quinta-feira, setembro 02, 2004

Quills

Foi este um dos peixes que veio por arrasto no dia em que fui apanhada na teia de Cronenberg e tive a oportunidade de apreciar ontem à noite.

Garanto que valeu bem a pena ajoelhar-me ao nível da prateleira onde os "Q's" tranquilamente repousam, acumulando poeira, longe do olhar e mais perto dos passos apressados que entram e saiem num relâmpago, à procura dos filmes que encumeiam o top.

Como foi que traduziram o título para português?
Penas...? Plumas...?

Um "must", digo eu.
Para quem gosta de recuar no tempo e entremear-se na mentalidade de outroras tão longínquos que custa a acreditar que um dia era assim que se vivia e sentia.

A sempre presente dualidade sensorial/intelectual, que acompanha o desenvolver humano desde os primórdios.
Aliados? Inimigos?

Vibrei com aqueles fragmentos em que ele recorre a diferentes modos de materializar os seus pensamentos:

- O frango assado... o copo de vinho... os lençois;
- O espelho quebrado... o sangue dele que goteja com vida para dar por sua vez vida às suas letras;

Enfim... sublime mesmo e acho que fico por aqui senão ainda estrago a delícia de quem ainda não viu e poderá querer ver.

Só mais um detalhe... o filme retrata fracções da vida deste senhor.

terça-feira, agosto 31, 2004

Spider e companhia

Segui a sugestão do Vítor, aluguei o tal filme (Spider) e de rastos trouxe também uns outros quantos.

Por casualidade escolhi e vi no mesmo dia, Secret Window (com Johnny Depp), que foca de certo modo o mesmo tema e por sinal um pelo qual eu me interesso bastante.
Deve ser com certeza para causar mais impacto e por consequência, mais venda de bilhetes, que os realizadores cinematográficos (ou melhor dizendo, os escritores) insistem em projectar uma imagem negativa das pessoas atingidas por esta dissociação psíquica.

Se bem que não é todos os dias que temos o prazer de dar de caras com semelhante indivíduo como o é J. Forbes Nash, podiam mesmo assim retratar casos de natureza menos "escura".
Quanto a mim só cria ainda mais afastamento em relação a estas pessoas, alargando o poço em vez de informar pela positiva.

segunda-feira, agosto 30, 2004

Um leve sopro

Foram quatro os anos de interregno da força laboral.
Entrei em acção no passado fim-de-semana e se bem que não tenha estado "inanimada" estes anos todos, o que é certo é que fiquei de rastos!

Benditos "patrõezinhos" que tive até agora; não me estafavam deste modo e sempre permitiam uns descansos intermédios a meu bel prazer.

Mas o corpo habitua-se de novo.

Agora... o que mais estranhei foi o que senti logo nos primeiros minutos assim que lá cheguei.
Eu, tão habituada que estou a proteger - ao mínimo indício de "perigo", o meu mecanismo de defesa emite logo uns arrepios pela espinha acima accionando o modo de "protecção/ataque" - eu, que estou sempre uns largos passos à frente deles, antevendo percalços; senti-me só, desarmada, frágil!
Ali, perante estranhos.

Será que afinal, em vez de ser eu a "fortaleza", são eles, os miúdos, que me permitem e me conferem esse estatuto?

Fiquei a matutar nisso...

E não é que hoje, por coincidência (ou não), sinto que mais umas penugens se fazem desaparecer para dar lugar a penas mais fortes que os sustentem e lhes permitam voar sozinhos e seguros.

Esta noite, terei menos uma face a quem dar um doce beijo e uns bracinhos rechonchudos a apertar.
Só hoje... a primeira.

Vou recorrer aos desenhos dela... aqueles a que ela com tanto empenho se entrega e dizer-lhe:

- Dorme bem, Pipoca... (beijo)

sábado, agosto 28, 2004

Sem Título

Lembras-te?

Pois foi... foi este o título que dei - bem, na verdade nem dei, deu-se - àquele poema.
Poema?
Continuo a preferir chamar-lhe de arroto poético.
A esse e a todos os outros que tracei bruscamente dando tudo de mim naquele momento.

Deves lembrar bem ao que ele incitou.
Sei que te toquei e disso muito me congratulo... banho-me nesse pensamento constantemente, porque não é fácil atingir-te deste modo como o fiz, sem mesmo eu o querer.
Deve ter sido um daqueles instintos horríveis que por várias vezes presenciaste em mim e me povoam...

E sabes?... Sem Título foi também tanta, mas tanta coisa que se passou entre nós.
Verdade seja dita, nomear para quê?
Eu já um dia o disse e se ainda aqui não escrevi, pensei-o:
acredito que existam sentimentos, sensações em que para as quais ainda não existam palavras que as definam.
Nem nunca irão existir.

Sempre, entre nós... e é de sublinhar este sempre, o mais importante nunca foi dito.
E continua a sê-lo.
Mesmo agora, neste preciso momento.
E o pior é que ambos o sabemos e nada podemos.

(não sei se publique estas linhas... são verdadeiras memórias imperceptíveis a quem possa ler... mas tive que as materializar... aqui neste papel... a estas horas da manhã porque ainda me desvias o sono)

~~

(... por agora :-) )

quinta-feira, agosto 26, 2004

Gosto que a vida corra a "passo" de bicicleta



Comparo esta sensação que temos enquanto pedalamos, como a que devemos ter quando se voa.

Encetamos viagem com o vento a bater-nos no rosto.
Nem rápido...
Nem vagaroso...
Uma velocidade que permite apreciar o que nos rodeia, detalhes que nos escapam no corre-corre diário e, ao mesmo tempo, conseguimos chegar mais longe!

quarta-feira, agosto 25, 2004

A minha originalidade só reside a nível de DNA.

E mesmo ao formular este pensamento, não devo ser única.
No entanto, e porque de ninguém a ouvi, nem a li em lado algum, esta reflexão é-me exclusiva... enquanto em mim.
A partir do momento em que sai, a todos que a lêem pertence.

m. leal
25 Agosto 2004

Foi só um sonho

Estava eu sentada na sala, olhava preguiçosamente o dia banhar-se de sol matinal - por coincidência sonhava de novo de olhos abertos - quando a Verónica aparece e relutante senta-se ao meu lado.

Quando lhe vejo esta pequena resistência, acrescentada do ar perdido nas suas feições de menina, sei de imediato o que aconteceu.
- Tiveste outro sonho mau, não foi? - perguntei-lhe eu com um sorriso e um afago nos seus cabelos, ao que ela nem um "sim" murmurou, acenou
somente com a cabeça e neste momento as lágrimas desatam a cair.
- Conta-me lá... que se passou no sonho?
- I dreamed you died!...

Agora já não havia intervalo entre as lágrimas que corriam.
Mostrando-lhe uma cara de curiosidade enorme e sem demonstrar o
mínimo de terror por esse tema, perguntei-lhe:
- Hmm... como foi que eu morri?
- A lady was going to kill you..
- A lady?... como? Como foi que ela me matou?
- Well... you didn't really die... I saved you!

Abri-lhe um sorriso que nos aqueceu ainda mais que os raios de sol que
insistiam em espreitar pela janela, beijei-lhe as faces eternecidamente.
- ... e como foi que me salvaste?
- ... well... I asked her "How would you like it if I killed your mother?"
- What happened next? - acabo sempre por descair contra-vontade na
"anglofonia".
- I don't know... I woke up!

~~~~~~~~~

10:00
25 agosto 2004
Verónica - 7 anos

terça-feira, agosto 24, 2004

De cara lavada

Por agora parece que fica assim.
Antes que estes "html's" vão todos pelo ar.

segunda-feira, agosto 23, 2004

São coisas que me dão

Regra geral sou mulher de poucas palavras (a sério!), no entanto tem-se dado a oportunidade de me alongar para além desse meu costume, em diversos textos que já aqui coloquei.
Isto porque nao tenho propriamente a disponibilidade, não tanto de tempo mas sim do ambiente propício à concentração necessária (parece contraditório, mas nao é); entrar aqui, fazer das teclas minhas confidentes e descarregar nelas o que vai cá por dentro.

(vocês não querem saber quantas vezes o meu nome é proferido entre estas paredes, querem?)

Costumo por isso, escrever primeiro em papel (isto não é fazer batota, é?) naqueles minutitos livres (e faço-o às prestações!), intercalados com os minutões que mantêm esta mãe-a-tempo-inteiro, ocupada.

Daí haver maior profusão de ideias que parecem sair a jorro.

(acho que já perdi o fio da meada original...)

Onde eu quero chegar é aqui:
- aparecem-me súbitamente, como que do nada, certos pensamentos, aparentemente sem nexo; emergem-me à consciência assim como que escritos num espelho embaciado após um duche bem temperado.
Saiem aos tropeções... muitas vezes sem ligação plausível entre si.

Dantes, eu costumava aceitar a sua chegada e voltava a remetê-los lá para o fundo do esquecimento, principalmente pela falta de ricochete necessário ao seu desenvolvimento.

Agora... apetece-me publicá-los.
Já muitos vieram e foram.
Outros virão e serão aqui selados.

Mas... não temam.
Não vou exigir que me "abatam".
Tão simplesmente que fiquem desde já preparados para tal eventualidade sem nexo.
(como o post anterior, por exemplo).

domingo, agosto 22, 2004

No limiar da dor

Uma torneira.
A água que corre.
Olhar estarrecido no fio que brota.
Queima?
Gela?
Que sentes?

A ténue linha que separa opostos.

m. leal
agosto '04

sábado, agosto 21, 2004

Da família das ninfeáceas

Depois da Orquídea, esta é a flor que exerce sobre mim um claro fascínio:
- o Nenúfar ou Flor de Lótus, entre outros nomes.

Segundo os entendidos em linguagem de flores, o seu nome significa 'pureza de coração'.
Li algures também que suaviza os problemas.

Com certeza não passam somente de conjecturas que aliadas à sujestão pessoal de cada um, surtirá por certo efeitos variados e positivos, consoante o sujeito.

Mas que é um deleite para os olhos... lá isso é.
Se acrescentarmos ainda o som calmante da água que os banha... harmonia perfeita!

quarta-feira, agosto 18, 2004

... que asas longas eu tenho! Servem para eu 'cantar'!

Se eu tivesse porventura falado na tal lenda infantil em que ela contracena com a formiga, aposto que a iriam visualizar rapidamente!

:-)

Este ser traz-me à lembrança cada singelo verão quente vivido em Portugal.
Aquelas tardes cálidas e pesarosas.
Aquele ar seco e ardente que deturpa a visão.

Comiam-se umas boas talhadas de melancia para saciar a sede que já nem a água conseguia surtir efeito e depois, de barriga reconfortantemente inchada daquela líquido fresco, as pestanas tornavam-se cada vez mais pesadas, ordenando dócilmente às pálpebras para se fecharem.

A música de fundo era essa... (mais zumbido que canção) a daquelas asas longas da cigarra que, de tão costumeira, já quase se tornava imperceptível aos meus ouvidos.

sexta-feira, agosto 13, 2004

Metamorfose

Não... não vou dissertar sobre Kafka mas sim falar sobre algo que vi ontem e achei extraordinario; muito mais do que ler sobre isso é vê-lo acontecer diante dos nossos olhos.

Como de costume, foi o Daniel que deu por tal fenómeno.
Ele está sempre em cima de qualquer acontecimento no que se refira a 'bichinhos' seja de que tamanho ou formato tenham.
E enganam-se se pensam que é para lhes espetar com o pé em cima... não senhor!
O miúdo tem uma verdadeira paixão por eles.
Descobri isso desde o dia em que encontrei duas minhocas, como animais de estimação, dentro do bolso das calças!
(ainda fui a tempo de o esclarecer que elas não viveriam muito tempo sem terra e humidade e lá foi ele todo ligeiro devolvê-las ao solo)

Ficamos embevecidos, durante pelo menos 2 horas, a olhar este insecto na sua transformação física.
Foi tal o frenezim à volta dele que até honras de ser visto pelos vizinhos ele teve.
Mas o que será?


Toca a fazer umas buscas no computador (bendita tecnologia no que diz respeito a assuntos de aprendizagem) e finalmente sabiamos o que estavamos a admirar.

E vocês?
Sabem por acaso do que se trata?
Quem souber... recebe um prémio! :-)
(uma das fotos dele, pode ser?)

Para quem tiver a mesma paciência que eu tive para as tirar, podem ver aqui o processo a que assisti.

DICA:
Fica adormecido durante 17 anos no subsolo (outros, 13 anos) para depois sair e entrar nesta transformação.
(se digo a outra dica, acertam todos!)

quarta-feira, agosto 11, 2004

Broken


...
You got away
You don't feel me here anymore

The worst is over now and we can breathe again
I wanna hold you high, and steal my pain..
Away
There’s so much left to learn, and no one left to fight
I wanna hold you high and steal your pain
...

~ Evanescence

As minhas escaladas

Estas semanas que estive ausente do meio ambiente em que estou de momento inserida, fizeram-me regressar ao passado (e de certo modo foi o passado que, por sua vez, me fez agir de modo a escolher visitar o lugar onde fui).

Viajando mentalmente no tempo, recordo-me daquela época em que por tanta e tanta vez nos confrontavam com esta derradeira pergunta:
- O que queres ser quando fores grande?
(sorrio neste preciso momento, ternamente, perante tal pensamento)

Por incrível que possa parecer, nunca aspirei a cargo algum de importante... nunca tive um sonho supremo que quisesse atingir, daqueles que mudam com cada oscilação da juventude... nada, nada de imponente a querer.

A não ser... uma certa fantasia que de tão pequenina em grandiosidade acabei por deixar estendida no percurso dos meus dias.
- Viver num barco!

Num daqueles barcos de madeira gasta, esbatida pelo sal, pelo tempo e pelo vento... daqueles barcos que no seu silêncio cantam as mais incríveis aventuras imaginadas...
Sendo eu de natureza contemplativa (se bem que ao mesmo tempo inquisitiva), tal seria o cenário ideal para me satisfazer.

Os anos voaram ao meu redor.
Tal turbilhão em que fui apanhada.

Sento-me, desafiante, nestes trinta e sete anos e apercebo-me que practicamente tudo o que me aconteceu; os passos mais importantes que dei; as viagens que fiz; foi como que de certo modo me tivessem levado a isso de olhos vendados, como quem joga à cabra-cega.
Muitos dos passos que dei, cheguei mesmo a fazê-lo, não por mim, mas por quem me era chegado.

Isto não é de modo algum um queixume.
Se for a pesar na balança de valores internos, eu não estou descontente com a linha que percorri, só que não foi directamente a minha escolha.

Agora, EU traço as linhas.

Visitar a Rota dos Farois foi um pequeno passo, no meio de muitos outros que pretendo (e estou) a fazer.

Ah... e o tal barco!
Voltou a 'habitar' cá dentro.

domingo, agosto 08, 2004

Hopewell Rocks

A poeira vai assentando, amontoando-se nas frinchas, que por sua vez continuam a aumentar de número.

Assentar, assentei eu também os meus pés no fundo do mar, em tempo de maré baixa.

No fundo deixei a minha marca.
Esse fundo para sempre em mim ficou marcado.



terça-feira, agosto 03, 2004

Esta 'casa' já cheira a mofo ;-)

De volta ao betão armado,
ao asfalto apressado,
aos semblantes carregados.

Trouxe comigo o sabor rejuvenescedor do sal,
o canto das baleias à solta
e a vontade de sair daqui.


quinta-feira, julho 15, 2004

Até breve :-)

 
 
Vai ser uma despedida muita breve e rápida. Assim como serão também as semanas que estarei ausente.
 
Na ausência, este blog vai, sem dúvida, manter o meu espírito alerta, para aqui poder depois alargar a minha visão.
 
A todos vocês, um beijo.

Enxoval

Pronunciem essa palavra diante de mim e o resultado será o mesmo que eu sempre tinha na minha adolescência:
- ficava "aterrorizada"!

É verdade... ainda sou do tempo em que por essa altura , todas as jovens, pelos seus aniversários, eram-lhes oferecidas as mais variadas "barbaridades".
Está certo... concordo que algumas até tivessem utilidade prática... mas muito poucas.
Desde bonecadas de todos os géneros e feitios, que só serviam para acumular poeira, até uma repetição infernal de toalhas de mesa estampadas!
E logo eu...que adoro ler desde pequenita, nem um livro me ofereciam.
 
Ainda bem que o meu pai tinha uma visão bem mais ampla; graças a ele as estantes estão - ainda - repletas de livros.
 
Hoje em dia, pratico exactamente a mesma linha de pensamento que tinha na altura. Só tenho em casa aquilo que realmente utilizo. Escusado será dizer que pouco ou nada subsistiu dessas preciosas prendas   ;-).
 
No entanto abro uma excepção à arte. Porque me oferece uma escapadela da realidade e me permite visitar épocas e lugares onde nunca estive e provavelmente nunca estarei.
 
Mas... (infelizmente esta palavrinha é usada demasiadas vezes), como não me posso dar ao luxo de admirar um Monet, um Dali ou uma bela escultura de Camille Claudel, rodeio-me de outras obras de arte, não de nomes sonantes, mas de assaz valor sentimental:
- aquelas que os pequenos me fazem e me oferecem com aquele carinho pegajoso.
 
E se os portugueses têm os seus famosos "enxovais", esta malta daqui também tem o seu quê de extravagante.
Uma delas é o uso (que é nulo) que fazem dos belos jardins da frente da casa, onde em quase todos os fins-de-semana de Primavera e Verão, se empenham morosamente a tornar a sua relva mais expessa e mais verde que a do vizinho (a isto chamam eles: keeping up with the Jones'); criam verdadeiras obras de arte floral e depois?
... depois, refugiam-se na parte de trás de casa!
 
Posso não ter a relva mais bonita da rua, mas gosto de usar e apreciar o que de momento possuo.
De modo que ainda nesta semana, quando um dos miúdos me pediu:
- Vamos fazer um piquenique no jardim?!
 
Nem hesitei em responder:
- Claro    :-)



Dá que pensar

Tinha acabado de meter a mercearia no carro, quando sou abordada por uma senhora de aspecto frágil, longos cabelos brancos atados num rabo de cavalo.
Proferiu certas palavras, as quais tive dificuldade em entender, de modo que lhe pedi que as repetisse por favor.

É algo que se vê cada vez mais nas ruas desta cidade.
Posso afirmar até que, na altura em que eu aqui cheguei, nunca se via um pedinte sequer!

Nunca tenho por hábito de lhes fazer a vontade (acontece mais quando estamos parados num sinal vermelho, numa determinada encruzilhada perto de um lar onde eles vivem), mas mediante tal criatura tão franzeninha, compadeci-me e, mesmo sabendo que não deveria ter dinheiro na carteira, olhei para me certificar.
Perante uma carteira vazia, lembrei-me então das compras... meti a mão na caixa das tangerinas e estendi-lhe umas quantas, de sorriso largo na boca.

Qual não foi o meu espanto perante a resposta dela, enquanto torcia e retorcia os lábios:

- I wish I could... but... I'm allergic to them!

Fiquei sem palavras!
O meu sorriso virou puro espanto.
___________________________________________

Obs: A razão pela qual não costumo dar dinheiro, deve-se ao facto deles receberem da segurança social, todos os meses, um cheque com um montante que faria erguer as sobrancelhas a muita gente noutros países; para além de que lhes é fornecido mantimentos, assim como um local para viverem.

Não seria melhor dar-lhes a possibilidade, por exemplo, de terem actividades onde se pudessem entreter em vez de lhes darem assim tanto dinheiro que esbanjam num abrir e fechar de olhos?

quarta-feira, julho 14, 2004

Fúria de viver

Eu sou assim, muitas vezes peco por não responder na altura.
Mas na verdade estava num daqueles dias em que só me apetecia ler, numa daquelas ocasiões em que acho que de nada vai adiantar a minha interferência.
Hoje arrependo-me de não o ter feito, por isso tenho que escrever a esse respeito.

Isto aconteceu por volta do rock in Rio (de Lisboa!). Já nem me recordo em que blog se passou.
Lembro sim que o indivíduo a quem o blog pertence não tinha conseguido ver um determinado grupo e queixava-se desse facto.
Ora num dos comentários lá deixados, li mais ou menos o seguinte:
- Não perdeste lá grande coisa. O tipo é bipolar.

!!!

Bem... a reacção desta pessoa fez-me lembrar os da Idade Média em relação aos infelizes afectados pela Lepra (os leprosos ficavam condenados a trazer uma sineta para avisarem da sua presença)!

É uma doença sim, mas não contagiosa e que requer de todos quanto os rodeiam a mais completa compreensão (e não só).
Não saberá esta pessoa, que nomes como:

Van Gogh
Mark Twain
Virginia Woolf
Lord Byron
Edgar Allan Poe
Michelangelo
Tenessee Williams
e Robert Schumann
(entre muitos outros)

... sofreram da Doença Bipolar?
Isto não se trata de uma coincidência.

Os cientistas acreditam que existe uma forte ligação entre criatividade e depressão maníaca.
Estudos recentes indicam que durante os episodios maníacos, as pessoas têm tendência a ter uma enorme saída criativa.

Fico gravemente chocada quando me deparo com atitudes tão retrógadas, quanto esta, em pleno século XXI.

terça-feira, julho 13, 2004

Bluesfest 2004

Se existe um processo capaz de conseguir unificar pessoas com os mais variados passados culturais, religiosos e até mesmo políticos; é um que tem por base a confluência de notas... notas musicais.

Reparo que sempre que existe umconcerto, as pessoas esquecem as suas mais profundas diferênças e, por umas horas, todos ali presentes pertencem ao mesmo fluido.

Este é um dos acontecimentos que aquecem esta cidade no curto verão que temos.

Tem vindo a crescer de ano para ano e a trazer ao palco grandes nomes da música.
Hoje foi o dia de

(deve ser nesta caixa que ele guarda a guitarra!)

Eu, como tenho que apertar os cordões à bolsa, não entrei para o recinto; no entanto não deixei de o ouvir.
Fiquei mesmo por detrás dos carros onde eles se preparam para actuar e até consegui tirar uma foto do ecrãn que lá havia (consegui vê-lo, mas por uma brecha muito fininha; foi-me impossível tirar-lhe uma foto directa).


Afinal... o que importa mesmo é o som.
E isso tive-o... de borla! ;-)

quinta-feira, julho 08, 2004

Hoje proponho um sonho

Eu comparo a Democracia (e todo o processo governamental que ela acarreta) à alcatifa.

É confortável.
Adapta-se bem às necessidades humanas.

No entanto, não nos apercebemos da comunidade de ácaros que ela vai acumulando, fora do nosso campo de visão e quão nefasta é a sua acção nas nossas vidas.

E se...
por instantes, por breves instantes, apagassemos da nossa mente milenar esta "invenção" grega e...
sem cair numa anarquia ou num completo caos,
sem fazer alardo à monarquia,
nem fazer propaganda ao comunismo,
nem tampouco promover ditadores,
mas tão simplesmente imaginarmos algo de DIFERENTE!

Bastaria para isso um povo uniformemente informado e educado para tal, educado para aberturas de espírito.

Quem sabe, talvez... talvez conseguíssemos esse novo modo de "estar".
Sim, sublinho ESTAR em oposição a governar.


(...e de sonhos vive o homem)

segunda-feira, julho 05, 2004

A ti

Que me ensinaste a escutar a lua.

Pudesse eu transferir para a imagem os sons que ela já me segredou.

Continuas Nubium.

sexta-feira, julho 02, 2004

1 Julho - dia de júbilo vermelho e branco

Presumo que todos os países tenham um dia nacional, onde se pretende clamar patriotismo em cada esquina de rua.
Pois bem, o dia 1 de Julho, é o dia deste.

Pela primeira vez que aqui estou, decidi fazer como tantos milhares: passar o dia na baixa, ouvir uns sons ao vivo e colmatar com o habitual fogo de artifício (este sim, costumo ver todos os anos).

Sinceramente, não consigo ter motivo de orgulho, nenhum patriotismo ao olhar esta bandeira desfraldar-se ao vento, nem o pescoço se arrepia ao ouvir o hino.
E olhando à minha volta reparo que me rodeiam indivíduos de pelo menos uma dezena de raças diferentes mas que têm entre si algo que os unifica: a mesma dupla nacionalidade.
Mas será possível haver patriotismo mútuo em tal diversidade cultural e racial com esta?

Eu só consigo ter respeito. Só isso.



De resto vejo este dia como uma oportunidade para os jovens de se embriagarem (e não só) e portarem de modo inconsequente e ordinário; dos vendedores se aproveitarem em dobrar os preços aos produtos e uma excelente oportunidade de se darem grandes caminhadas, como aquela que eu e os pequenotes fizemos!

Apesar de eu gostar muito das luzes do fogo; este ano o ponto alto da festa foi sem dúvida por volta das 15h quando muito de repente se levantou tamanho temporal com saraivada e tudo (!)que levou as pessoas a buscarem refúgio em qualquer buraco imaginável. Como este é um país de extremos climatéricos súbitos, em poucos minutos o belo sol que fazia transformou-se nisto:


Passado cerca de uma hora, já o sol abriu de novo fazendo com que as crianças se entusiasmassem nas enormes poças de água:


Visitamos pela primeira vez o tribunal supremo, onde os miúdos se sentaram ao colo de um dos juízes - estátua, claro :-) - (o David andava a correr atrás de uns balões, não ficou na foto):


No meio de tanto rebuliço ficamos sem conseguir ouvir alguns dos nomes famosos que por lá íam actuar, mas os diversos artistas de rua que por lá havia, deram o seu tom à festa, aquele espectáculo imprevisto que me sabe bem. como este contorcionista aqui, que conseguiu fazer passar o corpo por uma raquete!


E a noite aproximou-se... procuramos um bom local para ver o fogo... assim que nos sentamos na relva o pequenito do David adormece-me nos braços extenuado; daí que me foi impossível tirar umas fotos do fogo. Fica para o ano (talvez).

quarta-feira, junho 30, 2004

O passado sempre presente

Aqui há dias atrás, uma das meninas perguntou-me se eu tinha um computador quando era da idade dela.
Eu sorri e respondi-lhe que a primeira vez que eu vi um (só ver mesmo), tinha eu uns 19 anos!
(um daqueles bem pesadotes, tipo canhão da I Guerra Mundial)
Ela simplesmente pasmou ao ouvir a minha resposta. Algo que para eles é uma realidade tão tangível, outrora, e não há muito tempo atrás, era algo simplesmente impensável... objecto futurístico.

Como o modo de vida muda tão velozmente.

Nestes dias que correm, onde a cibernética ocupa um lugar primordial nas nossas vidas; onde os jogos (mesmo os educacionais) promovem a isolação; foi com uma alegre surpresa que fui abordada pela Verónica a pedir-me que lhe fizesse um certo joguinho em papel (que ela viu lá na escola).

Eu nem quis acreditar, mas era exactamente um daqueles que fizeram parte da minha juventude! Como as modas escolares ultrapassam fronteiras longínquas!

Sem saber muito bem como, lá meti mãos (ou melhor dizendo, dedos) à obra, com o instinto a ajudar, lá dobrei... e dobrei... e consegui, à primeira tentativa!

Ficou deslumbrada, a pequena!
A mãe ainda mais!!

O nome é que já não me lembro. Será que alguém se recorda disto? :-)




terça-feira, junho 29, 2004

segunda-feira, junho 28, 2004

Fomos ao Mc Donalds! Ficamos todos felizes!

Aliada da melhor das boas vontades e após alguma insistência por parte dos meus pequenotes, lá acedi ao apelo e fomos lá almoçar.

Não é a primeira vez que os levo a um local deste calibre, (variedade, por estes lados, é que não falta!) mas a este, ao líder dos antros de 'junk food', nunca os tinha levado.

Só após lá entrarmos é que me apercebi a razão pela qual eles lá queriam ir.
- Eu quero o azul...
- Não...! O vermelho é mais bonito...
- ...

Neopeds!!
O mais recente brinquedinho que é oferecido aos miúdos sempre que compram uma refeição (os brinquedos são tácticamente remodelados de tempos a tempos).

Tão entretidos estavam a escolher o dito cujo, que nem me ouviam a perguntar o que queriam comer; acabando por ser eu a escolher para cada um deles.

E eu agora pergunto:

* Desde quando,para comer, é necessário oferecer brincadeiras?
Não basta ter fome?!

* É nestas crianças de hoje, habituadas a serem subornadas por um brinquedo, que
depende o futuro da sociedade?
(isto já sem focar o assunto de obesidade infantil, que daria para mais um
assunto acalorado. Num espaço de 15 anos, o número de crianças obesas neste país, triplicou!!)

- Só como se me deres "tal"...

- Só estudo se me comprares um carro...

- Só trabalho se me deres uma promoção...

E a lista seria longa.
Ou estarei a ser demasiado pessimista?

Sempre lutei contra este modo de vida, demasiado facilitada, no entanto não quero que os meus filhos o vejam como fruto proíbido, daí que cedo de longe a longe; mas eu sei que eles se apercebem, por experiência própria, do valor negativo que isto acarreta.

E então o título...?
Todos felizes? Como?!

Ora nem mais.
Eles: porque lá levaram o seu trofeuzito.
Eu: porque me deparei, no final de almoçarmos, com uma mesa ainda com comida!

A não ser por algumas batatas fritas, eles não conseguiram comer nada.
Não há cozinha que faça frente a um Cozido à Portuguesa ou Bacalhau na brasa com pimentos assados a acompanhar!
Aliás, segundo os pequenos, eu sou a melhor 'chef' do mundo! (aham)
;-)

sexta-feira, junho 25, 2004

quarta-feira, junho 23, 2004

Decem - The Sacred Perfection



Não sei compôr, nem sequer sou crítica musical, mas sei quando alguém merece que a sua música seja ouvida por multidões.

Desde que o ouvi pela primeira vez, apercebi-me de que nem sempre é necessária a inclusão de lírica num som para que nos apercebamos da alma de uma melodia e a saibamos 'ler' e projectar na nossa mente toda a história contida por detrás daqueles sons.

Gostaria imenso de poder partilhar com vocês algumas delas, mas como ainda não descobri como se coloca a música aqui no blog :-p, podem ouvir pequenos excertos do albúm do Vau nesta página, onde diz 'Track Listings'.

Um beijo para ti João :-)
Que um dia possamos apreciar juntos, ao vivo, a beleza do Cabo Fisterra e a rir vamos imaginar quantos nos estarão naquele momento a ver, ali de pé ao lado do farol. (lol)

terça-feira, junho 22, 2004

Intense concentration

... era o sub-título da foto que me apanhou deveras de surpresa!

Foi-me impossível formular qualquer palavra ao admirar cada contorno do seu rosto ali escarrapachado no jornal... só fui capaz de... sorrir!
Aquele rosto a quem eu um dia, há 7 anos e pico, olhei bem de perto, por entre a escuridão dum quarto de hospital... ainda com poucas horas de vida... e lhe segredei bem baixinho, um segredo que agora fica também entre tu que me lês e eu:
- Havemos de ser a melhor amiga uma da outra!

Por incrível que pareça, 13 mêses mais tarde, estaria eu a repetir estas mesmas palavras, neste mesmo quarto (!).

Espero que um dia elas leiam estas palavras.

segunda-feira, junho 21, 2004

Tronco de Pessoa

Não é para comemorar o dia do seu nascimento (que por casualidade foi há bem poucos dias)... nada disso.
Só porque adoro ler este homem.
Só porque este poema me veio parar às mãos agora mesmo.

Espero que se possa ler... ali colado numa das minhas mais recentes avarias.


____________________________________________________

Para uma melhor leitura, é só aceder a esta página



sábado, junho 19, 2004

"Pelas suas impossibilidades absolutas..."

Queres...
falar um pouco mais sobre isto?

sexta-feira, junho 18, 2004

"Quem quer filhos, que tome conta deles"

Esta era uma das frases que eu mais ouvia em pequena.
É de conhecimento comum que a sabedoria popular costuma ser muito acertada e realmente eu concordo plenamente com esta aqui.
Mas talvez nem aquelas pessoas a quem eu ouvia dizer isto, soubessem o quanto esta frase tem de valor.

Bem depressa se chegaram ao fim sete semanas de 'baby-sitting' temporário... é assustador o modo como nos apercebemos do tempo passar.

Esta oportunidade também me deu para certificar do valor negativo em enviar os filhos antes dos 5 anos, para uma ama, infantário ou algo do género.

Pela minha parte, essas instituições deixariam de existir para crianças daquela faixa etária.

Tudo o que elas vêm, sentem e lhes é transmitido até aos 5, fica permanentemente gravado nelas.
Acima de tudo, numa criança 'de infantário', fica a falta de um beijo dado pela mãe - ou pai - no momento menos esperado; a falta daquele abraço terno que se dá como conforto após uma queda; um simples olhar que se cruza com o deles e que resulta no mais doce dos sorrisos... e o cheiro da presença familiar.
É isto tudo e muito mais que lhes faltará por todo o resto das suas vidas.
E não me digam que sim, que existem amas boas e carinhosas... claro que sim.
Mas não é delas que os filhos precisam nesta dada altura e não haverá regresso ao passado para recompôr erros.

quinta-feira, junho 17, 2004

Estou em crer que existe um sentimento para o qual ainda não existe palavra que o defina.

Uma fusão de Amor com Egoísmo.

Sentimento que nos leva ao encontro de nós próprios e de um ao outro; onde nos revelamos e realizamos interiormente.

De facto os sentimentos giram livres, desprendidos das palavras e no fundo, adaptam-se, remodelam-se a um passo muito mais veloz do que as palavras que os tentam definir (em vão).

quarta-feira, junho 16, 2004

Li na boca de alguém que eu viria a tornar-me bastante 'self-centered'.
Algo a que a minha natureza sempre se opôs.

No entanto, 'vejo' por diversas vezes esse fantasma a pairar-me.

terça-feira, junho 08, 2004

Toma...

... não digas nada e aceita-a.
Colhia-a a pensar em ti... sem lhe tirar a vida.
A primeira deste ano.
Ainda com o orvalho da manhã.

E para quê?
Perguntarás tu.
Sei bem a razão, mas não a direi.

(tapei os ouvidos ao meu lado mais prudente - sabes bem que é pequeno - que me aconselha para um possível ignorar)

Posso me enganar mas achei que precisavas de um carinho... neste momento.
Sei bem que não vai serenar a dor em si mas quis que me sentisses por perto.
E se
precisares
de desabafar, escreve.
(nunca estive ausente)
E se
preferires
eu não respondo.
E se
aquele nosso abraço
ainda surte o mesmo efeito...
usa e abusa dele. Enrosca-te nele, estica-o, espezinha-o, enerva-te nele, faz dele gato-sapato...
e
por fim
deixa que ele te sossegue.
(Beijo a ti)

sexta-feira, junho 04, 2004

Um dia serei aquática

.
.
.
.

quinta-feira, junho 03, 2004

quarta-feira, junho 02, 2004

Um novo ciclo que começa

.
.
.
.

Decisões destas, sabem bem pela manhã

7:30am.
Olho-me no espelho e decido, dizendo-o em voz alta:
- Vou cortar o cabelo curto...
fazer uma tatuagem...
e um piercing no nariz! (lado esquerdo)

As duas presenças femininas que me ouvem, desatam aos gritos (não histéricos - foi um bom modo de elas despertarem).
Ao fim de uns quantos "oh no's.. please don't..." e não sei mais o quê, sai-se uma delas com esta:
J. - Maybe just the tattoo! (altos risos)
V. - How short will you cut your hair?... tattoo?!... I don't like needles... (continua a risota)
Eu - Pois não, não gostas... mas daqui a uns anitos chegas tu a casa com umas quantas pinturas marcadas no corpo... (risos)... por isso, mais vale ir-me preparando...
(em abono da verdade se diga, já há bastante tempo que quero fazer isto - lol)

Eu - Agooora... onde é que acham que eu devo fazer o tattoo? Ahh... e mais importante ainda: que vou pôr?
(os risos continuam... cada vez mais altos. Acabam por acordar os restantes habitantes que, sobressaltados, não percebem muito bem o que se passa)
J. - I think you should have a butterfly...
V. - How about a family portrait? (bursts out laughing)
E a lista continuou por mais uns largos minutos, sem mencionar sequer as escolhas que elas me sugeriram onde colocar a tatuagem...

Eu - ... o pescoço! Sim. Isso mesmo. É o lugar. O quê... ainda não sei.

Assim ficou decidido (não lhes voltei a mencionar no piercing, mas ele vai aparecer -lol) e assim começou mais um dia com esta "revigorante" conversa entre mãe e filhas!

P.S.: Esqueci de lhes dizer que é bem provável que a cor mude também. (e não vai ser para uma das tidas como "normais")
Será que me vão querer exorcizar? (lol)

terça-feira, junho 01, 2004



As comodidades do dia-a-dia tornam-me cada vez mais preguiçosa física e mentalmente.

Faz-me bem fugir delas.
Durante 3 dias, apenas duas pequenas "extravagâncias":
- uma torneira de água fria a 200 metros;
- uma retrete (sim, retrete!) de fazer inveja ao esgoto de Shawshank Redemption.

Todo o resto, foram preciosidades ímpares:
- um filhote de raposa que nos espreita com medo;
- visitantes nocturnos de 4 patas à procura de restos de comida;
- as sombras nocturnas de um espaço sem electrões;
- o fogo ateado contido num espaço seguro;
- o cheiro a fumo pela manhã;
- dois veados que surgem no meio da vegetação, comendo tranquilamente;
- andar descalça na erva molhada;
- um arco-íris a surgir por detrás do arvoredo (após 3 dias de chuva);
- o gargalhar contínuo das crianças...

terça-feira, maio 25, 2004

"Music is the arithmetic of sounds
as optics is the geometry of light."
Claude Debussy (1862-1918); French composer.


PASSEI!!

HHUUUUuuuuUUUuuuuuuUUUU!!!!
ncmkhfkahvkjdabnvk
nkfdlvnivjhsenvkjdvnid
nvkljviojdvhbvhVc

quarta-feira, maio 19, 2004

Só não vale tirar olhos!!!

Do que se havia de lembrar este rapaz!
Só porque, como ele o diz: "people are nice" (pois, sim)

Hmmm... estou tentada.
Uma viagem à ilha Maui... ou um macaco como animal de estimação... Nã!
Se ainda fosse uma expedição ao Everest, ahh!... aí sim, até que trocava.

Só por curiosidade de ver as ofertas (lol) acho que vou colocar a minha conta à disposição.

segunda-feira, maio 17, 2004

TROIA - uma batalha épica



Não me recordo a última vez que tinha ido ao cinema.
Com certeza os bilhetes ainda rondavam os 100 escudos nessa altura!
... e claro, o ambiente era muito mais familiar do que este actual. Sem pressas. (nem telemoveis para anunciar "guess what? I just saw Troy!" (um curto silencio) "...you know, Troy?!... with Brad Pitt?...") Seguindo-se a lenga-lenga costumeira da apreciação corporal dos actores chave.

Mas foi o calcanhar de Aquiles que me levou a ver, pela primeira vez, uma estreia.

Todos se queixam de ser um filme longo, coisa que não notei... O que eu queria ver era mais factos, mais história. Peca um pouco por isso. Foca cenas de batalhas(que estão deveras reais).
Pensando bem, até que nem peca assim tanto.
A minha primeira reacção foi ler A Ilíada... daí que o pecado até se torne numa benção.
Existem várias mensagens subentendidas no filme... que me deram bastante gozo encontrá-las (no pós-filme).

E claro... passou o teste da lacrimal.
Não que tenha sido em excesso, naquela medida exacta que me diz:
"Valeu a pena vir"




Correcção à minha frase:

"... sentir que perdi a tua amizade."

Se é verdade que nada possuimos; somos no mínimo inquilinos daquilo que julgamos possuir no momento; também é verdade que Amizade (e no meu conceito, este termo é bastante limitado tendo em conta o valor que geralmente lhe é dado) não se possui mas tem-se.
Tem-se na medida em que se é.
Esses pedaços que fomos dando reciprocamente, fazem de mim o pensamento que sou hoje e serei amanhã.
Sempre.
Eu não posso perder algo que me compõe. Algo que faz parte da minha estrutura interna.

O que mudou foi o compasso.
Mesmo desejando o antigo, presente; a mudança era premente, não lhe dou luta.
Só que agora o compasso é nulo.
O ió-ió tende a balançar-se lá no fundo sem a propulsão necessária para subir.



quarta-feira, maio 12, 2004

Só hoje é que percebi... ao ver o extracto do telefone... o porquê!!
Nunca na minha vida me senti tão humilhada :-((((

Como pude ser tão tapada?!


Se porventura leres isto (duvido que o faças, mas está bem... pelo menos desabafo isto) quero pedir DESCULPA (não tenho outra palavra senão esta - perdoa-me) pela vergonha que te fiz passar.
]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]

A maior dor que tenho mesmo é de sentir que perdi a tua amizade...........

terça-feira, maio 11, 2004

"The Battle for Everything" - acabado de sair

A minha mais recente "descoberta" musical: Five For Fighting

Com especial relevo para "100 Years".

"The name John Ondrasik picked for his band refers to a form of discipline used in the turbulent sport of hockey. Players who fight during the game are sent storming away to cool down for five minutes in a penalty box. In other words, they get five for fighting."

sexta-feira, abril 30, 2004

Post-Polio Syndrome!!!!

Já não basta uma vida toda marcada com o brasão da doença...

segunda-feira, abril 26, 2004

Um simples tributo a um homem de infinito valor


John Forbes Nash

"He saw the world in a way no one could have imagined."

A sua página oficial

A Beautiful Mind

Autobiografia


terça-feira, abril 20, 2004

Corpo, como via de acesso.
Nunca de permanência... ...

quinta-feira, abril 15, 2004

(nunca direi adeus...)



Hush now, don't you cry
Wipe away the teardrop from your eye
You're lying safe in bed
It was all a bad dream spinning in your head

Your mind tricked you to feel the pain
Of someone close to you leaving the game, of life
So here it is, another chance, wide awake you face the day
The dream is over, or has it just begun?

There's a place I like to hide
A doorway that I run through in the night
Relax child, you were there
But only didn't realize, and you were scared
It's a place where you will learn
To face your fears
Retrace the years
And ride the whims of your mind

Commanding in another world
Suddenly you hear and see this magic new dimension

I, will be watching over you
I, am gonna help to see you through
I, will protect you in the night
I, am smiling next to you
In silent lucidity

(Visualize your dream
Record it in the present tense
Put it into a permanent form
If you persist in all efforts
You can achieve dream control)
(dream control)
(dream control)
(dream control)
(dream control)
(help me)

If you open your mind for me
You won't rely on open eyes to see
The walls you built within
Come tumbling down, and a new world will begin
Living twice at once you learn
You're safe from pain in the dream domain
A soul set free to fly

A round trip journey in your head
Master of illusion, can you realize your dream's alive
You can be the guide, but

I, will be watching over you
I, am gonna help to see you through
I, will protect you in the night
I, am smiling next to you

domingo, março 21, 2004

Avisam-se os estimados viajantes:

Pelo que tenho visto nos milhentos blogs que tenho visitado (sou que nem bola de neve... deslizo de um para o outro, aumentando de volume à medida que rolo!), como ía dizendo, pelo que vejo, parece que é de praxe "bloguística" avisar-se quando se vai de férias... ou sair por uns dias... ou emigrar para a Rússia!... Por isso, fica deste modo afirmado que não porei aqui os pés (ou os dedos!) até finais de Maio!
(os livros reclamam a minha presença)

Se bem que não tenha visitantes à escala de certos sítios por onde já passei, achei que devia de correr a cortina (temporária) com a colocação de um cartão de visita tornado numa singela homenagem (não sei o que se passa comigo e esta vaga de homenagens! :-p - deve ser efeito primaveril!).

Homenagem a três constantes na minha vida (e não vou categorizar de virtual, porque de facto elas são bem reais - noutros espaços - para mim).
Se é puro acaso ou força maior, isso é secundário.
Sei é que existe entre nós dois denominadores comuns que nos tem mantido juntos e bem alicerçados:
- a música e as palavras (mas não daquelas à solta)

Cada um de vocês é-me especial e querido, cada um à sua maneira e na medida exacta do que eu necessito. :-)
Não me vou alargar muito em elogios (senão daqui a nada teriamos para aí, algures neste planeta, três teclados efusivamente salivados! :-p )

Ao João...


À Sofia...


Ao Nuno...


:-)

sábado, março 20, 2004


Uma pequena homenagem a quatro pessoas muito importantes na minha vida :-)

quarta-feira, março 17, 2004

Imaginação sem rédeas

...



People often ask me if I was an artist as a child. I tell them "Everyone was an artist as a child, some of us just never stopped"!

~ Jim Warren ~
(www.jimwarren.com)

domingo, março 14, 2004

Soltos no espaço

Tremia sem parar... mas não de frio.
Mergulhei nas fibras sintéticas do edredão, mas o tremor continuava, cada vez mais descompassado e rápido.
Enrosquei-me então nos meus braços, dei-lhes voltas sem fim - nunca eles me pareceram tão alongados - ... imaginando aquele nosso abraço terno, pele que se acaba fundindo na pele do outro ("... waiting for a sign..."), aquele toque que me desfalece, que me arrepia o pescoço daquela maneira que me é impossível de descrever.

Com os ecos ainda vibrantes do arco ("... in my heart I reach you...")... consegui materializar os teus nos meus braços... ("... the hope lives on beneath the blazing sun...") senti um sopro morno envolver-me, que se aquecia cada vez mais a cada segundo que girava e ... ... ...

Não presenciei o culminar do nosso abraço. ("... in my dreams somehow...")

Encolhida assim no meu casulo, embalada por ti, adormeci finalmente.

Acordei no dia seguinte com um doce odor que me envolvia.
("... one day you'll come.")


(foto cedida por www.digitalblasphemy.com

sábado, março 13, 2004

TU

.
És o fogo-fátuo
fugidio
no nevoeiro da vida
trémulo
que provoca
evolução
evita estagnação
e
tremelica, tremelica, tremelica...

m. l.
13 Março '04


(foto cedida por www.digitalblasphemy.com)

What a life!!

I just realised something!
My children's age reflects on myself.
Therefore, by the time they're reaching their late teens, I'll be having the time of my life, acting wild and senseless, during my fifties!! (ah ah)

quinta-feira, março 11, 2004

Porque será?...

Se o homem tem musas inspiradoras... como se chamam esses entes no que diz respeito à mulher?

quarta-feira, março 10, 2004

Excerto de Saramago in Ensaio sobre a Cegueira (em inglês - porque não?!)



(...) "Let's return to hopes, All right, The other example of hope which I refused to give was this, What, The self-accusation on my list, Please, explain yourself, I never understand riddles, The monstruous wish of never regaining our sight, Why, So that we can go on living as we are, Do you mean all together, or just you and me, Don't make me answer, If you were only a man you could avoid answering, like all others, but you yourself said that you are an old man, and old men, if longevity has any sense at all, should not avert their face from the truth, answer me, With you, And why (...) Because the man I still am loves the woman you are, (...) And now it's my turn, Don't say anything you might regret later, remember the black list, If I'm sincere today, what does it matter if I regret it tomorrow, Please stop, You want to live with me and I want to live with you, You are mad, (...) You would not have said it to me either if you had met me somewhere before, an elderly man, half bald with white hair, with a patch over one eye and a cataract in the other, The woman I was then wouldn't have said it, I agree, the person who said it was the woman I am today. Let's see then what the woman you will be tomorrow will have to say, (...)
They had this conversation facing each other, blind eyes staring into blind eyes, their faces flushed and impassioned and when, because one of them had said it and because both of them wanted it, they agreed that life had decided that they should live together." (...)


Fico agora na espectativa de ler o Ensaio sobre a Lucidez...

sexta-feira, março 05, 2004

Eles chegam...

Tinha decidido dar uma volta, ficar sozinha por algum tempo.
Queria terminar de dar uns laçarotes ao TEXTO IV e, como é habitual, preciso de ar fresco, desentupir os canais para que as ideias fluam.

Estava ali a contemplar os últimos resquícios daquele manto branco que durante largos meses (mais do que me é desejado), nos separa do calor da terra, quando dou por mim, instintivamente, a olhar para cima, em direcção ao sul, por cima do meu ombro esquerdo, eis que os vejo: um lindo casal de gansos!
Casal, pois. Se bem que a distância não me permitisse julgar o seu género, estou em crer, em forte crer, aliás, que se tratasse de um casal.
Afinal, é por essa mesma razão que eles regressam, ano após ano, ao mesmo lugar, para procriarem.
Regra geral, vejo-os sempre em largos bandos, naquela tão famosa posição em V, de modo que achei lindo vê-los voar tão isolados :-).
Contaram-me imagens de onde vieram.
Trouxeram com eles um bafo, todavia delével, de Primavera.

Como não tinha comigo a lente extra, deixo uma foto emprestada :-) (passo a citar o site: www.sabalan.com) e que espelha a imagem que acabei de ver hoje, sexta-feira, pelas 17:45.


quarta-feira, março 03, 2004

O carburante ideal?!

A essência de certas relações consiste em múltiplas etapas de agressividade; um motor propulsionador no crescimento e alicerçar do Amor.

Que faz girar este motor?
- Visões... Ideias...
Quanto mais dissemelhantes, mais labaredas provocam.

segunda-feira, março 01, 2004

Parede

(do Lat. parete, por pariete)

s. f.,
muro de pedra, cal e areia;
muro que forma o exterior de um edifício;

fig.,
barreira;
obstáculo.

Esta é a definição comummente formulada por qualquer dicionário que nos venha parar às mãos.
No entanto, não nos devíamos restringir somente ao que nos é de mais fácil compreensão; sabendo por vivência própria que, se deixarmos a imaginação rasgar os limites, vimos a constatar que a realidade é tão elástica quanto mais o instrumento que nos leva à compreensão dessa mesma.

Deparamo-nos com variados tipos de paredes, no decorrer dos nossos dias.
Há-os que o são de livre vontade, por imposição própria; felizes por assim o serem; não obstante as vezes que a tentemos atravessar, são tentativas
infrutíferas, que só nos deixam esgotados, com sabor amargo de derrota.

Há-os também aqueles que o decidem ser, vendo-a como um refúgio, uma
tentativa de restauro de si mesmo.
A estes, contudo, por várias vezes é possível o atingir. O permeável da estrutura assim o permite... permite a entrada.
E a saída?
Aqui, sentimos de novo o sabor da derrota. A pior das derrotas.
Uma vez que nos assimila mas não permite que o façamos a seu respeito. (para se auto-proteger, estou ciente disso)
Existem muitas outras paredes. Inútil divagar sobre isso por muito mais tempo.
Cansada como me sinto de procurar me fazer sentir e ouvir; daí a minha resolução em utilizar "Inflexão" como parede de desabafos.
Pelo menos desta sei que não posso contar com nada mais que uma passível existência.
- o deixar que imprima nela o que de mim teme mas insiste em sair.

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Hoje... é o começo de um início intemporal