
Um dia, congelo-as todas.
Não as verterei jamais, nem por ti nem por ninguém.
Deve ser um sonho, só pode, a ideia de que posso fazer incidir os raios de sol na nossa vida.

Esta é forma mais aproximada do que eu sinto para vos agradecer, a todos sem excepção (tivessem deixado comentário ou não).
Se é mariquice ou não, cago para isso.
Deixo-vos com um pouco do que me extasia.
(prometo que vou criar um blog alter-ego e não vos preocupo mais ;-) )
Conseguir parir uma foto destas, é como ter a sensação de possuir por, nem que seja uns meros segundos, uma poderosa mão criadora.
Quando eu for grande, quero pertencer a este Clube.
(foto aqui)
... fez anos ontem.
É só mudar o oito para quatro, o sentimento lá reflectido é o mesmo; o meu tempo livre é que nem sempre o é.
Só uma pequena nota para um possível esquecimento.
Com uma feição tão madura, esculpida naquele rosto que me apetece morder sempre que me abraça, disse-me:
"I just wanna stay little! I don't want to grow up"
(2/Mar/2005)
E eu rio (sim, eu sou louca pelo riso... posso não ter nunca dado a entender isso, mas sou) muito com estas saídas.
Rio de alegria e tristeza pela já maturidade do seu pensamento.
- Have you ever failed?
- Never!... in school, that is. Although I did fail lots of times...
- What do you mean?
- ... in life. I failed in life.
- What was your biggest mistake? (tenho-me apercebido que, nesta idade, tudo é medido por extremos)
- Coming into this country (silencio) I had never told you this before, have I? (sorriso)
- No. ...why don't you go back?
- Because I can't. ... not right now.
- Why don't you like it here?
- I can't really explain it... it's just... not my place. (como a posso fazer compreender?)
- Why are you crying...?
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Uma hora e tal antes, e a propósito de lucky shamrocks e trevos de quatro folhas (que por sinal não são a mesma coisa).
- Why do they say four is lucky?
- I think it all has to do with your belief. If you really believe it will bring you luck, then it might indeed. Even it only has three, two or one.
One day, Avô gave me one that he had found...
- Did it bring you any luck?
- Yes. Luck with four names on it: Verónica, Jessica, Daniel e David.
E ela sorriu.

_______________________________________________
Posto isto... à tua pergunta "Tás bem?", esta resposta é mais completa do que simplesmente "ponto-morto".
Se bem que as duas tenham exactamente o mesmo significado.
Aqueles que ficam por cá; os que não migram.
Como podem eles aguentar descidas escabrosas como a da noite passada?
O pior é o vento. O tal windchill factor. Que chega por vezes a dobrar a descida. Rasga-nos a pele exposta.
O bafo quente que nos sai do cachecol, permite o aparecimento de estalactites nas pestanas e nas narinas.
Acredito mesmo que exposição prolongada a frio deste, seja o fundamento de muita da loucura visível(*).
Adenda:
(*)E invisível.
Já há dias que andamos aos encontrões uma à outra, de um modo tão amiúde, que até me arrepia.

Marc Chagall, Birthday.
Foi há 8 anos.
Há 8 anos que nos vimos pela primeira vez.
A bem dizer, eu vi mais que tu a princípio, mas a cada dia que passa é o teu olhar que vê cada vez mais e me alarga a visão.
Não foi um daqueles casos de amor à primeira vista. Não.
Não o foi porque eu já te amava há muito mais tempo.
Longe vai o tempo dos meus apontamentos a cada segundo da tua vida.
Longe vai o tempo do assinalar os teus marcos miliários.
Os centimetros que eram devorados pelo teu corpinho que se estica a uma velocidade louca, deixei de os apontar...
Tudo isso passou.
Ficaste tu.
Há de tudo entre nós: amor, raiva, ternura, zangas, cumplicidade, afastamento...
E é por tudo isto que és uma das pedras fundamentais à minha existência.
Nada do que aqui escreva conseguirá espelhar o forte sentimento que nos une; nem sequer fazer corresponder as palavras certas com a pessoa especial que tu és para mim.
Só quero que saibas o quanto eu te amo.
Tua sempre,
Mãe
(foto aqui)
O desmembramento, esse, é contínuo, sádicamente pausado, pautado.
Deixo que ceifem, um após outro, pedaços de mim mesma, sem vacilar.
Não (só) porque me embriaga de prazer, mas sim porque esses fragmentos nunca foram realmente meus.
E na plaina do que me restar (se restar), vou por certo compreender-me mais facilmente.
Vendo-me despojada do supérfluo, a visão tende a clarear (... não?).
- What are you reading?
- "Life before man"
- But... that doesn't make sense!
- (gargalhadas despregadas)
Já há bastante tempo não me ria assim tão plenamente.
Sou filha da noite.
Sempre fui.
Desde muito jovem.
Não tanto daquela noite de farra (também, mas sem comparação com esta noite).
Mentiria se dissesse que não sei bem o que me atrai ao silencio da negrura, no entanto não o direi; é algo de que não me disponho a partilhar (por enquanto).
Embora não sendo uma criatura do frio, confesso que as mais belas noites jamais presenciadas por mim, foram aquelas que deslizaram perante os meus olhos sob um frio inumano.
Não sei se pela luminosidade existente em tal oposição teatral, se pelo desejo de ares mais cálidos... mas definitivamente pelas sombras.
Pela objectiva, nada via. Limitei-me a apontar para onde achei que devia estar.
E estava.
PS: Apeteceu-me escrever este post em caracteres webdings.
Não é que deva realmente interessar a alguém; serve mais como uma auto-imposição do que um aviso amigável aos que aqui me visitam.
Uma, duas, três... dias, semanas ou mêses, não sei.
Vou descansar (disto aqui).
Um beijo amigo a todos os que me têm vindo ler e ver. Até um dia destes.
... que atraíram o Vic, lembrei-me de salientar algo a respeito destes exemplares.
Quem não conhece Velcro®?
Esta tão versátil e indispensável ajuda no quotidiano (principalmente para quem tem filhos) emergiu após uma minuciosa observação das tais 'pulguitas'.
Corria então o ano de 1948, quando o suiço George de Mestral, após ter saído com o seu cão para um passeio pelos campos, chegaram a casa cobertos de 'burs' (quem sabe o nome disto em português?).
A partir daqui, fez-se história.
Poderão ler melhor a esse respeito em qualquer site destinado a invenções.
Esta página aqui, é um bom exemplo disso.
- Mããaa... I'm done fazering cócó!!
Daqui a uns 50 anos!!!
O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim.
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.
O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.
Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem? Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.
Meu Deus, tanto sono! ...
Álvaro de Campos

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Com preguiça da outra e com muito deste sono.
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(o primeiro copo vai para o DervixeRodopiante, que me avivou a memória em relação a este assunto)
Uma nova tradição canadiana com origem na Alemanha.
Como quase todas as boas descobertas, esta também teve um nascimento um tanto acidental.
Produtores de vinho em Franconia tornaram necessidade em virtude quando por acaso esmagaram uvas geladas e ficaram surpreendidos pelo elevado teor de açucar.
Corria então o ano de 1794 (assim dizem os entendidos).
Mas só por volta de meados de 1800 é que se começou a produzir icewine intencionalmente.
No Canadá, e em muito pequena escala, Walter Hainle produziu pela primeira vez este néctar, em 1973.
Nos dias que correm, o Canadá é o maior produtor deste vinho doce, rico e raro, vindo a maior parte da colheita da área da Península de Niagara.
Tal como o nome leva a sugerir, os cachos de uva ficam na videira até muito mais tarde e só são apanhados (de preferência antes das 10h da manhã e a uma temperatura que não exceda os -8ºC) após terem sido "aconchegados" com uma boa dose de neve e geada de inverno. Este tratamento faz com que desidrate os bagos e lhe concentre os açucares, ácidos e aromas, intensificando desse modo os sabores.
As uvas congeladas (e nunca deverá tratar-se de um congelamento artificial) são pisadas no exterior, a um frio extremo. A água contida no sumo, permanece congelada em cristais de gelo e somente umas poucas gotas de sumo concentrado é obtido.
Procede-se então à fermentação lenta do sumo, o que leva vários meses, parando naturalmente.
A título de curiosidade:
- A Ásia é o maior exportador de icewine canadiano;
- Uma garrafa de 375ml pode atingir os "seus" $300;
- No Canadá, o preço médio para uma dessa garrafitas é de $45.
Tragam os queijos, eu forneço o vinho! ;-)
... tchim, tchim
Pelos vistos, anda aí pela comunidade bloguística, uma febrezita encadeada de nome Dildo.
De modo que me lembrei de vos dar a conhecer isto.
(acho melhor não entrarem pelo link adentro com as perspectivas a mil; podem-se desiludir)
Aqui está, para concluir uma promessa feita há tempos ao Dodo, um pequeno apanhado, feito de um modo aleatório no meu dia-a-dia, de elementos que caracterizam parte deste povo e que ele poderá incluir (se assim o bem entender) na sua coluna sobre nacional-hinologia,
É uma ementa com carácter eterno. Novos elementos podem sempre se juntar.
Cá vai, então:
"A mari usque ad mare"
(cá está o hino e a letra para acompanharem)
- Defensor agressivo dos direitos humanos;
- Defensor agressivo de qualquer direito a quem tenha direito de os ter, e que muitas vezes acaba por entrar em conflito com outros direitos anteriores;
- Sociedade comodista;
- Condutores extremamente amaveis;
- Ter cuidado com a velocidade aplicada por eles (condutores): respeitam sempre os sinais de velocidade maxima; nunca os substime!
- Conduz-se só com uma perna; os músculos da esquerda vão definhando;
- Women rule (ou seja, é uma nação gerida por mulheres);
- Corrida ao Ouro.
Em Agosto de 1896 quando Skookum Jim Mason, Dawson Charlie e George Washington Carmack encontraram ouro num afluente do rio Klondike situado no território de Yukon, não faziam a mínima ideia de que acabavam de dar início a uma das maiores corridas ao ouro em toda a história;
- Inuksuk- objectos feitos em pedra pelos Inuit (vulgo esquimó) e que quer dizer 'to act in the capacity of a human'. Dentre as suas várias funções prácticas, destaca-se por ser útil na caça e ajuda à navegação, dar coordenadas, indicadores e transmitir mensagens;
-Uma fatia de arte. Em 1920 estes pintores formaram The Group of Seven;
- Kluane Park, no Yukon, é o ponto mais alto do Canadá com 5,959 metros acima do nível do mar;
- Segundo país com maior extensão territorial, composto por 10 províncias e 3 territórios;
- The First Nations : A constituição canadiana reconhece três grupos aborígenes- Indians, Métis people e Inuit.
São três povos que se destacam pelas suas tradições, língua, crenças espirituais e costumes únicos;
- Museu de Guerra.
Dizem que a sua missão é para: Remember, Preserve and Educate. Tendo em conta a quantia que lá vamos todos meter no dorso do porco ($135.75 milhões), vão ser aulas para durar gerações infinitas. Para quem gosta de acção, é só clicar no link da camera ao vivo no lado esquerdo;
- Bidé.
Eu tinha que falar no bidé. Acessório tão prático mas quase inexistente neste país. Símbolo (para mim) de poupança, moderação e economia e no entanto só se vêem (e muito raramente) nas casas da alta sociedade! Um verdadeiro enigma, a meu ver.
- Homossexuais americanos estão desde há cerca de um ano a invadir território canadiano, legalizando-se; uma vez que foi permitido neste país o casamento entre eles (e elas). Um dos contra-ataques ao governo, reside na afirmação de que por este andar, muito em breve, será legal exercer aqui a poligamia.
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Por hoje fico-me por aqui. Assim que me lembrar de algo mais, adiciono.
Nunca gostei de apagar as velas do bolo de aniversário (aquando em adulta), como quem deseja apagar todos os erros do passado.
Redimir-se do mal que fez.
Esse desejo de recomeçar.
Nova massa.
(como se isso fosse possível...)
Nunca gostei.
Porque o que sou hoje, é precisamente essa soma de erros com umas subtracções esporádicas de remorsos.
(e um pouco de algo mais)
E isso eu não desejo apagar.
(por enquanto)
Para o ritual de aniversário (se é que realmente tem de haver algum), prefiro o acender pausado e firme, de cada uma dessas velas e quedar-me a vê-las arder até ao último resquício de fio, enquanto as vozes bradam ao meu redor.
Será que foi aqui que ele se encontrou com Mona Lisa para lhe perpetuar o rosto?
Para já, é só mais uma teoria.
Segundo os críticos literários, é considerada uma das escritoras mais talentosas do nosso tempo.
(Cada vez mais me convenço que todas estas referências na contracapa dos livros, são bastante subjectivas e relativas).
Há uma certa passagem no livro que estou a ler, não sei se propositada (nada até aqui me leva a pensar que sim), que me deixou perplexa.
É pena (se realmente foi falta na pesquisa da escritora), pois tem uma escrita que se absorve bastante bem e um sentido de humor à mistura que chega a roçar a sátira despretenciosa.
Falo desta parte:
"I closed my eyes: there in front of me, across an immense stretch of blue which I recognized as the Atlantic Ocean, was everyone I had left on the other side."
A acção decorre numa pequena aldeia chamada Terremoto, em... Itália.
A- desculpa, mas nao posso falar com acentos
B- Não faz mal :-)
A- ehehe... fica um tanto esquisito falar sem eles...
e como comer uma boa sardinha assada,.... e nao ter que lhe retirar as espinhas
B- lolll
A- (por mais incomodas que sejam, sempre lhe pertencem)
B- k comparação....
A- ahahahahha
A- essa foi boa... (acho que merece ser repassada )
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E por falar em sardinhas.
Deixem-me cá gravar esta passagem neste paredão:
Aqui, no Inverno, parecemos todos uns chouriços ambulantes, enregelados, à procura de uma boa brasa.
“Only two things are infinite: the universe and human stupidity, and I’m not sure about the former”
(Albert Einstein).
Outro Albert, procurou equacionar a tal questão; qual brecha mais dilatada que qualquer buraco negro imaginado.
No que deu?
... nisto
Namoram-se sempre que podem.
Quase nunca quando mais o desejam.
Acredito que (preciso de) um dia possam ser felizes no transpor dos seus percalços.
Sem metas e várias barreiras.
Um complemento singular.
Desaconselho (eu até diria "veementemente", não fosse a trabalheira de o escrever) conduzir após ter jogado Pac Man por uns minutos!
(ok... ok... umas horitas).
É que por breves segundos, o cérebro confunde-se e o acelerador vira controle de velocidade do joystick e os carros que connosco se cruzam, mais parecem as cabras montanhesas. Pulamos nelas com o rabo (sim, sim... diz-se mesmo assim: butt bouncing) e elas evaporam-se.
E os peões?
Esses transformam-se em fantasminhas psicadélicos. É só comer a pastilhita amarela e... puff!
Vão-se!
Há só um ligeiro senão: só nos é permitida uma vida para estas diabruras todas que pululam o pensamento.
(mas que a tentação é grande, ai isso é)
... e não bebi!!
No silencio, eu escalo-me.
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Este é um dos entremeios do bolo que está para sair do forno.
- Bolo de arroz?
- Também podia ser, mas se calhar... é Rei.
Salivei-me que nem uma perdida ao ler este sítio.
Isto é que foi um manjar de deuses!
E como aperitivo, um almofariz bem requintado. ;-)
Bendita a hora em que deitei fora a cana de pesca: apanha-se peixão muito mais gordinho com a Pesca de Arrasto (de preferência, com rede fina - perdoem-me lá vocês no DGPA).
(buurppp)
(com licença)
Estou satisfeita.
(por agora)!
Gostaria, no entanto, de deixar aqui uma referência a um texto ("O mar enrola na areia") que eu achei excelente de alguém que eu, desde que descobri o seu blog, passei a ler com bastante atenção.
Aos poucos, acho que vos consigo ler a todos.
Já não costumo chorar nas despedidas.
Não sei desde quando, já não tenho lembrança da última vez, mas já foi há bastante.
Talvez seja pela assiduidade com que têm acontecido ou, quem sabe, seja mesmo assim, um processo pelo qual eu (e qualquer um que se despeça frequentemente dos que ama e onde haja distância física considerável) temos ou devemos de atravessar.
Uma rota incontornável.
Só depois, já de regresso a casa, sózinha, projectam-se-me cenas de um futuro que não verei; as vozes que até há bem poucos segundos atingiam-me os tímpanos com uma perfeição cristalina, não passam agora de sons abafados pelo meu murmurar.
Tive dificuldade em discernir a estrada, por várias ocasiões e de nada resultou ligar os limpa-pára-brisas.
Passou-me então pela ideia um pensamento que tinha frequentemente em criança:
- queria morrer antes de ti, para não ter que sofrer com a tua morte.
Agora que sou também o que tu foste (e continuas a ser) para mim, hesito débilmente em que lado desta balança colocar os pés desnudos...
(após ler o teu bilhete, a Verónica diz que continuas presente... no coração dela)
Não é o tecto da Capela Sistina...
eu sei...
é, todavia, a veia que nos transporta à descoberta de algo que, no fundo, faz parte de nós mesmos.
Canadian Museum of Civilization
O açucar em pó das minhas manhãs
A farinha das minhas tardes
E a heroína das minhas noites
Não podiam ter chegado em melhor altura.
O termómetro atingia uns fantasmagóricos 40 e tal negativos (tomando em consideração o factor vento), quando, por volta das 3 da manhã sinto baterem à porta (e não era a neve, não).
Pelo meio da condensação cerrada, gerada pelo abrir da porta; na fronteira entre o quente e o gelado; vislumbro-lhes os rostos.
Eu só posso dizer:
- Sou filha de uma mãe fenomenalmente louca!
Que se lixe o pai natal quando se tem uma mãe assim!
Estava na hora da deita.
No quarto escuro desenhavam-se as habituais sombras de todas as noites.
Ele nem sempre se queixa, mas nesta noite em particular, fê-lo mais que o habitual; de modo que...
- Ouve Daniel... que é que vês no escuro?
- ... hmmm.. nothing.
- So... there's nothing to be scared of.
- But... if you're not scared of anything, you don't belong in this world.
(eu arregalei os olhos: pela natureza do que ele me disse, mas também porque despertou em mim uma certa lembrança de algo em que eu pensava quando era pequena)
- Mas... como é que te lembraste disso?
- Verónica told me so.
________________________
Já falei com a Verónica.
Fiquei a saber que de facto eles já tinham tido esta conversa mas foi mesmo ele que se saiu com aquela tirada.
É natural que ele tenha feito uma certa confusão em relação à sua proveniência; a memória trai-nos mais do que muitas vezes julgamos.
Mais confusa fico eu com a maturidade do que se passa nestas cabecinhas tão jovens.
(toc-toc-toc... toc-toc-toc)
"Atão?... 'tá alguém em casa?..."
"Será que o riacho secou de vez?.."
(tec-tec tec-tec-tec)
"...'inda não, 'inda não!
Agora voltei ao tempo da velha máquina de dactilografar... tsc tsc... sai tudo mal.
Só erros, papel desperdiçado, paciência esgotada... e ainda por cima não lhe encontro o botão de ESC!"
(pfff)
Como não posso estar quieta por muito tempo, quando ando de autocarro entretenho-me a pescar frases que vejo nos reclames de publicidade que revestem as paredes do dito e me acolchoam as pupilas.
Saiu algo como isto:
Better get used to hearing
Reward
Courtesy and respect it's a two way street
Ventilation
Suis ta passion!
Pay the fare or pay the fine
Wherever life takes you
"Exit at the rear"
Aqui há uns dois anos atrás, aquando em Portugal, achei, no mínimo, "curioso", quando uma das minhas tias (que nem sequer o é) me informa, toda entusiasmada:
- "... o Fernando já não trabalha na fábrica! A Rosinha comprou-lhe um café."
Sorriso de orelha a orelha, referindo-se, respectivamente, ao seu cunhado e sua irmã.
Se este facto me tivesse sido contado por um familiar directo do Fernando, a exposição teria sido feita de outro modo, estou em crer.
É estúpidamente absurdo como a parcialidade nos consegue vendar o raciocínio.
Pink Floyd rasgava o ar,
"Home, home again
I like to be there when I can...".
Nunca apreciei tanto permanecer no vermelho, como naqueles minutos que se lhe seguiram.
Teria ficado ali por muitos mais vermelhos, não fossem as buzinas que iriram estilhaçar o momento.
Ali... mesmo em frente, a uns 35º da linha do horizonte (nunca eu a vira tão baixa, palpável) vi-me lá, "home, home again", deitada sobre aquele manto cremoso de quarto minguante; perfeito gomo de embalar.
São momentos como este que pertencem à tal cadeia-por-ser e quando acontecem, elas nem pedem licença; transbordam e fluem naquele leito morno, sem que lhes seja necessário indicar o trajecto.
Esta revelou-se uma noite ainda mais rocambolesca que a da "maçã branca" e companhia.
Perco o autocarro, levo o carro.
Dou mil voltas para arranjar um estacionamento vago.
Aula.
...
De regresso ao lugar X, estarreci ao vê-lo... vazio!
Verifico se foi mesmo nesta rua que o deixei... SIM, FOI!
Roubado ou rebocado?
Telefono à polícia.
Serviço telefónico impecável, sem esperas, eficaz, ligações internas rápidas que terminam no serviço de... reboque.
Aponto a rua e número.
Tomo um autocarro até lá perto.
Segue-se uma viagem de taxi = $8.oo
Chegada à destinação, há que arrotar com $90.95 se desejo as 4 rodas de volta.
Tempo usado nesta "vadiagem" = 3 horas.
(convém adicionar que é madrugada)
Ah bendita neve que tudo encobres (até mesmo entradas particulares!).
MORAL da história:
Levanta sempre o manto, por mais belo que ele seja, pode sempre esconder inconvenientes.
Eu tenho momentos de felicidade com pequenas coisas; aragens simples que me roçam o rosto e me fazem esboçar sorrisos que se ecoam até ao fundo de mim.
Eu meço a minha felicidade com os impensáveis.
(como este... de uma lucidez silenciosa)
E não é que o autocarro não esperou mesmo por mim?!
Sinceramente.
O de hoje foi mesmo um dia 'não'.
Um daqueles que só mesmo para... escrever e não esquecer.
Ele já não tinha começado nada bem.
Começado?... começado, não, que isto tem sido é uma sucessão desajeitada de dias ao longo destes anos todos... como é que vai agora "começar"?
Noite em branco. Branquíssima. Com uns sarapintados de preto. O das letras.
Terminar um trabalho e nem lhe gostar do cheiro, é lixado.
Ainda por cima sem ter visão para descobrir erros (quanto mais virtudes).
Dormir.
Uma, duas horas.
Toca a preparar os leites e lanches e isso.
Dormir (de novo).
Toca a acordar. Fazer o almoço.
Dormir (é que eu durmo melhor é de dia mesmo).
Toca a acordar. Fazer o jantar.
Fazê-lo à pressa e nem sequer ter tempo de comer.
Toca a sair de casa.
Há que bater na impressora e ter o trabalho aprumadinho.
Corre, corre...
Ahh!
Agora durante três horitas, alapa-se o traseiro e ouve-se a mulher falar acerca dos finados.
(mas que sossego)
Ok. Terminou mais cedo. Enquanto faço horas para o autocarro, vou ali dar um giro.
Giro dado, 'tá na hora.
"Ó carago! E passes?... já não tenho mais passes?... %m$e#r@d#a!..e moedas... pff... falta-me $1 pr'ó bilhete... fogo.... não 'tou a gostar nada disto"
Corre, corre...
(Vai lá abaixo, compra passes...)
"... merda, 'tá fechado"
"Eilá... que é aquilo ali: change machine... olha que sorte. Nunca a tinha visto!"
Lá lhe enfio uma nota de $5 (não, o autocarro não aceita notas, ou melhor, aceita, mas não dá troco) e espero pelas moedinhas sairem de algum buraco.
Qual quê!
Desata a sair é um cartão. Telefonemas no valor de $5!
(eu já fumego)
"'Tá visto. O 129, já não o apanho, e é o último... vou no 2. É mais à volta mas é a única maneira..."
Toca a andar e andar.
Ainda bem que gosto de chuva.
E é mesmo daquela que eu gosto.
Que estranho.
Nunca me lembro de a ter visto cair, aqui, no mês de Novembro.
Que consolo nas bentas.
Nem o capuz pus (ahah.. uz-uz) e nem que o pusesse ela molhava-me na mesma. Entra de lado e molha tudo.
Deixa-me cá parar aqui, ver se me trocam uma nota ou se me obrigam a comprar algo...
Na maior.
Já vou eu pela rua acima, já vou no 2.
Mas... pera lá, deixa complicar mais as coisas. A Ana mora no trajecto... deixa lá parar por uns minutos.
Já que está tudo ao revês, que continue.
É só novidades!
Nunca tinha visto uma 'maçã' branca! Olha que gira, toda compacta.
"Foi só por isso que ele o comprou: fica bem em cima de qualquer móvel e nemprecisa ter internet, é só para ouvir música."
Encheu-me a pança: sopa, vinho, fruta e até um chá de cidreira para dormir bem.
(eheh... que engraçada)
Eu pareço uma mendiga.(aliás... sinto-me mesmo uma)
E até me trouxe a casa!
Poça! Isto só mesmo em dias "não".
12:30
Abro a porta.
Com dois passos dentro de casa já se ouve a festa "mã... mãã... I missed you".
Cá vêm os rapazotes.
Lá faço o ritual do costume, caio de quatro, deixo que me lambuzem a cara de beijos e só me falta abanar a cauda.
"... mas como é? Vocês ainda estão acordados?"
(isto é uma casa de doidos)
"shhh... não façam barulho que as manas acordam."
Descalço-me e enfio-me na cama com eles para ver se a festa não se prolonga.
Meia hora depois:
"mã... I'm hungry."
(toingg)
"Vá... venham daí. Vou-vos aquecer leite."
_______
(acho que vou montar cama na cozinha e passar a dormir lá)
(ahh... e não era nem de laranja nem ananás... era de pêssego, compal!)
(nota-se que o chá fez mesmo efeito)
Foi um dia a sensação de poder alcançar o todo através do teu nada.
E hoje,
eu sou esse nada.
Dicionário da Língua Portuguesa
2003
Porto Editora
Acabadinho de chegar. Lanço-lhe as maos ao pescoço e desato a passear-lhe as palavras.
Gostaria que me corrigissem, por favor (quem queira e tenha pachorra).
Será que só este exemplar que aqui tenho do dito dicionário (sublinho: da Língua Portuguesa), tem vocábulos ingleses?
Tipo:
- behaviourism (pg. 221)
- bypass (pg. 266)
(entre muitas outras)
Não tenho nada, mesmo nada, contra a evolução de uma língua. Afinal, a mudança é permanente e requer que a língua acompanhe esse progresso.
Agora, o que discordo completamente é do facto de colocarem a palavra no original sem ligar sequer à fonética (acho que é este o bom termo...).
Quando muito que pusessem: baipasse!
9 e tal da noite.
Vejo o Daniel concentrado como nunca. Vislumbro-lhe já o perfil de homem sério. De lápis em punho, lentamente a escrever o nome dele... uma, duas, muitas vezes.
Ao meu lado, está o David, sentado a beber o leite às goladas enquanto que pausa entre cada uma delas para as contar... one, two, three... chegou a nineteen, disse que já não queria mais.
(Foram goladas grandes!)
A Veronica e a Jessica, revezam-se a ler uns livros que trouxeram da escola. Pautadas.
Diria mesmo, melodiosas.
A felicidade bebida em quatro gotas de água.
Só para me activar de novo a "voz"... nem que seja por um ou dois dias.
Já agora, deixo-vos com este presente todo catita que achei por aí fora.
Não é que vá ficar por muito tempo; primeiro porque não tenho muito jeito para embelezar com trecos destes e segundo porque a duração que isto tem sob a forma gratuitu, não é eterna ;-)
... é aquela coisa ali embaixo... no lado direito do ecrãn.
Saudades, muitas.
F
...E
.......C
..........H
.............A
................D
...................O
... por algumas semanas.
As cinzentas já começam a ficar negras.
As sinapses estão deveras sobrecarregadas.
... 'n' de tempestades na costa.
Vou fechar as janelas.
Até lá:
Um beijo a todos e a cada um de vocês em especial.
Ponto final (temporário).
Não é meu costume publicar aqui e-mails que me são reenviados, mas muito sinceramente, este que se segue, levou-me aos arames (tendo em conta que o tomo como legítimo e verídico).
A ler (quem ainda não conhece):
Exmo. Sr. ou Sr.ª:
Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.
E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes.
A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia.
Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente. A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me. Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito.
Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções:
instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda.
Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog".
Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão. o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada.
E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador:
"reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor".
É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa, censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.
Com os melhores cumprimentos
Atentamente
Orlando Manuel S. Cardoso
Rua Paul Harris, nº 13 - 1º Esq
3100-502 Pombal
Telef.: 236213594 - 936354363
E-mail:
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Sem comentários mas com firme propósito de acção.
"Things that happen by chance
are events in search of causes."
K.C. Cole, The Universe and the Teacup, 1998
Ali pelos meus 12 anos, comecei a coleccionar reflexões; pensamentos que via escritos em qualquer publicação que me passava pelos olhos.
Tornou-se num verdadeiro culto.
Havia uma altura em que sabia de cor a maior parte das que lá tinha escrito, tal era a assiduidade com que folheava aquele caderno de argolas, revestido por mim com uma capa fina de cortiça ( para resistir às intempéries ) .
Agora com o Citador sempre a actualizar e outras tantas páginas que por aqui existem com tal conteúdo, o tal caderno virou receptáculo de poeira.
Tive uma certa nostalgia, quando me deparei com aquele pensamento de Cole num livro que ando a ler, de modo que, após uns espirros, lá encontrei umas linhas ainda livres e toca a encafuá-lo lá.
E agora em jeito de non sequitur... (que é mesmo nisto que me sinto bem)... enquanto que não descubro a causalidade de certos eventos que se vão dando na minha vida, continuo a jogar ao pião com bolas de sabão.
( devo ter algum fetiche recalcado com o pião!... já aquando de Plutão, foi com ele que brinquei!... hmm... faz-me pensar)
Neste preciso momento, cobrem-te lentamente o corpo, habitualmente de um alvo aveludado, com outros tons que só te conferem ainda mais magia.
A minha verdade foi aqui inventada.
Esta saiu-me assim, tipo bolha de sabão.
Ainda vinha agarrada aos farrapos de algum sonho, a que agora me fogem os pormenores.
Deambulava ainda eu entre aquelas paredes que separam a ambiguidade do sonho e os sons ainda ténues do real, quando a ouvi sair da garganta, da minha.
Não lhe vejo é ligação.
Mas a verdade inventa-se?... se se inventa, poderá ser verdade?
E qual foi essa minha verdade com que me esbarrei?
Resumindo:
Vou ter que passar a dormir com o meu cadernito de capa azul à minha beira.
Hoje, quando voltava para casa, dou por mim a reparar (se bem que o faça também todas as outras noites quando viajo de autocarro, mas só hoje me deixei levar a publicar o que matutei)... a reparar no pessoal que me acompanha.
Com os olhos postos em cada cabeça que consigo ver, vou-os contando, todos os que estão de um lado e multiplico por dois... devemos ser uns 40 (é daquelas camionetas que parecem uma lagarta, dobra-se a meio) e dentro desses 40 consigo descortinar pelo menos, aí umas doze nacionalidades diferentes.
Ora... (aviso já que isto é um texto reflexão que vai ficar incompleto, sinto-o, e ter que continuar um dia mais tarde)... ora, o que me surpreende por demais, no meio desta sociedade, é precisamente, como é possível haver coesão entre tal multiplicidade étnica?
- um país que tem, pelo menos, 40% dos seus habitantes, origem que não seja inglesa nem francesa;
- não têm a mesma língua materna;
- costumes, crenças, modos de vida completamente diferentes.
Como, no meio destas dissemelhanças todas, se consegue obter homogeneidade?
No meio deste pluralismo, nota-se no geral, um caminhar lado-a-lado.
(e a este respeito já falei a "X", aqui há centenas de meses atrás, que iria publicar sobre isto, no entanto tenho vindo a adiar... continuo 'verde' no assunto... e por me achar 'verde' é que o vou deixar em aberto)
Hoje, fico-me pela pergunta.
Mais tarde, volto ao ataque; e para quem quiser dar a sua opinião, agradeço bastante que o faça... alarguem a minha visão (preciso de completar um projecto, por isso... venham daí novas ideias... eh eh eh)