita, e invisível ao mundo que me rodeou enquanto o filme rodou.
Há que repetir a façanha e de preferência no horário nobre: o da noite.

sexta-feira, junho 24, 2005



Acabei de medir o pó acumulado em cima do monitor:
2 milímetros.

Só aos 5 é que o limpo. Dá mais gosto.

Lentes de Contacto - X



Quando os sonhos se vão
as lágrimas tomam o seu lugar,
fertilizam solo
para uma nova vaga de sonhos,
mais maduros,
mais tangíveis,
mais reais.


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