sexta-feira, maio 13, 2005

Lentes de Contacto - IX



Image hosted by Photobucket.com

- Conto-te sim da batalha de Aquinara, se me contares o que fizeste com os aneis de Urano...

terça-feira, maio 03, 2005

afinal...



já cá cantam!

Image hosted by Photobucket.com
Hans Memling


E daqui veio a influencia para o "Man of Sorrows".
Encaixa-se perfeitamente.

Desequilíbrio



Nem sei que lhe chame.
Se hipocrisia, se inconsciência ou insensibilidade, se pura e simplesmente estupidez absoluta.

A conferência focava a FOME algures em África; as imagens que lhes meteram pelos olhos dentro, ainda eles mal se sentavam, não deixaram margem para dúvida. No entanto, o resto de comida que raspei dos pratos nessa noite, deixou-me um amargo cá dentro.

Os pratos da balança continuam porcamente empilhados de um lado e tristemente vazios do outro.

Miradouro a roçar a saudade



É procurar uma vida inteira por aquele embrulho onde o ser e estar contíguo, mútuo, se interligam, se equilibram, nos bons e maus momentos. Uma corrente dentada onde o encaixe de um é o receber do outro e vice-versa, sucessivamente.

É o chegar a pontos de visualizar que se encontrou essa engrenagem. Ali, mesmo em frente. Inconfundível.
Saboreia-se esta pequena vitória furtada ao acaso, com um esgar de dor cruzado com um sorriso bálsamo. Sente-se a frescura das nuvens que nos roça a face.

É um atirar de areia aos olhos, que nos confunde os sentidos. O pedestal-que nunca existiu-desaparece, para me ver de novo na estaca zero. Só que desta vez o zero está mais fundo. Muito mais fundo. E o chão que piso é mais movediço que nunca.

Não durou mais que uns segundos ou anos. O tempo dispensado é irrelevante.
Na memória ficou para sempre marcada essa dentada.

É fodida, a procura.
Mas mais fodido ainda é já não haver mais alento para procurar.

quinta-feira, abril 28, 2005

Numa nébula (eu)



Last time I talked to you,
you were lonely and out of place.

You were looking down on me,
lost out in space.

Laid underneath the stars,
strung out and feeling brave.

Watch the riddles glow,
watch them float away.

...

I know you're out there,
somewhere out there.

Image hosted by Photobucket.com
Our Lady Peace

foto daqui

quarta-feira, abril 27, 2005

Bem...



... é que isto tem certos contornos que são, no mínimo, indescritíveis!

Já não me acontecia há um ano, mais ou menos.
Voltou-me a acontecer hoje, precisamente quando abro o 'word' para escrever o post anterior.
Resta dizer que utilizo esse programa bastantes vezes, mas neste prazo de um ano, tal não voltou a acontecer até hoje.
Eis a mensagem:

"You should never dive into murky waters."

(...)


A outra mensagem não era idêntica a esta.

São Malaquias



Já lhe dei umas voltas, não muitas porque me é difícil observar com precisão a veracidade ou não de tudo isto, mas algumas, e ainda não consigo ver qual a relação que existe entre «Gloria Olivae» e o homem que personifica Bento XVI para que se possa afirmar com tanta convicção que a profecia foi, de novo, cumprida.

Serei só eu a não ver?

Outro aspecto em que me detenho:
- Se as profecias estão ao alcance de todos aqueles que votaram, não será natural que queiram proceder em harmonia com as ditas, para conferir à igreja os seus dotes de sobrenatural?


Se formos a crer então, na veracidade destas profecias, estamos perante o fim de algo.
Algo que, como é costume numa profecia, nunca é devida e objectivamente indicado--como convém e mandam as "regras"--para que a vestimenta possa servir em vários corpos.


Não quero com isto refutar tais profecias--não acredito nem deixo de vir a acreditar.
Só quero é ver mais claramente algo que se me depara turvo.

Mais aqui.

terça-feira, abril 26, 2005

The Sphere



Imaginei agora mesmo outra face neste berlinde enorme onde vivemos.
Uma face que nunca sentiu rasgarem-se em si as descobertas marítimas:
Portuguesas, espanholas, holandesas, inglesas ou...
Nenhuma existe neste momento imaginado.




E nesse meu ver, a visão é: SUBLIME.


Image hosted by Photobucket.com

segunda-feira, abril 25, 2005

Image hosted by Photobucket.com

quinta-feira, abril 21, 2005

Ajuda é precisa (e muito!)


Em relação a ler jornais ou revistas, eu tenho uma peculiaridade--e digo isto porque nunca me cruzei com mais nenhuma alma que assim o faça--que é o seguinte: começo sempre pela última página.

Não compreendo muito bem esta minha maneira de ser, mas não estou de momento interessada em aprofundar o assunto.

Ora, numa das minhas últimas excursões "magazineiras", deparo-me, logo ali na contra-capa, com esta foto que mais abaixo insiro.
Não deixa de ser interessante o facto de mudarem a secção 'Comics' (de uma revista que nem sequer a tem!) para tal posição de destaque.

Transcrevo aqui uma pequena parte do anúncio, mas para quem tiver maior curiosidade e, quiçá, queira alargar os cordelinhos da sua bolsa e socorrer tais famílias necessitadas, cá vos dou a passagem.

"Through Unmet Needs, families receive aid for things like home and auto repairs, child-care, emergency medical expenses, even mortgage and rent payments.

(...)

100% of your donations goes directly to our military families in need."

Image hosted by Photobucket.com

NOTA importante:

Se por um acaso eu deixar de 'pastar' por aqui, agradecia que avisassem a minha mãe para vir tomar conta dos miúdos. Com tantos tradutores online, apesar de facciosos, nunca se sabe por que estepes se passeia este 'big neighbour' adorado.

segunda-feira, abril 18, 2005

Cadeia de Literatura



Pelas mãos do Manuel, veio aqui ter uma das pontas desta corrente.
Não duvido que ajude quem nos lê, a ter mais um pouco de conhecimento a nosso respeito.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

- Muito sinceramente, não me consigo ver a memorizar letra a letra o conteúdo de um livro, como forma a resistir contra o 'sistema'. Lá haveria de arranjar maneira de lutar contra ele de uma outra forma.

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?

- Nem por isso. Tenho, por vezes, vontade de lhes mudar o rumo dado pelo seu autor, mas nunca a pontos de me deixar apanhar por um personagem. Deixo isso a cargo dos da realidade.

Qual foi o último livro que compraste?

- "Lady Oracle", de Margaret Atwood por imposição escolar.

Qual o último livro que leste?

- Um livro infantil de nome "Big Al" sobre um peixe muito amigo mas de aspecto assustador, de quem todos os outros peixes costumavam fugir com medo.

Que livros estás a ler?

- Comecei o de L. Antunes "Eu hei-de amar uma pedra", mas está em fase de ponto-morto e leio também uma compilação de 'short stories' com nomes que vão desde Edgar Allan Poe, passando por James Joyce, Nathaniel Hawthorne, Herman Melville, Steven Leacock, Alice Munro, entre muitos outtros, e acabando em Russel Smith.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

- Gostava bastante de ler Miguel Esteves Cardoso (qualquer um dos seus livros), mas não tem necessariamente que ser numa ilha deserta. Se bem que num local desses, duvido que me dedicasse inteiramente à leitura, preferindo, de longe, explorar o local.

A quem vais passar este testemunho (3 pessoas) e porquê?

- Passar, eu passo, só não sei se teremos algum feed-back :-)
Portanto, as minhas pontas passo-as:

- ao Dragão;
- ao Scum e
- aos Tapores (qualquer um deles ou até todos ao mesmo tempo--seria lindo ver tais respostas agrupadas).

Porque lhes aprecio bastante a escrita. São três estilos completamente diferentes.

Uma lição



Aprendi-a ontem.
Uma lição a aplicar em qualquer relação amorosa ou de 'encosto'.
Algo que já deveria ter vislumbrado há pelo menos uns nove anos, o que me teria poupado muitos dissabores e montanhas de desilusões.

Nunca deveria envolver-me numa união, que não tivesse tido o seu começo com base na agressividade.
Não necessariamente gerada entre os dois intervenientes (também, mas não obrigatoriamente) dessa futura união, mas sim que servisse de palco a esse primeiro encontro.
Só assim se saberia se as posições tomadas por cada um dos dois, face à tal agressividade, se coaduna ou não um com o outro e isto é, a meu ver, de desmedida importância.

Quem diria...



... que eles são de tão fácil acesso como qualquer um de nós, mortais.

quarta-feira, abril 13, 2005

São estados



Sinto-me pequena.
Minúscula.
A pedra que um dia fui--ou pensei ter sido--desfaz-se a passos largos em pó.

Olho em volta e o que mais vejo são seres que se dizem alados.
Com elas quebradas, inteiras, no descanso, em todo o seu esplendor ou cansadas de se propalarem, mas têm-nas, as asas.
Sentem-se pelo menos donos e senhores delas e não se cansam de exaltarem com toda a força essa sua capacidade peculiar.
Retraio-me sobre mim mesma, tal é a inferioridade que me esbate, perante tais vantagens.
Eu não tenho sequer uma única pluma que me dê esperança de um dia poder, também eu, desaparecer no ar em pleno voo.

Image hosted by Photobucket.com

É só um estado.
Mais um que atravesso.

Umas valentes horas a esfregar, tratar de roupa suja--pilhas infindáveis dela--refeições, trabalhos-de-casa, operações, acarinhar após quedas, acarinhar mesmo sem cair, etc, etc que até me assusto com a lista que já antevejo... farão com que adie, de novo, mais um pulsar freneticamente rítmico do que eu, no meu estado mais íntimo, sou.

terça-feira, abril 12, 2005

sábado, abril 09, 2005

:-)







(...)

segunda-feira, abril 04, 2005

Lentes de Contacto - IX



"To take a chance on life again"

Image hosted by Photobucket.com

sexta-feira, abril 01, 2005

Lentes de Contacto - VIII


E eles chegam.
Num misto de euforia e dor.

Image hosted by Photobucket.com


Is here !

quinta-feira, março 31, 2005

Mais um



número mágico.
A ternura sem fim com que ela me presenteia e se rodeia.


(foto aqui)

Lentes de Contacto - VII


There's nothing to lose
When no one knows your name
There's nothing to gain
But the days don't seem to change

(Billy Talent)



Image hosted by Photobucket.com

terça-feira, março 29, 2005

E se...



Quantos "se's" já foram um dia pavorosos, abalaram completamente a fundação do pensamento colectivo da época e, no entanto, tornaram-se realidade aceitada como irrefutável?
Muitos. Não há dúvida disso.
Não sem antes provocarem bastante poeira e irritação em certas mentes.

Ontem dei de caras com este título num jornal: The Engineered Moon? Whoa!

Nunca tinha lido nada a respeito da Lua que apontasse nesta direcção, mas a julgar pela informação prestada em diversos web-sites que mais tarde andei a ler, até já é uma teoria com alguns anitos.
Não foi bem choque, o que senti. Foi mais admiração daquelas de queixo completamente caído aos pés (exactamente como nos desenhos animados--sou muito propensa a extremos).
Em termos muito largos, o artigo reza o seguinte:

Existem certos cientistas que defendem a teoria de que a Lua é oca, e que nem sequer se trata de um fenómeno natural, mas sim fabricado por... por alguém... alguma civilização deveras avançada.
É claro que não é fácil provar esta hipótese e muito menos convencer com evidência a crença estabelecida; isso seria rasgar com muitas das convicções que suportam a raça humana.

E quem é que está disposto a duvidar a esse ponto e a crêr em algo completamente oposto?

Que tipo de acontecimento teria que se dar para que tivessemos que repensar totalmente a nossa opinião?

No artigo em questão, encontrei também os tais sites que acima mencionei. Para os interessados:
Anomalias 1
Anomalias 2
Anomalias 3

Acima de tudo, acho que convém entrar com uma mente aberta e estar preparado para um olhar fresco sobre certas evidências.
De tal modo que até já esbocei uma certa especulação a partir desta teoria.
Só não me atrevo a explaná-la aqui, com receio de repercussões negativas. ;-)

E afinal, a Terra sempre é redonda e é ela que gira à volta do Sol.

_______________________________________________

Nota: Enquanto os links não funcionam, cá ficam os endereços prontos a serem 'pastados'.

1. www.geocities.com/jilaens/moon.htm
2. www.anomalous-images.com/moon.html
3. www.hq.nasa.gov/office/pao/History/TM-3487/notes7.htm

sábado, março 26, 2005



No meio de tanta amêndoa, bolas e folares, parece haver uma mensagem subliminar que faz jus à sua condição.



Marc Chagall - White Crucifixion

quinta-feira, março 24, 2005

Image hosted by Photobucket.com
Um dia, congelo-as todas.
Não as verterei jamais, nem por ti nem por ninguém.
Deve ser um sonho, só pode, a ideia de que posso fazer incidir os raios de sol na nossa vida.

quarta-feira, março 23, 2005

(estou com pouca paciência para arranjar títulos...)



Image hosted by Photobucket.com

Esta é forma mais aproximada do que eu sinto para vos agradecer, a todos sem excepção (tivessem deixado comentário ou não).
Se é mariquice ou não, cago para isso.
Deixo-vos com um pouco do que me extasia.

(prometo que vou criar um blog alter-ego e não vos preocupo mais ;-) )

sábado, março 19, 2005



Cada vez mais a vontade é menor.

To fuck it all... to fuck it all up!!... é uma ideia por demais pavorosa e tentadora, e nela se entrando, deve ser tremendamente viciante.

Escusado será dizer que estou na merda.

De que serve a merda de um blog quando começamos a evitar de publicar certas reflexões; quando as remetemos para o draft do pensamento à espera que as (mal)ditas desapareçam, e com esse desaparecimento, nos evaporemos também.

De nada serve, digo eu.

quarta-feira, março 16, 2005

Deixa de o ser, se lá se chegar...



Conseguir parir uma foto destas, é como ter a sensação de possuir por, nem que seja uns meros segundos, uma poderosa mão criadora.



Quando eu for grande, quero pertencer a este Clube.

terça-feira, março 15, 2005

Este meu homem



(foto aqui)
... fez anos ontem.

É só mudar o oito para quatro, o sentimento lá reflectido é o mesmo; o meu tempo livre é que nem sempre o é.

Só uma pequena nota para um possível esquecimento.
Com uma feição tão madura, esculpida naquele rosto que me apetece morder sempre que me abraça, disse-me:
"I just wanna stay little! I don't want to grow up"
(2/Mar/2005)

E eu rio (sim, eu sou louca pelo riso... posso não ter nunca dado a entender isso, mas sou) muito com estas saídas.
Rio de alegria e tristeza pela já maturidade do seu pensamento.

domingo, março 13, 2005

De falhanços a folhanços



- Have you ever failed?
- Never!... in school, that is. Although I did fail lots of times...
- What do you mean?
- ... in life. I failed in life.
- What was your biggest mistake? (tenho-me apercebido que, nesta idade, tudo é medido por extremos)
- Coming into this country (silencio) I had never told you this before, have I? (sorriso)
- No. ...why don't you go back?
- Because I can't. ... not right now.
- Why don't you like it here?
- I can't really explain it... it's just... not my place. (como a posso fazer compreender?)
- Why are you crying...?

________________________________________________

Uma hora e tal antes, e a propósito de lucky shamrocks e trevos de quatro folhas (que por sinal não são a mesma coisa).

- Why do they say four is lucky?
- I think it all has to do with your belief. If you really believe it will bring you luck, then it might indeed. Even it only has three, two or one.
One day, Avô gave me one that he had found...
- Did it bring you any luck?
- Yes. Luck with four names on it: Verónica, Jessica, Daniel e David.
E ela sorriu.

Image hosted by Photobucket.com

_______________________________________________

Posto isto... à tua pergunta "Tás bem?", esta resposta é mais completa do que simplesmente "ponto-morto".
Se bem que as duas tenham exactamente o mesmo significado.

quinta-feira, março 10, 2005

E os passarinhos?



Aqueles que ficam por cá; os que não migram.
Como podem eles aguentar descidas escabrosas como a da noite passada?

O pior é o vento. O tal windchill factor. Que chega por vezes a dobrar a descida. Rasga-nos a pele exposta.
O bafo quente que nos sai do cachecol, permite o aparecimento de estalactites nas pestanas e nas narinas.
Acredito mesmo que exposição prolongada a frio deste, seja o fundamento de muita da loucura visível(*).


Adenda:
(*)E invisível.

Image hosted by Photobucket.com

terça-feira, março 08, 2005

Ai hoje é Dia da Mulher ?!
Por vezes nem acredito que tenho os pés na terra.

(voltei atrás e coloquei maiúsculas no D e M, não fosse ferir alguma susceptibilidade mais tenra)


Nunca fui de me amedrontar com obstáculos, qualquer que tenha sido o seu tamanho ou massa, nos trajectos que tenho feito.
O que me aterroriza mesmo, é a possibilidade de não haver sequer jornada a percorrer.

Esta imagem persegue-me



Já há dias que andamos aos encontrões uma à outra, de um modo tão amiúde, que até me arrepia.

Image hosted by Photobucket.com

Marc Chagall, Birthday.

sexta-feira, março 04, 2005

Message in a bottle



Sê o meu 45º.

Ass:

Mesma origem

quarta-feira, março 02, 2005

Um dia muito especial



Foi há 8 anos.
Há 8 anos que nos vimos pela primeira vez.
A bem dizer, eu vi mais que tu a princípio, mas a cada dia que passa é o teu olhar que vê cada vez mais e me alarga a visão.
Não foi um daqueles casos de amor à primeira vista. Não.
Não o foi porque eu já te amava há muito mais tempo.

Longe vai o tempo dos meus apontamentos a cada segundo da tua vida.
Longe vai o tempo do assinalar os teus marcos miliários.
Os centimetros que eram devorados pelo teu corpinho que se estica a uma velocidade louca, deixei de os apontar...
Tudo isso passou.
Ficaste tu.

Há de tudo entre nós: amor, raiva, ternura, zangas, cumplicidade, afastamento...
E é por tudo isto que és uma das pedras fundamentais à minha existência.

Nada do que aqui escreva conseguirá espelhar o forte sentimento que nos une; nem sequer fazer corresponder as palavras certas com a pessoa especial que tu és para mim.

Só quero que saibas o quanto eu te amo.

Tua sempre,

Mãe

(foto aqui)

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Funcho



O desmembramento, esse, é contínuo, sádicamente pausado, pautado.
Deixo que ceifem, um após outro, pedaços de mim mesma, sem vacilar.
Não (só) porque me embriaga de prazer, mas sim porque esses fragmentos nunca foram realmente meus.

E na plaina do que me restar (se restar), vou por certo compreender-me mais facilmente.
Vendo-me despojada do supérfluo, a visão tende a clarear (... não?).

sábado, fevereiro 26, 2005

Diálogo entre filha & mãe



- What are you reading?
- "Life before man"
- But... that doesn't make sense!
- (gargalhadas despregadas)


Já há bastante tempo não me ria assim tão plenamente.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

The switch is On


Sou filha da noite.
Sempre fui.
Desde muito jovem.
Não tanto daquela noite de farra (também, mas sem comparação com esta noite).
Mentiria se dissesse que não sei bem o que me atrai ao silencio da negrura, no entanto não o direi; é algo de que não me disponho a partilhar (por enquanto).

Embora não sendo uma criatura do frio, confesso que as mais belas noites jamais presenciadas por mim, foram aquelas que deslizaram perante os meus olhos sob um frio inumano.
Não sei se pela luminosidade existente em tal oposição teatral, se pelo desejo de ares mais cálidos... mas definitivamente pelas sombras.

Pela objectiva, nada via. Limitei-me a apontar para onde achei que devia estar.
E estava.



PS: Apeteceu-me escrever este post em caracteres webdings.


terça-feira, fevereiro 15, 2005

Time off



Não é que deva realmente interessar a alguém; serve mais como uma auto-imposição do que um aviso amigável aos que aqui me visitam.

Uma, duas, três... dias, semanas ou mêses, não sei.
Vou descansar (disto aqui).

Um beijo amigo a todos os que me têm vindo ler e ver. Até um dia destes.

Em relação ao casal de pulgas peludas...


... que atraíram o Vic, lembrei-me de salientar algo a respeito destes exemplares.

Quem não conhece Velcro®?

Esta tão versátil e indispensável ajuda no quotidiano (principalmente para quem tem filhos) emergiu após uma minuciosa observação das tais 'pulguitas'.

Corria então o ano de 1948, quando o suiço George de Mestral, após ter saído com o seu cão para um passeio pelos campos, chegaram a casa cobertos de 'burs' (quem sabe o nome disto em português?).
A partir daqui, fez-se história.

Poderão ler melhor a esse respeito em qualquer site destinado a invenções.
Esta página aqui, é um bom exemplo disso.

domingo, fevereiro 13, 2005

Lentes de Contacto - VI




domingo, fevereiro 06, 2005

Frase que me vai provocar bastantes saudades:



- Mããaa... I'm done fazering cócó!!


Daqui a uns 50 anos!!!

Lentes de Contacto - V






sábado, fevereiro 05, 2005

O Sono


O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim.
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.
O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.
Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem? Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.
Meu Deus, tanto sono! ...


Álvaro de Campos

___________________________

Com preguiça da outra e com muito deste sono.

___________________________

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Lentes de Contacto - IV



quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Icewine


(o primeiro copo vai para o DervixeRodopiante, que me avivou a memória em relação a este assunto)

Uma nova tradição canadiana com origem na Alemanha.
Como quase todas as boas descobertas, esta também teve um nascimento um tanto acidental.
Produtores de vinho em Franconia tornaram necessidade em virtude quando por acaso esmagaram uvas geladas e ficaram surpreendidos pelo elevado teor de açucar.
Corria então o ano de 1794 (assim dizem os entendidos).
Mas só por volta de meados de 1800 é que se começou a produzir icewine intencionalmente.

No Canadá, e em muito pequena escala, Walter Hainle produziu pela primeira vez este néctar, em 1973.
Nos dias que correm, o Canadá é o maior produtor deste vinho doce, rico e raro, vindo a maior parte da colheita da área da Península de Niagara.

Tal como o nome leva a sugerir, os cachos de uva ficam na videira até muito mais tarde e só são apanhados (de preferência antes das 10h da manhã e a uma temperatura que não exceda os -8ºC) após terem sido "aconchegados" com uma boa dose de neve e geada de inverno. Este tratamento faz com que desidrate os bagos e lhe concentre os açucares, ácidos e aromas, intensificando desse modo os sabores.

As uvas congeladas (e nunca deverá tratar-se de um congelamento artificial) são pisadas no exterior, a um frio extremo. A água contida no sumo, permanece congelada em cristais de gelo e somente umas poucas gotas de sumo concentrado é obtido.
Procede-se então à fermentação lenta do sumo, o que leva vários meses, parando naturalmente.

A título de curiosidade:
- A Ásia é o maior exportador de icewine canadiano;
- Uma garrafa de 375ml pode atingir os "seus" $300;
- No Canadá, o preço médio para uma dessa garrafitas é de $45.


Tragam os queijos, eu forneço o vinho! ;-)
... tchim, tchim





segunda-feira, janeiro 31, 2005

Welcome to Dildo !



Pelos vistos, anda aí pela comunidade bloguística, uma febrezita encadeada de nome Dildo.

De modo que me lembrei de vos dar a conhecer isto.

(acho melhor não entrarem pelo link adentro com as perspectivas a mil; podem-se desiludir)

domingo, janeiro 30, 2005

Lentes de Contacto - III


quinta-feira, janeiro 27, 2005

Para não esquecer



60 anos

(por incrível que pareça, nunca mais aprendemos a mudar)


Fotos daqui e daqui.

domingo, janeiro 23, 2005

O Canada!


Aqui está, para concluir uma promessa feita há tempos ao Dodo, um pequeno apanhado, feito de um modo aleatório no meu dia-a-dia, de elementos que caracterizam parte deste povo e que ele poderá incluir (se assim o bem entender) na sua coluna sobre nacional-hinologia,
É uma ementa com carácter eterno. Novos elementos podem sempre se juntar.

Cá vai, então:



"A mari usque ad mare"
(cá está o hino e a letra para acompanharem)

- Defensor agressivo dos direitos humanos;

- Defensor agressivo de qualquer direito a quem tenha direito de os ter, e que muitas vezes acaba por entrar em conflito com outros direitos anteriores;

- Sociedade comodista;

- Condutores extremamente amaveis;

- Ter cuidado com a velocidade aplicada por eles (condutores): respeitam sempre os sinais de velocidade maxima; nunca os substime!

- Conduz-se só com uma perna; os músculos da esquerda vão definhando;

- Women rule (ou seja, é uma nação gerida por mulheres);

- Corrida ao Ouro.
Em Agosto de 1896 quando Skookum Jim Mason, Dawson Charlie e George Washington Carmack encontraram ouro num afluente do rio Klondike situado no território de Yukon, não faziam a mínima ideia de que acabavam de dar início a uma das maiores corridas ao ouro em toda a história;

- Inuksuk- objectos feitos em pedra pelos Inuit (vulgo esquimó) e que quer dizer 'to act in the capacity of a human'. Dentre as suas várias funções prácticas, destaca-se por ser útil na caça e ajuda à navegação, dar coordenadas, indicadores e transmitir mensagens;

-Uma fatia de arte. Em 1920 estes pintores formaram The Group of Seven;

- Kluane Park, no Yukon, é o ponto mais alto do Canadá com 5,959 metros acima do nível do mar;

- Segundo país com maior extensão territorial, composto por 10 províncias e 3 territórios;

- The First Nations : A constituição canadiana reconhece três grupos aborígenes- Indians, Métis people e Inuit.
São três povos que se destacam pelas suas tradições, língua, crenças espirituais e costumes únicos;

- Museu de Guerra.
Dizem que a sua missão é para: Remember, Preserve and Educate. Tendo em conta a quantia que lá vamos todos meter no dorso do porco ($135.75 milhões), vão ser aulas para durar gerações infinitas. Para quem gosta de acção, é só clicar no link da camera ao vivo no lado esquerdo;

- Bidé.
Eu tinha que falar no bidé. Acessório tão prático mas quase inexistente neste país. Símbolo (para mim) de poupança, moderação e economia e no entanto só se vêem (e muito raramente) nas casas da alta sociedade! Um verdadeiro enigma, a meu ver.

- Homossexuais americanos estão desde há cerca de um ano a invadir território canadiano, legalizando-se; uma vez que foi permitido neste país o casamento entre eles (e elas). Um dos contra-ataques ao governo, reside na afirmação de que por este andar, muito em breve, será legal exercer aqui a poligamia.

___________________________

Por hoje fico-me por aqui. Assim que me lembrar de algo mais, adiciono.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Da gaveta de dentro - II


Nunca gostei de apagar as velas do bolo de aniversário (aquando em adulta), como quem deseja apagar todos os erros do passado.
Redimir-se do mal que fez.
Esse desejo de recomeçar.
Nova massa.
(como se isso fosse possível...)
Nunca gostei.

Porque o que sou hoje, é precisamente essa soma de erros com umas subtracções esporádicas de remorsos.
(e um pouco de algo mais)
E isso eu não desejo apagar.
(por enquanto)

Para o ritual de aniversário (se é que realmente tem de haver algum), prefiro o acender pausado e firme, de cada uma dessas velas e quedar-me a vê-las arder até ao último resquício de fio, enquanto as vozes bradam ao meu redor.

Leonardo da Vinci



Será que foi aqui que ele se encontrou com Mona Lisa para lhe perpetuar o rosto?

Para já, é só mais uma teoria.



Margaret Atwood



Segundo os críticos literários, é considerada uma das escritoras mais talentosas do nosso tempo.
(Cada vez mais me convenço que todas estas referências na contracapa dos livros, são bastante subjectivas e relativas).

Há uma certa passagem no livro que estou a ler, não sei se propositada (nada até aqui me leva a pensar que sim), que me deixou perplexa.
É pena (se realmente foi falta na pesquisa da escritora), pois tem uma escrita que se absorve bastante bem e um sentido de humor à mistura que chega a roçar a sátira despretenciosa.
Falo desta parte:

"I closed my eyes: there in front of me, across an immense stretch of blue which I recognized as the Atlantic Ocean, was everyone I had left on the other side."


A acção decorre numa pequena aldeia chamada Terremoto, em... Itália.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Sliding awayyyyyy....



A- desculpa, mas nao posso falar com acentos
B- Não faz mal :-)
A- ehehe... fica um tanto esquisito falar sem eles...
e como comer uma boa sardinha assada,.... e nao ter que lhe retirar as espinhas
B- lolll
A- (por mais incomodas que sejam, sempre lhe pertencem)
B- k comparação....
A- ahahahahha
A- essa foi boa... (acho que merece ser repassada )


___________________________

E por falar em sardinhas.
Deixem-me cá gravar esta passagem neste paredão:
Aqui, no Inverno, parecemos todos uns chouriços ambulantes, enregelados, à procura de uma boa brasa.



segunda-feira, janeiro 17, 2005

Dúvida I



Mãã... tem mais criminosos fora ou dentro das prisões?

(Veronica)

Na busca da raíz



“Only two things are infinite: the universe and human stupidity, and I’m not sure about the former”
(Albert Einstein).

Outro Albert, procurou equacionar a tal questão; qual brecha mais dilatada que qualquer buraco negro imaginado.
No que deu?

... nisto

sábado, janeiro 15, 2005

Hope dangles on a string
Like slow spinning redemption
Winding in and winding out
The shine of it has caught my eye

...

So let me slip away
So let me slip against the current


(Dashboard Confessional - Vindicated)

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Um amor de perdição



Namoram-se sempre que podem.
Quase nunca quando mais o desejam.
Acredito que (preciso de) um dia possam ser felizes no transpor dos seus percalços.
Sem metas e várias barreiras.








Um complemento singular.

Se conduzir...



Desaconselho (eu até diria "veementemente", não fosse a trabalheira de o escrever) conduzir após ter jogado Pac Man por uns minutos!
(ok... ok... umas horitas).

É que por breves segundos, o cérebro confunde-se e o acelerador vira controle de velocidade do joystick e os carros que connosco se cruzam, mais parecem as cabras montanhesas. Pulamos nelas com o rabo (sim, sim... diz-se mesmo assim: butt bouncing) e elas evaporam-se.
E os peões?
Esses transformam-se em fantasminhas psicadélicos. É só comer a pastilhita amarela e... puff!
Vão-se!
Há só um ligeiro senão: só nos é permitida uma vida para estas diabruras todas que pululam o pensamento.

(mas que a tentação é grande, ai isso é)



... e não bebi!!

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Cabeçadas - V



No silencio, eu escalo-me.


_________________________________

Este é um dos entremeios do bolo que está para sair do forno.

- Bolo de arroz?
- Também podia ser, mas se calhar... é Rei.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Ainda na senda de referências



Salivei-me que nem uma perdida ao ler este sítio.

Isto é que foi um manjar de deuses!
E como aperitivo, um almofariz bem requintado. ;-)

Bendita a hora em que deitei fora a cana de pesca: apanha-se peixão muito mais gordinho com a Pesca de Arrasto (de preferência, com rede fina - perdoem-me lá vocês no DGPA).

(buurppp)
(com licença)
Estou satisfeita.
(por agora)!


domingo, janeiro 09, 2005

Sem muito tempo...



Gostaria, no entanto, de deixar aqui uma referência a um texto ("O mar enrola na areia") que eu achei excelente de alguém que eu, desde que descobri o seu blog, passei a ler com bastante atenção.

Aos poucos, acho que vos consigo ler a todos.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Cabeçadas - IV



A cada bicho, seu condicionamento.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Saudade



Já não costumo chorar nas despedidas.
Não sei desde quando, já não tenho lembrança da última vez, mas já foi há bastante.
Talvez seja pela assiduidade com que têm acontecido ou, quem sabe, seja mesmo assim, um processo pelo qual eu (e qualquer um que se despeça frequentemente dos que ama e onde haja distância física considerável) temos ou devemos de atravessar.
Uma rota incontornável.

Só depois, já de regresso a casa, sózinha, projectam-se-me cenas de um futuro que não verei; as vozes que até há bem poucos segundos atingiam-me os tímpanos com uma perfeição cristalina, não passam agora de sons abafados pelo meu murmurar.

Tive dificuldade em discernir a estrada, por várias ocasiões e de nada resultou ligar os limpa-pára-brisas.

Passou-me então pela ideia um pensamento que tinha frequentemente em criança:
- queria morrer antes de ti, para não ter que sofrer com a tua morte.

Agora que sou também o que tu foste (e continuas a ser) para mim, hesito débilmente em que lado desta balança colocar os pés desnudos...



(após ler o teu bilhete, a Verónica diz que continuas presente... no coração dela)

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Retrato de (um) povo/s



Não é o tecto da Capela Sistina...
eu sei...
é, todavia, a veia que nos transporta à descoberta de algo que, no fundo, faz parte de nós mesmos.




Canadian Museum of Civilization

quarta-feira, dezembro 29, 2004

Lobo Antunes diz que há-de amar uma pedra...

E que fazer quando já se ama um rochedo?

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Ofereço-vos...



O açucar em pó das minhas manhãs


A farinha das minhas tardes


E a heroína das minhas noites

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Surpresa!



Não podiam ter chegado em melhor altura.

O termómetro atingia uns fantasmagóricos 40 e tal negativos (tomando em consideração o factor vento), quando, por volta das 3 da manhã sinto baterem à porta (e não era a neve, não).

Pelo meio da condensação cerrada, gerada pelo abrir da porta; na fronteira entre o quente e o gelado; vislumbro-lhes os rostos.

Eu só posso dizer:
- Sou filha de uma mãe fenomenalmente louca!
Que se lixe o pai natal quando se tem uma mãe assim!

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Diálogo - I



Estava na hora da deita.
No quarto escuro desenhavam-se as habituais sombras de todas as noites.
Ele nem sempre se queixa, mas nesta noite em particular, fê-lo mais que o habitual; de modo que...

- Ouve Daniel... que é que vês no escuro?

- ... hmmm.. nothing.

- So... there's nothing to be scared of.

- But... if you're not scared of anything, you don't belong in this world.

(eu arregalei os olhos: pela natureza do que ele me disse, mas também porque despertou em mim uma certa lembrança de algo em que eu pensava quando era pequena)

- Mas... como é que te lembraste disso?

- Verónica told me so.

________________________


Já falei com a Verónica.
Fiquei a saber que de facto eles já tinham tido esta conversa mas foi mesmo ele que se saiu com aquela tirada.
É natural que ele tenha feito uma certa confusão em relação à sua proveniência; a memória trai-nos mais do que muitas vezes julgamos.

Mais confusa fico eu com a maturidade do que se passa nestas cabecinhas tão jovens.

sábado, dezembro 11, 2004

(toc-toc-toc)



(toc-toc-toc... toc-toc-toc)

"Atão?... 'tá alguém em casa?..."

"Será que o riacho secou de vez?.."


(tec-tec tec-tec-tec)

"...'inda não, 'inda não!
Agora voltei ao tempo da velha máquina de dactilografar... tsc tsc... sai tudo mal.

Só erros, papel desperdiçado, paciência esgotada... e ainda por cima não lhe encontro o botão de ESC!"
(pfff)

Poema bibitu



Como não posso estar quieta por muito tempo, quando ando de autocarro entretenho-me a pescar frases que vejo nos reclames de publicidade que revestem as paredes do dito e me acolchoam as pupilas.

Saiu algo como isto:

Better get used to hearing

Reward

Courtesy and respect it's a two way street

Ventilation

Suis ta passion!
Pay the fare or pay the fine
Wherever life takes you

"Exit at the rear"




segunda-feira, dezembro 06, 2004

Da gaveta de dentro - I



Aqui há uns dois anos atrás, aquando em Portugal, achei, no mínimo, "curioso", quando uma das minhas tias (que nem sequer o é) me informa, toda entusiasmada:
- "... o Fernando já não trabalha na fábrica! A Rosinha comprou-lhe um café."
Sorriso de orelha a orelha, referindo-se, respectivamente, ao seu cunhado e sua irmã.

Se este facto me tivesse sido contado por um familiar directo do Fernando, a exposição teria sido feita de outro modo, estou em crer.

É estúpidamente absurdo como a parcialidade nos consegue vendar o raciocínio.

sábado, dezembro 04, 2004

Som de embalar



Pink Floyd rasgava o ar,
"Home, home again
I like to be there when I can..."
.

Nunca apreciei tanto permanecer no vermelho, como naqueles minutos que se lhe seguiram.
Teria ficado ali por muitos mais vermelhos, não fossem as buzinas que iriram estilhaçar o momento.

Ali... mesmo em frente, a uns 35º da linha do horizonte (nunca eu a vira tão baixa, palpável) vi-me lá, "home, home again", deitada sobre aquele manto cremoso de quarto minguante; perfeito gomo de embalar.

São momentos como este que pertencem à tal cadeia-por-ser e quando acontecem, elas nem pedem licença; transbordam e fluem naquele leito morno, sem que lhes seja necessário indicar o trajecto.



quinta-feira, dezembro 02, 2004

Mais um episódio branco



Esta revelou-se uma noite ainda mais rocambolesca que a da "maçã branca" e companhia.

Perco o autocarro, levo o carro.
Dou mil voltas para arranjar um estacionamento vago.
Aula.

...

De regresso ao lugar X, estarreci ao vê-lo... vazio!
Verifico se foi mesmo nesta rua que o deixei... SIM, FOI!

Roubado ou rebocado?

Telefono à polícia.
Serviço telefónico impecável, sem esperas, eficaz, ligações internas rápidas que terminam no serviço de... reboque.
Aponto a rua e número.
Tomo um autocarro até lá perto.
Segue-se uma viagem de taxi = $8.oo
Chegada à destinação, há que arrotar com $90.95 se desejo as 4 rodas de volta.
Tempo usado nesta "vadiagem" = 3 horas.
(convém adicionar que é madrugada)

Ah bendita neve que tudo encobres (até mesmo entradas particulares!).

MORAL da história:
Levanta sempre o manto, por mais belo que ele seja, pode sempre esconder inconvenientes.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Cabeçadas - III


Eu tenho momentos de felicidade com pequenas coisas; aragens simples que me roçam o rosto e me fazem esboçar sorrisos que se ecoam até ao fundo de mim.

Eu meço a minha felicidade com os impensáveis.

(como este... de uma lucidez silenciosa)

quarta-feira, novembro 24, 2004

Lentes de Contacto - II



Ora porra!


E não é que o autocarro não esperou mesmo por mim?!

Sinceramente.
O de hoje foi mesmo um dia 'não'.
Um daqueles que só mesmo para... escrever e não esquecer.
Ele já não tinha começado nada bem.
Começado?... começado, não, que isto tem sido é uma sucessão desajeitada de dias ao longo destes anos todos... como é que vai agora "começar"?

Noite em branco. Branquíssima. Com uns sarapintados de preto. O das letras.
Terminar um trabalho e nem lhe gostar do cheiro, é lixado.
Ainda por cima sem ter visão para descobrir erros (quanto mais virtudes).
Dormir.
Uma, duas horas.
Toca a preparar os leites e lanches e isso.
Dormir (de novo).
Toca a acordar. Fazer o almoço.
Dormir (é que eu durmo melhor é de dia mesmo).
Toca a acordar. Fazer o jantar.
Fazê-lo à pressa e nem sequer ter tempo de comer.
Toca a sair de casa.
Há que bater na impressora e ter o trabalho aprumadinho.
Corre, corre...
Ahh!
Agora durante três horitas, alapa-se o traseiro e ouve-se a mulher falar acerca dos finados.
(mas que sossego)
Ok. Terminou mais cedo. Enquanto faço horas para o autocarro, vou ali dar um giro.
Giro dado, 'tá na hora.
"Ó carago! E passes?... já não tenho mais passes?... %m$e#r@d#a!..e moedas... pff... falta-me $1 pr'ó bilhete... fogo.... não 'tou a gostar nada disto"
Corre, corre...
(Vai lá abaixo, compra passes...)
"... merda, 'tá fechado"
"Eilá... que é aquilo ali: change machine... olha que sorte. Nunca a tinha visto!"
Lá lhe enfio uma nota de $5 (não, o autocarro não aceita notas, ou melhor, aceita, mas não dá troco) e espero pelas moedinhas sairem de algum buraco.
Qual quê!
Desata a sair é um cartão. Telefonemas no valor de $5!
(eu já fumego)
"'Tá visto. O 129, já não o apanho, e é o último... vou no 2. É mais à volta mas é a única maneira..."
Toca a andar e andar.
Ainda bem que gosto de chuva.
E é mesmo daquela que eu gosto.
Que estranho.
Nunca me lembro de a ter visto cair, aqui, no mês de Novembro.
Que consolo nas bentas.
Nem o capuz pus (ahah.. uz-uz) e nem que o pusesse ela molhava-me na mesma. Entra de lado e molha tudo.
Deixa-me cá parar aqui, ver se me trocam uma nota ou se me obrigam a comprar algo...
Na maior.
Já vou eu pela rua acima, já vou no 2.
Mas... pera lá, deixa complicar mais as coisas. A Ana mora no trajecto... deixa lá parar por uns minutos.
Já que está tudo ao revês, que continue.
É só novidades!
Nunca tinha visto uma 'maçã' branca! Olha que gira, toda compacta.
"Foi só por isso que ele o comprou: fica bem em cima de qualquer móvel e nemprecisa ter internet, é só para ouvir música."
Encheu-me a pança: sopa, vinho, fruta e até um chá de cidreira para dormir bem.
(eheh... que engraçada)
Eu pareço uma mendiga.(aliás... sinto-me mesmo uma)
E até me trouxe a casa!
Poça! Isto só mesmo em dias "não".
12:30
Abro a porta.
Com dois passos dentro de casa já se ouve a festa "mã... mãã... I missed you".
Cá vêm os rapazotes.
Lá faço o ritual do costume, caio de quatro, deixo que me lambuzem a cara de beijos e só me falta abanar a cauda.
"... mas como é? Vocês ainda estão acordados?"
(isto é uma casa de doidos)
"shhh... não façam barulho que as manas acordam."
Descalço-me e enfio-me na cama com eles para ver se a festa não se prolonga.
Meia hora depois:
"mã... I'm hungry."
(toingg)
"Vá... venham daí. Vou-vos aquecer leite."

_______

(acho que vou montar cama na cozinha e passar a dormir lá)

(ahh... e não era nem de laranja nem ananás... era de pêssego, compal!)

(nota-se que o chá fez mesmo efeito)

domingo, novembro 21, 2004

Cabeçadas - II

(Para mim) Na maior parte das vezes, o escrever, só por si, não acarreta propriedades curativas.
A excitação que sentimos ao nos sabermos lidos, isso sim, é que serve de bálsamo ás (minhas) nossas chagas.


________________

Depois de ter lido os dois primeiros comentários, reparei que cometi uma grave falta, a que de imediato corrigi e coloquei entre parênteses.

E perante essas opiniões que tive, lembrei-me de colocar aqui a questão:
- O que é que, na escrita, vos proporciona mais prazer?

Não se trata de uma competição :-)
digamos antes, uma mesa redonda onde colocamos as diversas ideias acerca deste assunto.
Claro que todos são bem-vindos à mesa.

sexta-feira, novembro 19, 2004

quinta-feira, novembro 18, 2004

Cabeçadas - I



Foi um dia a sensação de poder alcançar o todo através do teu nada.

E hoje,
eu sou esse nada.

terça-feira, novembro 16, 2004

Será exemplar único?



Dicionário da Língua Portuguesa
2003
Porto Editora

Acabadinho de chegar. Lanço-lhe as maos ao pescoço e desato a passear-lhe as palavras.
Gostaria que me corrigissem, por favor (quem queira e tenha pachorra).
Será que só este exemplar que aqui tenho do dito dicionário (sublinho: da Língua Portuguesa), tem vocábulos ingleses?

Tipo:
- behaviourism (pg. 221)
- bypass (pg. 266)
(entre muitas outras)

Não tenho nada, mesmo nada, contra a evolução de uma língua. Afinal, a mudança é permanente e requer que a língua acompanhe esse progresso.
Agora, o que discordo completamente é do facto de colocarem a palavra no original sem ligar sequer à fonética (acho que é este o bom termo...).

Quando muito que pusessem: baipasse!

E depois dos estrondos do dia



9 e tal da noite.

Vejo o Daniel concentrado como nunca. Vislumbro-lhe já o perfil de homem sério. De lápis em punho, lentamente a escrever o nome dele... uma, duas, muitas vezes.

Ao meu lado, está o David, sentado a beber o leite às goladas enquanto que pausa entre cada uma delas para as contar... one, two, three... chegou a nineteen, disse que já não queria mais.
(Foram goladas grandes!)

A Veronica e a Jessica, revezam-se a ler uns livros que trouxeram da escola. Pautadas.
Diria mesmo, melodiosas.

A felicidade bebida em quatro gotas de água.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Postita rápida



Só para me activar de novo a "voz"... nem que seja por um ou dois dias.

Já agora, deixo-vos com este presente todo catita que achei por aí fora.
Não é que vá ficar por muito tempo; primeiro porque não tenho muito jeito para embelezar com trecos destes e segundo porque a duração que isto tem sob a forma gratuitu, não é eterna ;-)

... é aquela coisa ali embaixo... no lado direito do ecrãn.

Saudades, muitas.

sábado, novembro 06, 2004

Interregno



F
...E
.......C
..........H
.............A
................D
...................O

... por algumas semanas.

As cinzentas já começam a ficar negras.
As sinapses estão deveras sobrecarregadas.
... 'n' de tempestades na costa.
Vou fechar as janelas.

Até lá:
Um beijo a todos e a cada um de vocês em especial.

Ponto final (temporário).





quarta-feira, novembro 03, 2004

A velha mas sempre presente: CENSURA



Não é meu costume publicar aqui e-mails que me são reenviados, mas muito sinceramente, este que se segue, levou-me aos arames (tendo em conta que o tomo como legítimo e verídico).
A ler (quem ainda não conhece):

Exmo. Sr. ou Sr.ª:

Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.

Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.
E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes.

A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia.

Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente. A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me. Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito.
Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções:
instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda.

Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog".
Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão. o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada.

E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador:
"reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor".

É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa, censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.

Com os melhores cumprimentos

Atentamente

Orlando Manuel S. Cardoso
Rua Paul Harris, nº 13 - 1º Esq
3100-502 Pombal
Telef.: 236213594 - 936354363

E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt


_________________________

Sem comentários mas com firme propósito de acção.

Non Sequiturs com fartura



"Things that happen by chance
are events in search of causes."


K.C. Cole, The Universe and the Teacup, 1998

Ali pelos meus 12 anos, comecei a coleccionar reflexões; pensamentos que via escritos em qualquer publicação que me passava pelos olhos.
Tornou-se num verdadeiro culto.
Havia uma altura em que sabia de cor a maior parte das que lá tinha escrito, tal era a assiduidade com que folheava aquele caderno de argolas, revestido por mim com uma capa fina de cortiça ( para resistir às intempéries ) .
Agora com o Citador sempre a actualizar e outras tantas páginas que por aqui existem com tal conteúdo, o tal caderno virou receptáculo de poeira.

Tive uma certa nostalgia, quando me deparei com aquele pensamento de Cole num livro que ando a ler, de modo que, após uns espirros, lá encontrei umas linhas ainda livres e toca a encafuá-lo lá.

E agora em jeito de non sequitur... (que é mesmo nisto que me sinto bem)... enquanto que não descubro a causalidade de certos eventos que se vão dando na minha vida, continuo a jogar ao pião com bolas de sabão.
( devo ter algum fetiche recalcado com o pião!... já aquando de Plutão, foi com ele que brinquei!... hmm... faz-me pensar)



quarta-feira, outubro 27, 2004

És total



Neste preciso momento, cobrem-te lentamente o corpo, habitualmente de um alvo aveludado, com outros tons que só te conferem ainda mais magia.





Confusa e disparatada




A minha verdade foi aqui inventada.


Esta saiu-me assim, tipo bolha de sabão.
Ainda vinha agarrada aos farrapos de algum sonho, a que agora me fogem os pormenores.
Deambulava ainda eu entre aquelas paredes que separam a ambiguidade do sonho e os sons ainda ténues do real, quando a ouvi sair da garganta, da minha.

Não lhe vejo é ligação.
Mas a verdade inventa-se?... se se inventa, poderá ser verdade?
E qual foi essa minha verdade com que me esbarrei?

Resumindo:
Vou ter que passar a dormir com o meu cadernito de capa azul à minha beira.

Multiplicidades



Hoje, quando voltava para casa, dou por mim a reparar (se bem que o faça também todas as outras noites quando viajo de autocarro, mas só hoje me deixei levar a publicar o que matutei)... a reparar no pessoal que me acompanha.

Com os olhos postos em cada cabeça que consigo ver, vou-os contando, todos os que estão de um lado e multiplico por dois... devemos ser uns 40 (é daquelas camionetas que parecem uma lagarta, dobra-se a meio) e dentro desses 40 consigo descortinar pelo menos, aí umas doze nacionalidades diferentes.

Ora... (aviso já que isto é um texto reflexão que vai ficar incompleto, sinto-o, e ter que continuar um dia mais tarde)... ora, o que me surpreende por demais, no meio desta sociedade, é precisamente, como é possível haver coesão entre tal multiplicidade étnica?
- um país que tem, pelo menos, 40% dos seus habitantes, origem que não seja inglesa nem francesa;
- não têm a mesma língua materna;
- costumes, crenças, modos de vida completamente diferentes.

Como, no meio destas dissemelhanças todas, se consegue obter homogeneidade?
No meio deste pluralismo, nota-se no geral, um caminhar lado-a-lado.

(e a este respeito já falei a "X", aqui há centenas de meses atrás, que iria publicar sobre isto, no entanto tenho vindo a adiar... continuo 'verde' no assunto... e por me achar 'verde' é que o vou deixar em aberto)


Hoje, fico-me pela pergunta.
Mais tarde, volto ao ataque; e para quem quiser dar a sua opinião, agradeço bastante que o faça... alarguem a minha visão (preciso de completar um projecto, por isso... venham daí novas ideias... eh eh eh)

terça-feira, outubro 26, 2004

Carpe Diem

"We must constantly look at things in a different way.

Just when you think you know something, you have to look at it in another way.

Even though it might seem silly or wrong, you must try it.

Consider what you think. Break out!
Don't just walk off the edge like lemmings... look around you!!"

- in "Dead Poets Society", escrito por Tom Schulman

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

E é assim que talvez se consiga absorver o dia; chupar o instante até à medula.
(obrigada Cidadão :-) )

O nascimento de uma crise

Para quem o barco do aborto causou tanta polémica, que pensar (se é que ainda se pode pensar após saber-se de tais barbaridades), como agir perante o que se passa no Quénia?

Como horrível ironia, a política dos EUA ao cortar ajuda internacional de planeamento familiar (ao que eles chama de "global gag rule") que tinha como fim petendido diminuir a taxa de abortos; resultou precisamente no contrário: num aumento ímpar desses mesmos.

TODOS os dias, agentes policiais da cidade de Nairobi, enfrentam a traumática cena de recolherem fetos abandonados em qualquer lixeira da cidade.

Sacos plásticos são recolhidos do rio Ngong, um braço de rio deveras poluído, repletos de fetos (por vezes lá se encontra um ou outro bébé com a gestação completa).
Sacos, que esperam ser levados pelas chuvas, mas que acabam por se acumular nas margens durante a seca que houve nesta Primavera.

(...)

Na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que teve lugar em 1994, no Cairo, 179 nações assinaram um programa de acção na totalidade de 20 anos, que visava melhorar as condições de saúde sexual-reproductiva até 2015.
Cada país participante tinha a sua determinada quantia a pagar; tendo os países em desenvolvimento, que contribuir com 2/3 dos custos do programa, e os países desenvolvidos, com o restante.
Como a lista é enorme, passo a reproduzir uma meia dúzia dos países incluídos (em dólar americano) só a título de (muita) curiosidade:

Dinamarca -
Devia: $ 203.7 M - Pagou: $ 323.8 M
Deve: $zero

Luxemburgo -
Devia: $ 22.8 M - Pagou: $ 26.9 M
Deve: $zero

Holanda -
Devia: $ 208.0 M - Pagou: $ 336.4 M
Deve: $zero

Suécia -
Devia: $ 296.7 M - Pagou: $ 388.1 M
Deve: $zero

Portugal -
Devia: $ 136.4 M - Pagou: $ 7.0 M
Deve: $ 129.4 M

EUA -
Devia: $ 12.3 B - Pagou: $ 4.1 B
Deve: $ 8.2 B

Reino Unido -
Devia: $ 1.9 B - Pagou: $ 1.1 B
Deve: $ 744.5 M (?) (de acordo com o que li)

Canadá -
Devia: $ 850.1 M - Pagou: $ 196.9 M
Deve: $ 653.2 M

====================================================

Por cada $1 M a menos recebido para fundos que vão contribuir para a compra de contraceptivos, equipamento medical e víveres, entre outros, resulta em:

360.000 gravidezes não desejadas
800 mortes maternas
14.000 mortes adicionais de crianças abaixo dos 5 anos
150.000 abortos provocados
11.000 mortes infantis


?

segunda-feira, outubro 25, 2004

Sinestesia

Lembro-me ainda,
que sabor têm os sons que pronuncias.

Lembro-me ainda,
as mais variadas cores que preenchem a tua voz.

Vejo ainda,
sendo eu já cega,
ao ouvir-te falar,
as mais belas combinações luminosas
que me estalam cá dentro
o olfacto
à passagem desses olores.

Cada nota, uma cor.
Cada som, uma brisa.
Cada ritmo, uma essência.
Cada palavra, um sabor.


m. leal
21 Outubro 2004

sexta-feira, outubro 22, 2004

Quem testa quem?

Eu acho impressionante a quantidade de testes que fervilham pela net (e não só) que nos ajudam a descobrir um EU que nunca atingiriamos, por certo, de modo algum, através de pura introspecção.

Eu já lhes perdi a conta.
Já não me recordo com que ser mitológico eu me assemelho... nem com que espírito irei acordar no dia 'X' às horas 'tal'... ou com que tipo de árvore todo o meu ser se entronca.

No entanto há um teste que me fascina: que cor de aura eu possuo!

Não é brincadeira nenhuma conseguir chegar a tal conhecimento através de uma dúzia de batimentos de teclas.
E na minha condição de sujeito com uma mente aberta, eu experimento tudo.

Até mesmo aplicar uma certa atitude científica face a estes testes ditos "iluminantes".
Portanto, na próxima vez que me encarar frente-a-frente com um personagem caçador de auras, agirei como James Randi e usarei a abordagem de Moisés: "Testa o profeta."

Randi: Consegue ver a minha aura ao redor da minha cabeça?

"Caça-auras": Sim, claro

Randi: Ainda consegue vê-la se eu colocar esta revista em frente do meu rosto?"

Caça-auras": Mas com certeza.

Randi: O que quer dizer então que, se eu me esconder por detrás de um muro ligeiramente mais alto que eu, você poderá determinar a minha posição simplesmente por conseguir visualizar a minha aura, certo?

Até hoje, o tal sujeito, ainda não acedeu participar neste simples teste.

quarta-feira, outubro 20, 2004

Tempus Fugit

É esta a inscrição gravada no bronze do relógio de sol que nos cumprimenta, solitário, assim que chegamos ao cume da ligeira colina, nesta linda propriedade que a todos pertence.

Quanto a mim trata-se de uma representação bastante contraditória com a percepção que eu sempre tenho assim que coloco os meus pés naquele pedaço de terra.
Em vez de fugir, o tempo, parece sim, regressar ao passado e estacionar em meados de 1900.
Tranquilamente, sem pressa alguma.
Aliás, iria jurar que esse mesmo tempo parece-me pairar imutável.

É, de facto, o meu canto preferido nesta fatia do globo.
Seja qual for a altura do ano, sou atingida por uma profunda sensação de serenidade e paz interior, ao absorver os tons, os sons e os odores destas paisagens.

Mackenzie-King, foi um homem deveras impressionante, com uma enorme visão, que nos legou este magnífico pedaço de solo por onde outrora caminharam ilustres personagens como Winston Churchill ou F.D. Roosevelt e se mantém nos nossos dias, tal e qual como ele o deixou.

Neste dia o sol não brilhou.
Permaneceu sempre por detrás de uma espessa camada nebulosa.
Porém a luz não faltou.
Teve sim, outra proveniência.



Para mais colorido, aponta aqui.

quinta-feira, outubro 14, 2004

quarta-feira, outubro 13, 2004

sexta-feira, outubro 08, 2004

Esta noite

Sou bicho-do-mato.
A claustrofobia ataca-me quando me rodeiam estranhos.
De sorrisos afiados, prontos à mordidela.
Apertos de mão que se enlaçam num engasgar do ar que respiro;
esses sorrisos tornados esgares
ao meu olhar.
Só ao meu.

Eu sei.
Sou um bicho-do-mato reles.

Esta noite conto com vocês.
Com cada um de vocês, sem distinção;
estranhos somente ao olhar visual.
De olhos fechados vamos dançar
tu... ele... ela... eu... todos nós!
Ajudem-me a enfrentar a noite que se aproxima.


~~~~~~~~

Só vos queria agradecer por todas as palavras que aqui escrevem, pela presença mesmo sem ser escrita.
Sei que por vezes vos respondo, por outras, não.
Não é por ser indelicada, acreditem.
Nem vou arranjar nenhuma desculpa esfarrapada.
Sou assim... 'um pouco' despassarada.
Um beijo em todos vós.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Troquei-lhe o fio atrás.
As colunas são agora nascente ao rubro de um dos sons que me mastiga o ser.
Prontas à partilha.
No desvaire do momento,
o corpo torna-se independente,
e
entre os meus solavancos ritmados,
no segundo em que esta passagem se ouvia:


I’m sick of the tension
Sick of the hunger
Sick of you acting like I owe you this
Find another place to feed your greed -
While I find a place to rest

Eis que me saltas ao colo!
Abraças-me de tal modo
que o meu e teu balanço rítmico, são um só,
esfuziante!

Só no fim do trecho reparo que tens o mesmo modo, que esta tua mãe, de absorver a música:
de olhos fechados!

(quando formos os dois ‘adultos’ - eh eh eh… esta é uma indirecta ;-) - eu e tu, David, vamos arrasar as pistas de dança! )

segunda-feira, outubro 04, 2004

Budget 2005

Numa das minhas idas à biblioteca, deparei-me com dois folhetos que me atraíram imediatamente.

O processo de criação do budget (orçamento ?) desta cidade começou.

Este ano, pela primeira vez, os cidadãos terão a oportunidade de expressar a sua opinião em relação aos contornos desse orçamento antes que seja aceite pela Câmara.

Um dos folhetos trata de nos dar informação a respeito do assunto delineado.
Com possíveis perguntas e respectivas respostas.
E o outro é o questionário em si.

Confesso que fiquei bastante surpresa e ao mesmo tempo feliz por ver tamanha abertura em relação à actuação directa do público na engrenagem de crescimento de uma cidade.


______________

P.S.: Cá está o dito link.

sexta-feira, outubro 01, 2004

Curiosidade nata

Era meio-dia.
Num dia qualquer desta semana.
Esperavamos o autocarro da escola para o Daniel.

Com as miúdas já na escola desde manhã cedo, a minha atenção diminui para metade, de modo que me delicio com certos prazeres - habitualmente remetidos a segundo plano - como aquele com que me entretinha no momento: o envolvente abraço solarengo de Setembro que se findará num piscar de olhos.

Não me dei conta de como se levantou, nem qual dos dois induziu a esta acalorada 'discussão'.
Quando aterrei (no mesmo plano audível que eles), foi a partir daqui que os apanhei:

Daniel diz: “No! The front of the road is nowhere!!”
David responde: “No… you’re wrong! IT is everywhere…”

Viram-se então os dois para mim, após uns largos minutos de exuberante discussão madura entre dois miúdos de cinco e três, respectivamente.

Os dois: “Mããã… where is the front of the road??”


Esta pergunta dos miúdos transportou-me de novo à minha infância.
Fazemos continuamente comparações de viveres, de acções...

Quantas vezes me lembro eu de ter presenciado conversas em criança, entre adultos e mais jovens e perante a curiosidade, sempre no pico, da criança, a maioria das respostas que essa mesma tinha eram:

- "olha... olha! Mas que palerma! Isso é pergunta que se faça?"

- "... ui! ... que tristeza! Não tens mais que fazer do que fazer perguntas parvas?"


E por aí fora.
O que não faltava era desse tipo de exemplos.

Perante reacções deste género, como pode uma criança tornar-se forte no saber e continuar a querer descobrir para além do que os seus olhitos vêem?

Porque será que temos todo um potencial de querer sabermos mais, mas que tem tendência a sumir com o decorrer dos anos?